terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Uma crítica (necessária) aos minions


Vira e mexe comento aqui sobre como eu não gosto dos minions, aquelas figurinhas amareladas que seguem um vilão. Digo amareladas, pois a origem do termo minion vem do latim e significa vermelho: era a inicial vermelha dos manuscritos medievais, conhecidas atualmente por miniatura. Apesar da "pequenez" (algumas miniaturas medievais possuíam cerca de um metro e meio de tamanho), miniatura está mais ligada à representação do que ao tamanho: uma miniatura de qualquer coisa representa algo, e não algo em tamanho menor somente.

Minions são tão malvados que as pessoas não percebem o tamanho de sua maldade - a pretensa "fofura amarela" os camufla dos desatentos e incautos. Eles buscam um vilão para servir: qual é a intenção de um filme infantil transmitir esse tipo de ensinamento? Ver os filmes com esses personagens sob essa ótica assusta mais que esse novo filme do Coringa: afinal, neste você sabe que está a falar de um vilão, de uma pessoa má que não esconde sua maldade (e o seu prazer em fazer o mal). Os minions, ao contrário, escondem suas maldades em travessuras, em atitudes descontraídas, o que os tornam bem mais perigosos.

Um detalhe interessante é que os minions acabam por destruir seus senhores. Uma atrapalhada ou outra e puft! o vilão-chefe já era. A forma engraçada como é transmitido esconde (pra variar) aquela associação entre burrice e má fé que muitas pessoas mal intencionadas utilizam, o famoso eu não sabia de nada. É necessário um vilão que consiga controlá-los para que seus danos não o afetem ou mesmo o destruam. Nem parece que estou falando de uma animação infantil da Dream Works - e ainda mais essa, não é criação da Disney.

O que se pode aprender, então, com estes filmes? Que a maldade mais perigosa está oculta em coisas supostamente boas, e mesmo o próprio mal tem que se controlar para não se autodestruir. Isso é muito mais uma temática adulta do que infantil, e da forma como é transmitida, é necessária uma orientação para não se deixar cair nas atrapalhadas fofinhas de seres tão ruins. Deve-se lembrar, também, que crianças têm comportamentos maldosos, e sentem prazer com a maldade, como por exemplo quando enganam ou mentem para alguém com sucesso.

As crianças então seriam como aprendizes de minions? Talvez. Se não forem bem cuidadas ou educadas, podem chegar a destruir a própria família. E assim como não se reconhece a maldade dos minions, não se reconhece a maldade infantil: o bullying existe porque as crianças sentem prazer em perseguir outras crianças. Se não há limites impostos (e infelizmente são impostos às vítimas), podem gerar casos sérios - adultos demais.

2 comentários:

  1. Por um bom tempo não deixei meus filhos assistirem essa animação do meu malvado favorito, mas como as irmãs alegam que isso é paranoia minha, e em momentos de almoço de família, acabamos por "deixar as crianças se divertirem", acabaram assistindo e rolando de rir com os amarelos. Mas sempre questiono meus filhos sobre quais os fins reais de uma ação como aquela das miniaturas de psicopatas e eles respondem a contento.
    Deixei os ver, mas no momento perderam o interesse, preferem Naruto e sua complexidade que talvez sequer compreendam (obs.: não agüento mais Naruto).

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    Respostas
    1. Bom dia!

      Infelizmente usam "imagens agradáveis" para passar ideias nefandas, sobretudo para as crianças.
      Até entendo que Naruto cansa, mas é o que tem no meio de tanta coisa negativa. Depois reclamam dos "jogos violentos", assim, generalizando...

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