terça-feira, 1 de setembro de 2020

A pirâmide de necessidades e a opressão sutil


Um dia desses, um amiga desabafou comigo sobre o eterno ciclo das contas a pagar, que sempre haverá contas a serem pagas, e que deverão ser pagas, sem uma esperança de libertação sobre elas. Lembrei-me da Pirâmide de Necessidades de Maslow, que sistematiza as necessidades humanas do nível mais físico a um nível mais sutil, mas ainda sim ligado à vida material - ele buscava estudar as prioridades dos animais em relação a sua existência. Pode ser feito um paralelo dessa pirâmide com os níveis de consciência do Hawkins, nos níveis inferiores.

As pessoas se preocupam, principalmente, com a sobrevivência: isso vem do nosso instinto natural de animal de rebanho. Não há interesse real em crescer como pessoa, apenas na próxima refeição e nas próximas horas de sono, e, quando muito, na formação de uma família para procriação. É uma questão de escolha, que fica limitada ao nível de percepção. Se isso é satisfeito, rara é a pessoa que busca outras coisas além, quando não um aprimoramento da própria sobrevivência. Já comentei aqui que as pessoas confundem contentamento com resignação, achando que ignorar as situações ajudará em superá-las.

Além do mais, é visível que algo (ou alguém) trabalhe para perpetuar essa mentalidade, forçando as pessoas a focarem apenas em sua sobrevivência imediata: algo que aceitam de bom grado, claro - quanto menos esforço, melhor. Quando se desenvolve a consciência das coisas, essa pressão fica mais nítida: percebe-se que há um interesse em tirar vantagem disso, em pessoas que entregam sua responsabilidade sobre sua própria vida para outras pessoas.

No entanto, com um foco de vida mais elevado, questões mais corriqueiras são supridas com maior facilidade. A sociedade é organizada em pagar boletos: pagamos pelos serviços prestados para que outras pessoas também paguem seus boletos e os serviços prestados a elas também. O pagamento de tributos é parte de nossa organização social desde tempos remotos, e não acredito que haverá uma libertação dos boletos. Todas as tentativas de uma sociedade semelhante falharam amargamente, e devemos pensar nesses exemplos antes de pensarmos apenas em nossas contas bancárias.

Um argumento muito comum que escuto é o "viver de amor não paga contas" e correlatos. Há um fundo de verdade: pessoas que fogem da realidade pelo medo de assumir suas responsabilidades, curiosamente confundidas com pessoas que encaram a realidade de forma elevada, que acabam por assustar quem está em volta. Quem tem uma vida espiritual plena, por assim dizer, ou melhor dizendo, quem tem um nível de consciência elevado, consegue viver sem sentir-se preso aos boletos. Cabe notar também que as pessoas que se endividam geralmente possuem a consciência limitada, não encontrando alternativas para suas situações.

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