terça-feira, 15 de setembro de 2020

Refletindo sobre proatividade


Eu vejo as pessoas reclamaram continuamente sobre proatividade. É uma virtude louvada por superiores e subordinados, a capacidade de antecipar tendências e tomar atitudes precisas. No entanto, ser proativo não depende da própria pessoa, como alguns acreditam, pelo contrário, depende mais do grupo onde ela se encontra receber essas inovações de forma humilde, independente se aquilo vai dar certo ou errado a curto, médio e longo prazos.

Soa estranho falar que proatividade depende mais da equipe (de trabalho, de estudos, etc.) do que do indivíduo. Não se pode pensar em proatividade sem pensar em um grupo, afinal, a ideia é antecipar-se e tomar atitude, o que não faz muito sentido quando se pensa na própria vida. Ser proativo consigo mesmo já deveria ser uma constante, afinal, o grande interessado é o próprio indivíduo.

No entanto, boa parte das pessoas, para não dizer a maioria delas, não é interessada na proatividade alheia, pois, além de tirar-lhes destaque e mérito, pode ser caracterizada como insubordinação, tendo em vista não ser uma atitude prevista pela chefia, sobretudo quando a atitude se revela falha. Proatividade é bem vista porque é associada a acertos, mas quando se erra em busca da mesma, o grupo acaba por rechaçar o inovador e as coisas continuarem como sempre.

Ou seja, por um lado, você tem a questão de errar tentando acertar, algo que não é aceito, por mais que errar seja parte da natureza humana - sabia que pra acertar você tem que errar? Por outro lado, ainda há a questão hierárquica: algumas chefias (líder é apenas um eufemismo, quando não uma tentativa de se tirar autoridade de alguém) veem a proatividade como um descumprimento das ordens, das regras, mesmo quando a pessoa chega a acertar e a ter uma boa ideia.

Fora que, além de tudo isso, a pessoa pode ter acertado, e o grupo (ou a chefia) roubar para si o mérito. Parece bobagem, ou uma questão de ego: realmente é uma questão de ego, mas sob outro ponto de vista, não ser reconhecido (verdadeiramente) pelo seu mérito significa que não há real interesse da pessoa na equipe. Não é questão de ser elogiado ou bajulado, mas em uma situação desfavorável, receber apoio honesto.

Há pessoas que dizem não se importar se outros são promovidos ou reconhecidos às suas custas. Sugiro pensar não na questão de outro ter sido premiado, mas no fato de que não houve real reconhecimento de seu esforço, e se isso realmente vale a pena, pois, em uma situação desfavorável, não haverá ajuda, mas talvez mais revezes.

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