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Mostrando postagens de outubro, 2020

Ódio do Bem?

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Confesso que fiquei muito reticente em escrever sobre este assunto, afinal, ambas as coisas deveriam (de regra) estar separadas e bem definidas. Não existe ódio ao praticar o bem, nem uma atitude virtuosa carregada de ódio. No entanto, em um mundo onde o balizamento está na mera conveniência, no sentido egoísta do termo, atitudes reprováveis tornam-se louváveis em virtude de quem as pratica ou a quem se destinam. O contexto não se basearia mais em fatos, mas em factoides , fatos distorcidos pela mente da pessoa, de forma em que ela esteja sempre certa. É algo complicado a se trabalhar, pois não adiantaria mostrar os fatos, pois a pessoa não os aceitaria como verdadeiro - lembre que algumas pessoas acham que a verdade é algo relativo ao ponto de vista, cada um tendo o seu. Nessa linha de raciocínio, a conclusão que se chega é a de que tudo não passa de mera conveniência para a pessoa. Ou seja, atos absurdos ou maléficos tornam-se atos heroicos dependendo de quem os praticou ou contra qu

Sobre a limitação do pensamento

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  Já escrevi aqui sobre o 1984 e sobre a fluidez da linguagem ao longo do tempo, mas acredito que ainda não escrevi nada sobre o uso da linguagem como forma de desenvolvimento das ideias e, consequentemente, da evolução de consciência. O que eu noto hoje em dia é um movimento de limitação da linguagem que acaba por atrapalhar o fluxo de pensamentos na mente da pessoa, já que a mesma acaba por se vigiar de forma tão incisiva, o que prejudica até o desenvolvimento de sua consciência. Comentei no post sobre o politicamente correto um pouco da limitação da linguagem, pelo fato de pessoas se ofenderem com coisas cada vez mais banais, querendo a todo custo bani-las da existência, transformando em vilões quem ainda as usa. Não se pode mais pensar se algo é ofensivo ou não, pois qualquer coisa pode ser ofensiva - e muitas vezes, o ofensivo é associado ao criminoso diretamente, sem a mínima proporcionalidade. Se tudo é ofensivo, nada é ofensivo, ou seja, a questão de ofensa torna-se uma mer

Em Defesa do Preconceito

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Apesar de eu usar o título do livro do Theodore Dalrymple, este post não é uma resenha do livro, o qual achei muito confuso. O autor mistura de forma desproporcional o argumento de autoridade - ele é psiquiatra - com uma linguagem mais informal, para tornar o livro acessível ao grande público. No entanto, o texto fica enfadonho para um leigo, e não muito confiável a nível profissional. Deixando isso de lado, o assunto é realmente interessante e importante, sendo que eu já escrevi sobre aqui no blog. O preconceito é parte do instinto animal: como diz o ditado, a primeira impressão é a que fica . É difícil a pessoa mudar seu conceito sobre algo depois deste primeiro contato - as informações subsequentes apenas vão solidificando o que já ficou marcado. É algo natural, mais comum do que se imagina, e não é essencialmente ruim como querem dizer por aí. O preconceito pode livrar a pessoa de situações embaraçosas, assim como a intuição - que comentei sobre os dois conceitos  em outro post. Ge

Sobre o real misticismo

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Talvez eu tenha que fazer correções em meus posts anteriores, ou meus leitores devam ler meus posts mais antigos pensando que estes foram escritos em outra época, quando eu tinha outra cabeça. Depois de ler um comentário de um post antigo , fiquei pensando no contexto em que eu encaixei a palavra místico, e pude concluir: aquilo não é o misticismo verdadeiro, a verdadeira experiência espiritual. Talvez até se possa pensar em separar por palavras, sendo o místico algo verdadeiro e o misticismo algo falso, mas as palavras se misturam, e aí dá problema. E isso vai de encontro ao que diferencia o verdadeiro do falso: o que se realmente sente. Não é um estereótipo, não é uma postura externa, é algo que flui dentro da pessoa, que a maioria não percebe e se deixa enganar. Foi então que percebi, ao longo dos posts, e mesmo ao longo da vida, que o que eu falava sobre maturidade e evolução era o caminho para a verdadeira experiência mística, pois só com ambos você pode transcender a realidade e