terça-feira, 27 de outubro de 2020

Ódio do Bem?


Confesso que fiquei muito reticente em escrever sobre este assunto, afinal, ambas as coisas deveriam (de regra) estar separadas e bem definidas. Não existe ódio ao praticar o bem, nem uma atitude virtuosa carregada de ódio. No entanto, em um mundo onde o balizamento está na mera conveniência, no sentido egoísta do termo, atitudes reprováveis tornam-se louváveis em virtude de quem as pratica ou a quem se destinam.

O contexto não se basearia mais em fatos, mas em factoides, fatos distorcidos pela mente da pessoa, de forma em que ela esteja sempre certa. É algo complicado a se trabalhar, pois não adiantaria mostrar os fatos, pois a pessoa não os aceitaria como verdadeiro - lembre que algumas pessoas acham que a verdade é algo relativo ao ponto de vista, cada um tendo o seu.

Nessa linha de raciocínio, a conclusão que se chega é a de que tudo não passa de mera conveniência para a pessoa. Ou seja, atos absurdos ou maléficos tornam-se atos heroicos dependendo de quem os praticou ou contra quem, e vice-versa: atos louváveis são recriminados também dependendo da conveniência de quem cria o factoide.

Assim surge a expressão ódio do bem: o ato é imoral, criminoso até, mas é aceito dentro de um contexto de conveniência imoral - poder-se-ia chamar de paramoralidade, citando o Ponerologia. Os exemplos são muitos na internet, e a partir deles que se pode perceber quem realmente sofre discriminação: geralmente os considerados "opressores" sofrem nas mãos dos considerados "oprimidos", sem direito à defesa.

Ou seja, se você é considerado de um grupo "opressor", qualquer atitude negativa contra você é vista como algo bom, muitas vezes rotulada como justiça ou reparação histórica. Se um grupo considerado "oprimido" toma uma atitude negativa, é visto como algo libertador. A atitude em seu contexto é manipulada para obter essa imagem e forçar as pessoas a acreditarem.

Para esse ciclo ser quebrado, é necessário focar na Verdade, independente de conveniências. A Verdade anula a conveniência da situação e mostra as coisas tais como são: maldade é maldade, bondade é bondade, mesmo em situações complexas onde as aparências enganam e as pessoas, de um modo geral, prefiram acreditar nelas.

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