terça-feira, 10 de novembro de 2020

Pensamento Binário


Uma coisa comum nas pessoas é o pensamento binário, isto é, concluir que se alguma coisa não possui tal característica, com certeza ela possui a característica oposta. Obviamente não é bem assim; no entanto, as pessoas são tão automáticas quanto a isso, que horas e horas de explicações causam mais confusões do que as encerram.

É possível que algo não seja uma coisa muito menos o seu oposto. Um exemplo é uma pessoa que não tenha uma religião definida: ela pode ou não acreditar em Deus, independente de seguir uma igreja ou não. Contudo, é comum que quando uma pessoa diga que não possui religião, logo concluam que ela não acredita em Deus.

Existem infinitos exemplos para essa situação: posição política, aderência à determinada ideia ou projeto, visões de mundo, etc. Esse binarismo acaba por encerrar-se na oposição bem e mal, na qual se algo não é bom, com certeza é ruim. Talvez algo não seja tão bom quanto o esperado, o que não o torna automaticamente maléfico.
 
Se uma pessoa não gosta de algo, não significa que ela odeie este algo. Ela pode simplesmente ser indiferente, ou mesmo não ter uma opinião definida. Inclusive se uma pessoa não é bonita, não significa de pronto que ela seja feia - ela pode ser simplesmente "normal". Há tantas opções que chega a ser um tipo de "pobreza mental" pensar que tudo ser resolvido em meros sim ou não, gostar ou odiar, 0 ou 1.

Claro, não se pode confundir com aquela frase do Morpheus em Matrix: "se não é um dos nossos, é um deles". Repare no contexto: em Matrix, não é possível ter uma "posição neutra" entre o agente Smith e a galerinha da Nabucodonosor e Zion. Smith tem acesso à consciência de qualquer pessoa dentro do sistema, não podendo esta evitar sua influência. Ou seja, essa é uma exceção: sempre haverá exceções.

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