terça-feira, 24 de novembro de 2020

Power vs. Force na Política

No capítulo 10 de Power vs. Force, o Hawkins comenta sobre as interações entre Poder e Força no meio político. Vou comentar algo sobre aqui no post, levando em consideração outros fatores notados que não constam no livro, como as falhas na calibragem e a evolução negativa, que acabam por explicar alguns "erros" e imprecisões presentes no trabalho.

O autor começa o capítulo falando de um princípio fundamental para a vida em sociedade que é a Liberdade. Lutou-se por séculos para alcançá-la, seja superando a escravidão, o colonialismo, ou mesmo ditaduras e tiranias. Povos que se alinham a princípios elevados tendem a tornar-se invencíveis, como é o exemplo dos Estados Unidos: Hawkins afirma que cerca de metade da população norte-americana está acima do nível 200 de consciência, ou seja, tem o básico de noção da própria vida.

Quando se luta por liberdade, seja pela guerra ou mesmo de forma não-violenta, como no caso de Gandhi, os exemplos tendem a afetar a humanidade por longos períodos de tempo, tanto é que a Declaração de Independência dos Estados Unidos foi calibrado em 700, considerado o documento de maior nível de consciência da História. Uma nação construída sobre princípios elevados tende a perdurar ao longo dos séculos, mesmo que seus habitantes se afastem deles e mesmo comecem a agir contra.

Como é conhecido do blog, discordo da questão da violência, que Hawkins é enfático em dizer que esta é superada pela inteligência e sabedoria: se assim o fosse, gênios não seriam assassinados aos montes, sobretudo em regimes ditatoriais. Acredito que o fato de Gandhi proibir terminantemente qualquer atitude violenta em nome de seu momento reside-se em não gerar nenhum argumento que permitisse à Inglaterra de usar força letal, como fez na Irlanda, por exemplo.

Hawkins elogia a atitude de Mandela, talvez desconhecesse o genocida que este foi. Seria um caso de evolução negativa, onde uma pessoa possui uma grande capacidade de ação, mas voltada ao caos e ao "poder" na acepção comum, não na de Hawkins. Mesma coisa com Gorbachev: assumir os erros da União Soviética era uma estratégia já utilizada por seus antecessores, muito bem explicada no livro Desinformação de Ion Mikhail Pacepa, para que houvesse uma "melhora" na imagem do país e de seu líder. A queda da URSS foi um plano meticulosamente elaborado, para que a imagem do comunismo (estou repetindo o termo de propósito) ganhasse força e se espalhasse pelo mundo.

A Segunda Guerra Mundial, assim como a Guerra Fria, foram conflitos de valores, praticamente de Poder contra Força. Durante esses conflitos, em especial no segundo, ficou visível não só uma luta entre o "mundo livre" e a implantação de uma "ditadura global", mas também na sutileza dos combates ocorridos. Além da ostentação militar e cultural, foram implantadas técnicas de programação mental das mais eficientes e sutis. Pode-se concluir, no final das contas, que apenas aparentemente os Estados Unidos ganharam a Guerra Fria, mas vitória efetiva foi das doutrinas do espectro do marxismo, que se tornou lugar-comum do pensamento da sociedade.

Uma marca comum em ditaduras é a não-aceitação de divergências ou de opositores. Estes são mortos literalmente ou metaforicamente, através de boicotes e de sabotagens diversas. No entanto, hoje em dia, essa perseguição não é como a estereotipada nas ficções, mas oculta em belas palavras e supostas "boas atitudes", em que é visível o ódio a quem discorda ou mesmo faz uma troça de suas ideias. Não precisa mais se estar no poder para perseguir quem diverge de suas opiniões, e esta forma é a usada hoje em dia para tomar o controle dos países.

Hawkins afirma que muitos sistemas políticos e movimentos sociais começam dentro de princípios elevados, mas acabam por se deixar levar pelo egoísmo, fazendo com que caiam em desgraça. Outra afirmação da qual discordo dele: geralmente essa intenção egoísta já existia desde o começo, mas era necessária uma roupagem "boa" para convencer e agregar pessoas. Conforme estes movimentos se consolidam, a roupagem não é mais necessária e "a máscara cai".

Há um tópico específico para a questão da democracia nos Estados Unidos. Para mim, não é que a democracia em si seja um regime melhor que os outros, pois para que algo funcione é necessário que haja pessoas evoluídas. Nada funciona em lugares onde a população não tem noção de que ela é responsável pelas suas ações, e espera que as soluções venham apenas do governo. Governos falham não apenas por incompetência dos governantes, mas pela imaturidade de sua população.

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