terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Só por hoje, eu sou calmo... quê?

Como já usei o título Calmaria em meio à Tempestade, mas quero voltar ao tema, decidi usar um título mais objetivo. Ser calmo não é ser passivo, complacente, apático. Eu já falei sobre outras vezes, mas vou tentar centralizar em um post só, baseando-me no primeiro princípio do Reiki: só por hoje, sou calmo, ou só por hoje, não te zangues.

Na maioria das vezes, para não dizer em todas as vezes, a pessoa passiva é rancorosa, amarga. Ela não age de forma ativa pela própria vida, mas espalha sua amargura por onde passa, tornando o ambiente pesado e triste. Por mais que ela escreva textos e compartilhe postagens motivacionais, sempre fica aquele tom de indireta e de agressividade. A pessoa não é calma realmente, ela está se consumindo por dentro.

Por outro lado, a pessoa aparentemente explosiva pode demonstrar calma e autocontrole em situações extremas e mesmo dolorosas. Por ela fazer, por ela tomar atitude, pode-se pensar que ela não esteja bem, que seja uma pessoa amarga e irritadiça. A sociedade desaprendeu a tomar atitude, e por isso não sabe agir com calma perante as situações - e quem o faz não é considerado calmo.

Ser calmo é fazer as coisas que devem ser feitas sem se afobar e sem se descontrolar. Em uma sociedade em que as pessoas vivem fora de controle sem perceber, ter autocontrole parece algo surreal, impossível, e até negativo em alguns casos. A meditação pode agravar o problema pela pessoa dar um direcionamento errado ao processo: acaba-se condicionando a uma passividade desnecessária e pouco saudável.

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Mantendo a sanidade

Este ano que se passou foi um grande desafio à sanidade, simples assim. Informações controversas vindas de todos os lados, pessoas que surtaram sem perceber, problemas profundos que vieram à tona nos piores momentos. O pandereco foi muito mais uma questão mental do que fisiológica: epidemias sempre ocorreram e sempre ocorrerão, mas esta foi diferente por um motivo muito simples: controlou-se a mente e o coração das pessoas, fazendo-as tomar atitudes das mais irracionais em nome de algo.

Que as pessoas tendem a ser mal educadas e pouco gentis já se sabe, mas nos últimos meses as pessoas têm apresentado uma agressividade mal contida: ficar preso em casa abala de forma profunda a mente das pessoas. Mesmo quem é mais "caseiro" parece que sofreu com o simples fato de não poder sair de casa à hora que quisesse. Na hora de finalmente sair, parece que o estrago foi consumado: percebeu-se que as pessoas não conseguem mais conversar direito mais umas com as outras, ou mesmo interagir de forma lógica.

Eu já havia escrito sobre essa dificuldade de interação entre as pessoas, isso já ocorria de uns anos pra cá (que eu acredito que sejam décadas). Agora com o ano no fim, notou-se que tudo é binário: certo e errado, nós e eles, aliados e inimigos. Não se evita o diálogo, mas o contraditório, a opinião divergente, discordante. Não se percebe a veracidade da afirmação "não há prova de que dá certo, mas não há prova de que dá errado" - isso é tão possível quanto real.

O problema é que isso não é apenas em nível pessoal, mas em nível social e mesmo mundial: não há certezas porque não há possibilidade de análise das informações transmitidas. O divergente é censurado por ser divergente - parece até o livro de mesmo nome, onde as pessoas eram perseguidas por possuir características de mais um grupo, e divergirem da maioria. Como as pessoas não estão em seu estado mental perfeito, abaladas pelo ocorrido, divergir torna-se ainda mais perigoso.

Para censurar, não é mais necessário um decreto legal. Basta "esconder" a informação das redes sociais, rotulá-la sumariamente de falsa - antigamente os boatos corriam tão livres - e perseguir quem ousar questionar. Essa perseguição sutil gera um tipo de paranoia que sufoca mentalmente o pensamento: mede-se as palavras não para não ser descortês, mas para não tomar um processo - ou um tapa na cara.

Como continuar pensando de forma clara e racional em tempos em que reina a insanidade? Mantendo a consciência do pensamento. Estando consciente de que as coisas estão erradas, de que as pessoas não estão bem e se adaptando à situação de forma que isso não lhe afete mentalmente. Fazer o certo é necessário, principalmente nos momentos mais difíceis, e cada vez mais é necessário fazê-lo com sutileza e sabedoria.

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Poder e os Esportes


Vamos agora comentar o capítulo 12 do livro Power vs. Force, dando continuidade à sequência. Esporte sempre foi símbolo de maestria e excelência, e os atletas sempre foram considerados heróis ao longo da História - basta pensar nos ídolos do esporte brasileiros, como Senna ou Pelé. O esporte é uma forma de superar questões do quotidiano e alcançar a transcendência da vida comum.

O esporte mostra o lado bom do orgulho: a autoconfiança, a humildade e a determinação em superar os próprios limites de forma honesta e saudável. Durante a prática esportiva, é normal sentir dor, e superar a dor é necessário para se superar como atleta, e mesmo como pessoa. A sensação de paz e alegria após competições é largamente documentada, sobretudo em modalidades de grande esforço físico. Esta sensação de paz não é por conta do sucesso, não de quebrar um recorde: mas de permitir que outras pessoas o façam. Quando uma consegue, outras também o fazem, de forma muito mais simples.

Filmes com temas esportivos acabam por ter uma calibragem elevada por conta do tema: o exemplo usado é Imensidão Azul (Le Grand Bleu/The Big Blue), calibrado em 700. O filme tem por foco a superação do limite humano através do controle mental e da superação do orgulho - o rival do protagonista morre por querer superá-lo por mera vaidade. Note que não há contradição com o que foi dito no parágrafo anterior, pois o lado bom do orgulho vem quando você o supera.

A marca principal de um grande atleta é a sua humildade e gratidão, e aqui cabe uma observação: as pessoas, de forma geral, confundem humildade com submissão e autoconfiança com arrogância. Alguém aparentemente arrogante às vezes é mais humilde que uma pessoa que simula submissão para atraiçoar alguém.

A superação depende de um objetivo elevado. Motivações rasas (dinheiro pelo dinheiro, fama, etc.) esgotam o corpo mais facilmente: conseguir dinheiro para pagar as dívidas ou para ter uma vida mais digna é totalmente diferente de conseguir dinheiro apenas para ostentar luxo e influência. Um bom exemplo disso são as artes marciais, que além de ensinarem a disciplina do corpo, ensinam a transcendência da mente, transmitem valores que devem ser levados para a vida cotidiana.

Por fim, não se deve pensar em competição como algo meramente negativo: nossa sociedade acovardou-se a partir do momento em que começou a abrir mão da competição para simular uma cooperação na qual ninguém realmente se esforça, nem por si nem por outrem. O principal competidor é a própria pessoa, e ela deve se basear em si mesma para conseguir um melhor resultado. Perder para outro atleta apenas significa que ela deve continuar se esforçando, e reconhecer que o outro se esforçou mais.

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

O Poder no Mercado

Indo para o Capítulo 11 do livro Power vs. Force, vou comentar sobre a análise do Hawkins a respeito dos níveis de consciência e do método de calibragem criado por ele em relação ao mercado. Interessante notar que ele começa o capítulo falando que sem liberdade de escolha não é possível ter responsabilidade, e que escolhas de baixo atrator podem destruir civilizações inteiras.

As pessoas fazem compras baseadas no que tentam perceber de campo atrator, e muitas vezes acabam por se deixar levar por algo de baixo atrator pelo glamour que este aparenta, como aquelas propagandas idealistas que mostram situações idílicas para apresentar um produto ou serviço. Não dá para falar sobre propaganda sem pensar em marketing digital ou em uma modalidade que tem ganhado força ultimamente: o marketing de conteúdo.

Basicamente: marketing de conteúdo é quando a empresa fornece conhecimentos úteis a possíveis clientes como uma forma de criar uma boa imagem e assim convencer, de forma inconsciente, a comprar seus produtos ou serviços. Isso já existe há algum tempo, mas com as redes sociais esse tipo de estratégia ganhou uma camuflagem muito interessante, pois até pessoas não ligadas à área do marketing utilizam de seus conhecimentos para criar e vender produtos.

A pessoa comum acredita estar aprendendo algo novo, ou pesquisando sobre um problema que possui, mas acaba sendo convencida de que a solução para tal necessidade é o produto da empresa. A atitude em si não é ruim, mas a situação ficou de tal forma exacerbada que até grupos ativistas utilizam-se destes métodos para promover suas agendas.

No marketing digital existe uma fase chamada call to action, ou CTA. É quando a empresa convence a pessoa a tomar uma atitude em relação a uma situação criada: comprar um produto, assinar uma newsletter, entrar em contato, etc. O que se tem com isso? Pessoas que só tomam atitudes de CTA: se for necessário tomar uma atitude para a própria vida, não existe engajamento para tal.

Voltando ao livro, um fator interessante para melhorar as vendas é o relacionamento entre os funcionários da empresa. Uma empresa meramente lógica acaba por ter alta rotatividade, enquanto que uma empresa mais "familiar" desenvolve um sentimento de lealdade entre os colegas, fazendo com que os funcionários trabalhem em nome de um bem comum.

Isso lembra um pouco o post sobre rebanho e matilha: o rebanho age em conjunto apenas para interesses egoístas, enquanto que a matilha age pelo bem do grupo, sem interferir na liberdade individual. A principal diferença está na hora de lidar com divergências: empresas-rebanho, por assim dizer, descartam funcionários que possuem visões de mundo diferentes da "padrão"; já empresas-matilha acabam por agregar essas divergências como uma forma de enriquecimento.

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Progressão de Consciência

 
A consciência de uma pessoa cresce cerca de 5 pontos durante uma vida inteira, ou seja, a tendência natural é a de que não mudem de nível de consciência, tornando o nível de consciência na ocasião do nascimento um fato de grande importância. Isso sem contar que uma pessoa pode regredir sua consciência ao longo da vida: se 85% da população está em uma faixa de consciência abaixo de 200, e estes níveis são instáveis entre si, a vida de uma pessoa pode ser uma oscilação na qual termine com pouco avanço ou algum regresso.

Hawkins ainda aponta de 2,6% da população mundial tem a polaridade invertida: sentem-se bem com coisas ruins, mas se sentem mal com coisas boas (o teste de calibragem é o contrário). Estas pessoas seriam responsáveis por cerca de 72% dos problemas sociais atuais. Isso vai de encontro ao que eu já comentei sobre níveis negativos de consciência e erros da calibragem do Hawkins.

É interessante comentar, então, sobre como funciona o vício em drogas sob a ótica dos níveis de consciência: o entorpecente em si não possui uma calibragem elevada, mas leva a pessoa a sentir um estado elevado de consciência (entre 350 e 600) por um curto período de tempo, mascarando sua raiva, ansiedade e ressentimento. Quando o efeito acaba, a pessoa retorna ao seu estado limitado de consciência ainda mais frustrada, buscando novamente este estado elevado por meios limitados.

Outras coisas podem levar a pessoa a um estado elevado de consciência, como obras de arte, caridade verdadeira, e mesmo a prática espiritual. O importante é perceber que essa elevação não é induzida por um fator externo, mas trabalhada no inconsciente da pessoa. Quanto mais elevado um estado de consciência, mais fácil fica para "reprogramar" a própria consciência.