terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Mantendo a sanidade

Este ano que se passou foi um grande desafio à sanidade, simples assim. Informações controversas vindas de todos os lados, pessoas que surtaram sem perceber, problemas profundos que vieram à tona nos piores momentos. O pandereco foi muito mais uma questão mental do que fisiológica: epidemias sempre ocorreram e sempre ocorrerão, mas esta foi diferente por um motivo muito simples: controlou-se a mente e o coração das pessoas, fazendo-as tomar atitudes das mais irracionais em nome de algo.

Que as pessoas tendem a ser mal educadas e pouco gentis já se sabe, mas nos últimos meses as pessoas têm apresentado uma agressividade mal contida: ficar preso em casa abala de forma profunda a mente das pessoas. Mesmo quem é mais "caseiro" parece que sofreu com o simples fato de não poder sair de casa à hora que quisesse. Na hora de finalmente sair, parece que o estrago foi consumado: percebeu-se que as pessoas não conseguem mais conversar direito mais umas com as outras, ou mesmo interagir de forma lógica.

Eu já havia escrito sobre essa dificuldade de interação entre as pessoas, isso já ocorria de uns anos pra cá (que eu acredito que sejam décadas). Agora com o ano no fim, notou-se que tudo é binário: certo e errado, nós e eles, aliados e inimigos. Não se evita o diálogo, mas o contraditório, a opinião divergente, discordante. Não se percebe a veracidade da afirmação "não há prova de que dá certo, mas não há prova de que dá errado" - isso é tão possível quanto real.

O problema é que isso não é apenas em nível pessoal, mas em nível social e mesmo mundial: não há certezas porque não há possibilidade de análise das informações transmitidas. O divergente é censurado por ser divergente - parece até o livro de mesmo nome, onde as pessoas eram perseguidas por possuir características de mais um grupo, e divergirem da maioria. Como as pessoas não estão em seu estado mental perfeito, abaladas pelo ocorrido, divergir torna-se ainda mais perigoso.

Para censurar, não é mais necessário um decreto legal. Basta "esconder" a informação das redes sociais, rotulá-la sumariamente de falsa - antigamente os boatos corriam tão livres - e perseguir quem ousar questionar. Essa perseguição sutil gera um tipo de paranoia que sufoca mentalmente o pensamento: mede-se as palavras não para não ser descortês, mas para não tomar um processo - ou um tapa na cara.

Como continuar pensando de forma clara e racional em tempos em que reina a insanidade? Mantendo a consciência do pensamento. Estando consciente de que as coisas estão erradas, de que as pessoas não estão bem e se adaptando à situação de forma que isso não lhe afete mentalmente. Fazer o certo é necessário, principalmente nos momentos mais difíceis, e cada vez mais é necessário fazê-lo com sutileza e sabedoria.

0 comentários:

Postar um comentário

Deixe seu comentário. Ao clicar em enviar, aparecerá uma caixinha de confirmação.