terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Poder e os Esportes


Vamos agora comentar o capítulo 12 do livro Power vs. Force, dando continuidade à sequência. Esporte sempre foi símbolo de maestria e excelência, e os atletas sempre foram considerados heróis ao longo da História - basta pensar nos ídolos do esporte brasileiros, como Senna ou Pelé. O esporte é uma forma de superar questões do quotidiano e alcançar a transcendência da vida comum.

O esporte mostra o lado bom do orgulho: a autoconfiança, a humildade e a determinação em superar os próprios limites de forma honesta e saudável. Durante a prática esportiva, é normal sentir dor, e superar a dor é necessário para se superar como atleta, e mesmo como pessoa. A sensação de paz e alegria após competições é largamente documentada, sobretudo em modalidades de grande esforço físico. Esta sensação de paz não é por conta do sucesso, não de quebrar um recorde: mas de permitir que outras pessoas o façam. Quando uma consegue, outras também o fazem, de forma muito mais simples.

Filmes com temas esportivos acabam por ter uma calibragem elevada por conta do tema: o exemplo usado é Imensidão Azul (Le Grand Bleu/The Big Blue), calibrado em 700. O filme tem por foco a superação do limite humano através do controle mental e da superação do orgulho - o rival do protagonista morre por querer superá-lo por mera vaidade. Note que não há contradição com o que foi dito no parágrafo anterior, pois o lado bom do orgulho vem quando você o supera.

A marca principal de um grande atleta é a sua humildade e gratidão, e aqui cabe uma observação: as pessoas, de forma geral, confundem humildade com submissão e autoconfiança com arrogância. Alguém aparentemente arrogante às vezes é mais humilde que uma pessoa que simula submissão para atraiçoar alguém.

A superação depende de um objetivo elevado. Motivações rasas (dinheiro pelo dinheiro, fama, etc.) esgotam o corpo mais facilmente: conseguir dinheiro para pagar as dívidas ou para ter uma vida mais digna é totalmente diferente de conseguir dinheiro apenas para ostentar luxo e influência. Um bom exemplo disso são as artes marciais, que além de ensinarem a disciplina do corpo, ensinam a transcendência da mente, transmitem valores que devem ser levados para a vida cotidiana.

Por fim, não se deve pensar em competição como algo meramente negativo: nossa sociedade acovardou-se a partir do momento em que começou a abrir mão da competição para simular uma cooperação na qual ninguém realmente se esforça, nem por si nem por outrem. O principal competidor é a própria pessoa, e ela deve se basear em si mesma para conseguir um melhor resultado. Perder para outro atleta apenas significa que ela deve continuar se esforçando, e reconhecer que o outro se esforçou mais.

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