terça-feira, 20 de julho de 2021

O problema dos especialistas

Devo ter comentado, há algum tempo atrás, da diferença entre o amador e o profissional: o amador faz algo por paixão àquilo, enquanto que o profissional tem uma "certificação reconhecida" na área, o que não significa que este seja melhor que aquele, muitas vezes acontecendo justamente o contrário. No entanto, nessa dificuldade em se reconhecer o potencial das pessoas, foram criadas barreiras chamadas de especialização: apenas especialistas podem falar sobre o assunto, por mais conhecimento que se tenha sobre.

Até algum tempo atrás, realmente alguns conhecimentos estavam acessíveis apenas àqueles que buscavam uma formação, digamos, "formal". Porém, hoje em dia é fácil adquirir conhecimentos específicos e densos sobre qualquer assunto, tornando-se muitas vezes mais "especialista" que os ditos "especialistas", mas sem transmitir "confiança" sobre o conhecimento que possui. Confiança que se confunde com a arrogância em aceitar a experiência que o outro possui.

Não apenas na academia, mas em todas as áreas profissionais aprender por conta tornou-se uma "perda de tempo": de nada adianta saber tal assunto se não será ouvido, se seu conhecimento e sua experiência não serão levados em consideração, muito menos ser respeitado pelo que sabe. Dá-se mais importância para quem ostenta papéis, mas vazio por dentro, utilizando-se de certificações para compensar algo que não se tem.

Para piorar, mesmo entre as especializações há hierarquias: não adianta ser formado em lugar tal, ou com professor fulano. Tem que ser o lugar aceito por aquela pessoa, se não é inútil. Ou, para afundar de vez a situação, se a pessoa tiver a certificação da moda, mas não servir aos interesses, é tão inútil quanto, ou mesmo considerado um corrompido irremediável. Ainda lembrei dos obstáculos intransponíveis para tais especializações: nunca é o suficiente, você nunca está pronto.

Como na questão da meritocracia, a chave está em aceitar o conhecimento e a experiência alheia: certificações deveriam ser meras formalidades para confirmar algo que já existe. Colocar esse conhecimento à prova é a melhor forma de expressar sua qualidade, independente das pessoas. Por mais que panelinhas sejam ambientes seguros para pequenos grupos, elas destroçam a sociedade como um todo, evitando trocas que permitiriam o crescimento de todos.

terça-feira, 13 de julho de 2021

A Geração Z não falhou

Antes de tudo, um esclarecimento: engana-se quem diz que a geração Z refere-se aos nascidos na virada do milênio. A "famosa" geração Z refere-se aos nascidos nos anos 90, em um ambiente de fim da Guerra Fria, onde o mundo deixa de ser bipolar e uma suposta "liberdade" passa a reinar. Já os millenials são os nascidos na Virada do Milênio, chegando a soar óbvio ter que explicar essa diferença que está passando batido.

Pois bem, há alguns comentários na internet, em vídeos e em posts, de que essa geração Z, hoje por volta dos 30 anos, não teria alcançado o "sucesso na vida" como as gerações anteriores: formado uma família, adquirido um imóvel, conquistado estabilidade profissional. Muitos da citada geração moram de aluguel, quando não moram com os pais, ainda estão procurando "a metade da laranja", e mesmo o "emprego dos sonhos".

Comparando dessa forma, realmente a geração Z deixa a desejar. Contudo, a situação é muito mais complexa: a formação de uma geração depende de outra que a formou. A geração que formou os Z foi aquela do Woodstock e das "revoluções" dos anos 70. Eis o resultado. Para agravar ainda mais a situação, a própria situação político-econômica mundial está sendo estruturada para forçar as pessoas a não conseguirem ascender socialmente.

Ou seja, culpar apenas a própria geração Z por falhas nas quais ela não poderia prever, e programada para não perceber, é no mínimo desonesto. A geração Z é uma geração semi-escravizada, que não possui estabilidade suficiente para pensar em projetos maiores. Associa-se a pessoa da geração Z à imaturidade pelo seu amor à cultura pop, quando esta na verdade é uma fuga de um mundo escravizador para um mundo onde os valores e o esforço ainda são recompensados.

Enquanto a geração Z ainda pode ser considerada uma geração "inteligente", os millenials são conhecidos por sua notória burrice. Seguindo o raciocínio anterior, não significa que os millenials foram agraciados com uma ignorância sem precedentes, mas programados para terem suas capacidades intelectuais limitadas, e assim serem dominados sem perceberem os grilhões que carregam.

Esqueçam o idealismo de que tudo é apenas fruto do próprio esforço: se houve isso na sociedade, hoje em dia não existe mais. É muito mais fácil e conveniente capacitar uma pessoa da panelinha do que contratar alguém com talento mas que pensa diferente. A tendência é formar o máximo de pessoas com o mínimo de capacidade de raciocínio, sendo algumas como intelecto suficiente para manter a sociedade em ordem.

terça-feira, 6 de julho de 2021

É difícil lidar com gente honesta

Uma coisa que as pessoas ainda não perceberam é a dificuldade em lidar com alguém realmente honesto, sem pretensões de levar vantagem sobre ninguém, admitindo erros e derrotas caso justas forem. São pessoas que conhecem as regras e possuem valores a guardar e defender: algo tão raro hoje em dia, e tão deturpado pela sociedade, que pessoas honestas tornaram-se alvos a serem neutralizados, quando não destruídos.

Quando se tenta levar tudo no jeitinho, tende-se a criar laços de chantagem com outros espertalhões: o famoso rabo preso. Um protege o outro para não ser delatado, e assim o esquema de vantagens continuar. Já o honesto, por não ter esses laços, e não precisar deles para sobreviver, gera incômodos para quem precisa das irregularidades e dos "esqueminhas": afinal, podem ser descobertos e neutralizados legalmente a qualquer momento.

No final das contas, as pessoas no geral lidam com os desonestos de duas formas: ou pela imposição ou pela rendição. Nesta, a pessoa simplesmente aceita os termos da pessoa de valor para não sofrer maiores prejuízos em um conflito. Naquela, a pessoa utiliza da força (material ou não) para impedir que o honesto siga seu caminho e alcance seus objetivos.

Infelizmente, no mundo em que estamos, chega a ser normal que imponham restrições a pessoas honestas, sobretudo indiretamente, sem justificativas claras, para que não sejam desmontadas. No entanto, cabe ressaltar que se não há uma base moral racional em uma sociedade, e leis derivadas desta base, não é possível uma convivência saudável e duradoura, parecendo mais com aquelas ficções onde a sociedade é regida pelos "figurões", sem regras nem garantias.

Ou seja, uma base moral não é mera "frivolidade", como alguns acreditam. É a garantia de que as coisas estarão em ordem para o máximo de pessoas, independente da influência que possuam sobre o grupo. Sempre haverá jeitinhos, não se iluda: o problema é o nível de estrago causado e a quantidade de pessoas adeptas a querer levar vantagem sobre as outras pessoas.

terça-feira, 29 de junho de 2021

O protagonismo em Naruto


Estou finalmente assistindo à serie Naruto, algo no qual eu deveria ter feito antes, mas acredito que estou fazendo no momento certo. Este anime é um clássico no sentido literal da palavra: algo eterno de fácil entendimento para todos. É comum pensar que o clássico existe apenas nas "belas-artes": música, literatura, pintura, cinema, escultura, dança e arquitetura. No entanto, a própria variedade na expressão humana cria novos clássicos em novas áreas.

Existem clássicos entre os desenhos animados, em especial os desenhos animados japoneses (animes). É normal não ser feita essa associação, principalmente por se viver em uma época em que os clássicos não são mostrados como tais, mas como coisas distantes e incompreensíveis para a maioria das pessoas. Talvez eu já tenha comentado sobre antes, mas vale a pena observar novamente.

Um comentário na internet me chamou a atenção e me inspirou a escrever este post: Naruto só venceu tais e tais lutas por causa do seu protagonismo. No contexto, o autor do comentário quis dizer que Naruto só consegue conquistar seus objetivos por ser o protagonista do anime. Entretanto, é possível abrir o comentário a outras interpretações: 2. Naruto realmente conseguiu superar as adversidades de sua vida e conquistou o que sempre sonhou e 3. Naruto só conseguiu o que quis por já ter predisposição para tal.

Uma coisa boa de falar sobre Naruto é que não há aquele problema com spoilers, afinal a história é revirada ao avesso todos os dias na internet.

Talvez a primeira interpretação do comentário seja a mais rasa das três. O fato de ele ser protagonista não quer dizer exatamente que ele seja o maioral: vide outras ficções como Harry Potter, onde Hermione realmente faz as coisas acontecerem, ou mesmo na franquia The Legend of Zelda, em que chegam a achar que o Link é a Zelda por ser a figura principal de todos os jogos. A história de Naruto conta a superação de uma pessoa para alcançar seus sonhos.

Irei comentar da terceira interpretação: Naruto é filho do Quarto Hokage (líder) de sua vila, considerado um gênio. Ele possui dentro de si a mais poderosa besta de cauda (um tipo de espírito primordial), e capacidade energética para controlá-la. Foi treinado por alunos e pessoas próximas a seu pai, todos grandes ninjas reconhecidos. Ou seja, não haveria como sair deste caminho: ele seria grande quase que por osmose.

O próprio anime anula essa hipótese: Naruto foi rejeitado pela vila, por trazer dentro de si o ser que quase a destruiu. Ele mesmo não tinha muita habilidade e esperteza como seu pai, sendo subestimado constantemente, seja por conhecidos, seja por inimigos. Apenas ser o filho do Quarto Hokage não lhe deu nenhuma vantagem, já que o assunto era proibido de ser comentado.

A segunda hipótese é a que explica o real sentido de protagonismo: a pessoa que assumiu a vida nas próprias mãos e deu seu melhor, destacando-se por um mérito real e reconhecido por todos. No final das contas, Naruto sofreu (e superou) mais revezes do que muitos no anime: sozinho e rejeitado, teve apenas ele mesmo (e seu "bichinho de estimação" raivoso) para superar seus problemas e alcançar seu sonho de ser o líder de sua vida.

Ou seja, não foi o protagonismo que o fez conquistar o que desejava, mas ele tornou-se protagonista por conta de sua superação e de sua determinação. A história leva seu nome porque ele é importante, não por quererem "dar destaque". E é um personagem tão marcante que algumas pessoas ressentem-se dele profundamente, mesmo não sendo uma história "real". Note que a maior parte dos fãs do anime não tem Naruto como seu personagem favorito, preferindo, na maior parte das vezes, vilões ou antagonistas.

terça-feira, 22 de junho de 2021

O perigo do empoderamento feminino

Já comentei sobre empoderamento em outro post, mas acho que ficou um pouco solto. Então vamos pegar como exemplo o conhecido empoderamento feminino, a ideia de dar à mulher um suposto poder que ela supostamente não tem e assim ter uma vida melhor. Esse resumo singelo expõe a completa inutilidade de tal coisa: ajudar uma mulher a desenvolver a autoconfiança não é empoderamento, pelo menos não no atual sentido da palavra.

Tanto homens quanto mulheres precisam desenvolver o amor-próprio e a autoconfiança ao longo da vida, perante situações adversas e desfavoráveis, principalmente no atual momento. Ambos, amor-próprio e autoconfiança, baseiam-se na responsabilidade que a pessoa tem perante as próprias atitudes e escolhas, dando-lhe liberdade para trilhar o próprio caminho. O que não acontece com o empoderamento atual.

O tal do empoderamento baseia-se no erro do outro: a situação de uma pessoa é ruim porque outra pessoa o causa. Mulheres, então, sofreriam porque os homens as fazem sofrer; logo, deve-se combater os homens para superar este sofrimento, tornando leves divergências graves conflitos a serem vencidos, mas onde ambos saem perdendo.

Cria-se, então, não um espírito competitivo saudável, de buscar o melhor sempre, aprender com os erros e, principalmente, a trabalhar em equipe, mas um espírito orgulhoso, onde vencer a qualquer custo importa, mesmo que isso custe coisas realmente importantes, pois haveria algo transcendente nisso, e que outras pessoas seriam beneficiadas com tal atitude.

O empoderamento feminino deixa de lado o principal: a própria mulher. Esta não pode fazer suas escolhas, tomar as próprias atitudes, sem passar pelo tal crivo do empoderamento, pois qualquer coisa considerada "submissa" ao homem deve ser excluída sumariamente, forçando-o a concordar com a mulher mesmo ela estando errada.

Troca-se a submissão imaginária por uma submissão real mas invisível: não se comenta sobre a submissão do homem perante a mulher, ou isso é visto de forma positiva. Se houve, em algum momento, submissão feminina ao longo da História, inverter a polaridade não resolverá a situação, e não fará ninguém feliz.

No final das contas, as pessoas tendem a se isolar, pois não conseguem aceitar a opinião do outro, a visão de mundo do outro, às vezes nem mesmo a polidez alheia. Pessoas assim desunidas tornam-se vulneráveis a quaisquer pessoas ou grupos que queiram tomar o poder, pois resistências isoladas são bem mais fáceis de serem neutralizadas.

terça-feira, 15 de junho de 2021

O tal Novo Normal

Mais cedo ou mais tarde falaria sobre isso aqui. O assunto do momento é o novo padrão de normalidade existente por conta da pandemia. No entanto, esse "padrão de normalidade" apenas veio à tona: já existia há décadas, programado de forma sutil na mente das pessoas para pensarem e agirem desta forma, sem perceber os danos que isso causa.

No livro Ponerologia, o autor comenta sobre a paramoralidade, que seria um padrão moral doentio que toma conta de uma sociedade inteira, distorcendo conceitos morais básicos. É o que acontece hoje em dia: o novo normal se baseia numa moralidade doente. Ser honesto é necessário para que todos possam dar seu melhor e viver bem. Contudo, é algo complexo, sobretudo por envolver os interesses próprios de cada pessoa.

Ser honesto com o outro é necessário para que o outro seja honesto conosco, e ser punido por sua desonestidade. A atual paramoralidade relativiza esse conceito, tanto com a desonestidade aberta quanto com a condenação de supostas desonestidades - inócuas se forem analisados os casos concretos. "O importante é levar vantagem sempre" chega ao nível de se perder algo bom apenas para ver alguém também perder.

Repare que esta desonestidade é argumentada de forma intensa, apesar de não possuir base lógica nenhuma. Não adiantam argumentos lógicos: o outro simplesmente refuta por refutar. Não é mais questão de racionalidade: é questão da boa e velha subjetividade, onde se leva em consideração quem fala e não o que se fala.

Quando se passa a analisar quem falou ou fez do que a frase ou ato propriamente ditos, perde-se toda a noção de ética e moral: apenas a conveniência passa a importar. Uma pessoa está certa ou errada não por conta de racionalidade, mas se a questão irá gerar ganhos ou perdas a quem está avaliando. É comum proteger corruptos para que haja cumplicidade caso queira cometer algo considerado errado.

Acabou-se a troca de ideias. Você pode argumentar o quanto quiser, ou melhor, você deve ter o extremo cuidado, quase paranoico, ao falar com as pessoas, pois o que é dito pode gerar revezes nos quais outros não se importarão com sua situação, nem se a punição é proporcional ao que foi dito - afinal, pensa-se nas vantagens ganhas pelo ofendido e em estar, um dia, em seu lugar.

Aliás, a noção de vítima também mudou. Não é mais aquela pessoa ofendida que busca desagravo de sua situação, mas uma pessoa que busca tirar proveito de sua situação para ascender socialmente, de preferência destruindo a vida do suposto agressor, já que muitas vezes nem problema houve, mas "cava-se" qualquer coisa, dentro dos novos padrões de moralidade, para exigir retratação.

Enfim, perceba, o quanto antes, que este "novo normal" irá destruir a sociedade a partir da mente de cada indivíduo, mas não pense que haverá um caos de pessoas enlouquecidas na rua: tudo parecerá normal, organizado, tranquilo até. Entretanto, haverá a sensação de que algo não está certo, de que há algo "fora do lugar": com sorte, perceberá que as mentes foram totalmente dominadas em um novo padrão de pensamento, sem possibilidade de escapatória.

terça-feira, 8 de junho de 2021

A ilusão do direito de defesa

Depois de ouvir tantas reclamações de acusações injustas nas redes sociais, e analisando que as "contestações" que as plataformas recebem de nada resultam, e percebendo que isso ocorre em outras esferas da vida cotidiana, cheguei à conclusão de que o famoso "direito à ampla defesa e contraditório" tornou-se mera ilusão, algo da boca pra fora apenas para dizer que "a outra parte foi ouvida".

Preste atenção: as redes sociais "julgam" a torto e a direito. Todas as suas postagens não passam mais pelos crivos do absurdo (como crimes) mas pelos crivos ideológicos. Discordar de um grupo tornou-se o mesmo que desrespeitá-lo, ainda que não haja nenhuma ofensa propriamente dita. Pode-se até clicar no "discordo de sua decisão" ou "apresentar contestação": por mais que você escreva, e até apresente provas de sua argumentação, no final das contas, é como se aquilo fosse parar em um limbo e a decisão permanece a mesma.

Mesmo sem expor, as redes sociais acabam por obrigar seus participantes não só a dizer sobre o que elas querem, mas do jeito que elas querem. Você não precisa mais ser banido ou bloqueado: basta retirarem o alcance de suas postagens, chegando ao cúmulo de pessoas próximas terem que acessar seu conteúdo diretamente todos os dias. Esse tipo de coisa não existe com o feed de blog, mas isso é assunto para outro post.

O problema é quando esse tipo de postura sai da esfera virtual e passa a estar presente no cotidiano das pessoas. Reclamar de um produto ou serviço, ou mesmo de uma empresa, pode tornar-se uma celeuma por nada e ainda ter que ouvir o famoso "mas você está brigando só por isso?". Parece que o óbvio e o verdadeiro tornaram-se impropérios que proferi-los é um crime gravíssimo.

Lendo um livro incoerente, mas de grande sucesso, a autora parte da premissa de que é necessário dialogar com o contrário, entender seu ponto de vista, com exceção de determinadas pessoas, pois o que elas defendem é intolerável. No entanto, esta exceção nada mais é que a própria regra: pessoas que discordam da autora, tendo opiniões diversas das que ela defende, sem nada de ofensivo.

No final das contas, são pessoas que querem ser ouvidas a qualquer custo, mas se recusam a ouvir, principalmente quando vai além de sua própria visão de mundo. Tentam blindar-se em bolhas, sobretudo nas digitais, e buscam impedir aqueles que tentam navegar por elas. E talvez aquele verso de Fernando Pessoa que se tornou clichê faça todo o sentido: "navegar é preciso".

terça-feira, 1 de junho de 2021

Correlações Culturais

Esse é comentário de um trecho do capítulo cinco do Power vs. Force que acabei deixando de lado, achando que escreveria mais sobre. Revisei esse trecho baseado nos outros capítulos da própria obra.

Cerca de 84% da população mundial encontra-se abaixo do nível 200 de consciência, tanto é que a maior parte dos problemas da humanidade são reflexos deste baixo nível. Cerca de 8% da humanidade encontra-se acima de 400 (Razão), e 4% da população mundial está acima de 500 (Amor). Pouquíssimas estariam acima de 600 - à época da publicação da 1ª edição do livro, apenas 12 pessoas encontravam-se nesta faixa.

Se formos relacionar os níveis de consciência aos padrões sociais, abaixo de 200 estariam as sociedades primitivas, sendo que nas mais baixas estariam as sociedades nômades e primitivas. Na faixa do nível 200, começa a surgir uma estrutura semi-nômade, com um trabalho mais especializado. Já próximo a 300, surge o sedentarismo e o comércio.

Nos níveis acima de 300, o trabalho especializa-se e o ensino secundário torna-se comum. Conforme sobe-se a escala, a sociedade torna-se mais flexível, e o diálogo social amplia-se.

Em 400, surge a intelectualidade, a alta literatura, as classes profissionais, executivos e cientistas. Existe o interesse em formação intelectual, e surge a consciência política. Os empreendimentos buscam o bem-estar de toda a população, apesar de este não ser a força motriz da sociedade. Se há um salto no nível 200, outro maior existe em 500.

Sobrevivência sempre será o fator fundamental da sociedade, mas o Amor começa a tornar a vida mais colorida. Em 500 o altruísmo torna-se fator motivador, e a excelência faz parte do esforço humano. Este ambiente eleva o nível de consciência de uma sociedade por conta própria, assim como pessoas neste nível de consciência.

Conforme progride nos 500, as experiências espirituais tornam-se profundas, e surgem líderes inspiradores, cujo exemplo serve para todos.

Não se comenta sobre qual modelo político, nem sobre modelos econômicos. Isso é comentado no True vs. Falsehood, que calibra governos ao longo da História e analisa os partidos políticos americanos. Assim como a obra de Marx é calibrada em 130, os governos que seguiram suas ideias também são calibrados em níveis baixos - sobretudo quando há uma radicalização e se busca impor pela força e censura.

Por outro lado, o documento com maior calibragem é a Declaração de Independência dos Estados Unidos, calibrada em 700, por deixar claro que o objetivo da independência era permitir as liberdades fundamentais às pessoas, mesmo após tentativas de negociação com a Coroa britânica. Esta busca por valores elevados foi o que permitiu a supremacia norte-americana por décadas, levando a mensagem de liberdade e felicidade ao mundo.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Corrupção cultural

Parece que os últimos tempos expôs uma das consequências mais graves do jeitinho brasileiro: a cultura de corrupção que existe na sociedade brasileira. Corrupção é algo tão inerente à sociedade brasileira que ser honesto tornou-se algo tão ruim que falar a verdade tornou-se algo ofensivo. Repare que, mesmo com fatos, a verdade é suprimida dos meios de comunicação, e mesmo do meio cultural.

O Brasil é um país burocrático por natureza. Há tantas regras para "evitar-se trambiques" que só através de trambiques é possível cumpri-las - como foi a União Soviética em seu apogeu. Em tempos de crise, a busca por dinheiro torna-se obsessiva a ponto da moralidade e da racionalidade serem atropeladas para "se dar bem". E essas são atropeladas de forma tal que é praticamente impossível apelar a elas para se trazer a ordem de volta.

A corrupção não está apenas na política, distante. Ela está em cada pessoa, em cada atitude que busca levar vantagem prejudicando abertamente outras pessoas - inclusive quando a pessoa critica supostos "jeitinhos" para eximir-se de sua própria culpa. Aprender a reconhecer os próprios erros e os danos reais destes é doloroso, mas é a partir daí que se pode pensar em uma mudança verdadeira.

Quanto àqueles que continuam a aproveitar-se da boa vontade alheia e a sugar a honestidade ainda existente, cabe combater o bom combate, de forma racional e honesta. Trapaças caem perante a verdade dos fatos e da exposição dos reais danos de um problema. No entanto, é necessário ter força (o que o Hawkins chama de poder) pois quem vive disso sabe se defender e atacar qualquer um que lhe tire a facilidade dolorosa.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Liberdade e escolhas

Este post será mais objetivo que os outros que escrevi sobre liberdade, pois antes de se refletir sobre a Liberdade em seu sentido mais profundo, pensando na própria existência, é necessário refletir sobre a liberdade cotidiana de poder falar, de poder escolher, de poder pensar. Percebo que há uma busca sutil, mas incessante, de se destruir toda e qualquer fonte de felicidade verdadeira, e a liberdade é uma dessas fontes.

Liberdade, no seu sentido prático, é o que permite que a vida seja vivida. Não há vida sem liberdade, por menor que esta seja. Achar que é possível viver sem liberdade é totalmente insano: a pessoa torna-se marionete de outrem, tudo torna-se falso, fingido. O grande ponto da vida é poder decidir, poder tomar a iniciativa por conta própria, algo que as pessoas têm aberto mão deliberadamente, sem perceber.

Enquanto o conceito de liberdade não for associado ao da própria vida, as pessoas abrirão mão de sua liberdade em nome de uma segurança ilusória, na maioria das vezes sem ter ideia do que está fazendo. A vida é feita de escolhas, e você é responsável por elas, sejam boas ou ruins. Por isso é tão confortável ceder a quaisquer pessoas que queiram controlar.

Obviamente, liberdade irrestrita é danosa como a ausência de liberdade, mas usam aquela como argumento para promover esta - repare bem isso. Liberdade de expressão é limitada no ponto em que o que é dito é considerado ofensivo a outra pessoa. Só que há uma diferença entre "ofensivo" e "danoso", sendo que na maioria das vezes, o "ofensivo" apenas causa danos à vaidade da pessoa. Limitar a expressão pelo "ofensivo" torna qualquer coisa dita passível de ser censurada.

Pode-se pensar que esse é um conceito subjetivo, mas não é. O que ocorre é que poucas pessoas ainda possuem um pensamento verdadeiramente racional intacto, e a maioria deixa-se levar pelos sentimentos e pelas paixões. Com isso, pessoas mal intencionadas propagam a ideia de que a "expressão deve ser limitada", mas a quê não explicam. Isso lembra o livro 1984 e o léxico sendo reduzido constantemente, para evitar que as pessoas pensassem, e assim evitar resistências ao regime.

Por mais que as escolhas sejam limitadas, as pessoas ainda devem decidir por si mesmas - e responder por tais escolhas. Apenas poucos sabem o que é melhor para os outros, e por realmente saberem, não interferem nas escolhas alheias: não lhes cabe ficar dando pitaco no livre-arbítrio alheio, somente se solicitado - e mesmo assim com reservas.

Só se percebe a importância da liberdade quando esta é perdida, e para encontrar a verdadeira Liberdade que comentei no outro post, é necessário conhecer muito bem a primeira. Desconhecer a liberdade básica da vida cotidiana é viver em um pesadelo disfarçado de sonho: algo está muito errado, mas como não se conhece outra alternativa, conforma-se com o que é oferecido.

terça-feira, 11 de maio de 2021

A Era do Palpite


A situação atual abriu precedente para as pessoas no geral darem palpite na vida alheia de forma cada vez mais invasiva, como se fossem evoluídas a ponto de saber o que é melhor para os outros. Curioso é que quanto mais se progride nos níveis de consciência, mais se respeita as "más" escolhas alheias - afinal, todos têm o direito de errar. Infelizmente, o limite para esse tipo de invasão foi rompido e não percebem o quão perigoso isso é.

É normal, e até saudável, dar sua opinião para outra pessoa - principalmente quando solicitado. A visão que outra pessoa possui de sua situação geralmente abarca ângulos não visíveis para nós. Pode-se então pensar em pais e professores nos processos de educação e de formação intelectual: visões de mundo são apresentadas para ampliarmos nossos horizontes e nos tornarmos pessoas melhores.

Sempre se buscou (pelo menos até certo ponto) respeitar o limite do outro, a famosa individualidade. O fato de como uma pessoa pinta o cabelo ou usa uma meia de cada cor não significa absolutamente nada, mesmo gerando os famosos preconceitos - sobre os quais ainda há muitos posts por fazer. No entanto, sempre houve a vontade de se ditar o que o outro deve fazer, mesmo nas coisas mais banais.

Deve haver um claro discernimento de quando intervir ou não, pois realmente há casos nos quais uma boa conversa é necessário - justamente os casos em que os palpiteiros não querem dar palpite (para ver o outro ter problemas, talvez). Quando algo pode afetar sua saúde, e mesmo sua sanidade, é necessário chegar, conversar, entender e agir.

O problema está sendo quando não é algo de grande monta a afetar o palpiteiro, mas a sensação de "dever cívico" criada por uma situação que fornece todo um suporte para a pessoa falar sem ao menos entender a realidade da própria vida - quanto mais a do outro. Talvez neste contexto a expressão "os incomodados que se mudem" poderia ser uma boa resposta.

É o apoio que os tiranos apreciam, pois a força de repressão pode ser direcionada em casos mais drásticos, enquanto que a própria população ocupa-se em "regular" a vida alheia. Tiranias apenas duram porque as pessoas que vivem nelas buscam uma forma de tirar vantagem, mesmo que para isso precisem prejudicar sem quaisquer justificativas.

terça-feira, 4 de maio de 2021

Como sobreviver em tempos difíceis parte 4

Seria burrice de minha parte esquecer de um ponto tão importante: o humor. Note que quando a situação começa a ficar triste, uma das primeiras coisas a ser "caçada" é o humor. Tudo fica ofensivo: de uma piada a um gracejo. Já falei aqui no blog que o politicamente correto é um veneno disfarçado de coisa boa, pois as pessoas tentam ser respeitosas, mas são criadas cada vez mais exigências para "ser educado".

Não deixe de rir, nunca. Tire graça da situação, sobretudo das mais absurdas. Da música "Ria do Fantasma" de My Little Pony ao feitiço "Riddikulus" da série de livros Harry Potter, rir do que quer se impor sobre nós através do medo é algo temido por aqueles que tentam amedrontar. Por isso distorcem tanto o conceito de humor, transformam em algo militante, imbecil, tiram a graça do negócio.

Perceba o quanto as coisas engraçadas tornaram-se "ofensivas": fobia disso, fobia daquilo, intolerância, discurso de ódio... Apenas sobre determinados assuntos, e de algumas formas apenas, você pode fazer graça - nem de longe isso é humor. Você pode pensar que há certas coisas realmente ofensivas, e não vou discordar.

No entanto, deve-se reaprender a discernir o que é ofensivo do que não é, e do que precisa ser realmente ofensivo... Rir do fantasma é necessário, mas o "fantasma" se ofende. Criaram fantasmas dos quais "devemos rir", mas nos proibiram de rir dos fantasmas reais. Se eu estava procurando há alguns anos o limite da zueira, eu finalmente o achei: quando sai da ofensa necessária e vai para a ofensa gratuita e desnecessária, e isso pede uma reflexão mais acurada.

Estão pintando esta ofensa gratuita como humor se for feita para determinadas pessoas, e considerando isso como o único tipo de humor válido. Pensando no que já foi escrito neste post, há muito mais, e melhores, formas de humor e troça possíveis, disponíveis, e saudáveis. Parar de rir dá uma sensação de endurecimento, como se a pessoa estivesse enferrujada, e quando se volta a dar risada, é como se as coisas voltassem a fluir normalmente.

terça-feira, 27 de abril de 2021

Como sobreviver em tempos difíceis parte 3

Acho que essa série de posts vai se estender um pouco mais. As ideias vêm em minha cabeça, baseado no que eu já escrevi aqui, seja sobre Reiki, sobre o livro Power vs. Force, as resenhas diversas e algumas reflexões. Vive-se uma guerra mental, para a qual ninguém está preparado e todos foram muito bem anestesiados sobre. Deve-se aprender como funciona a mente para utilizá-la ao seu favor, enquanto bombas mentais explodem por todos os lados.

Uma coisa que não comentei ainda é sobre empatia. Falei sobre respeitar as pessoas e ser gentil, isso é importante para desenvolver a própria serenidade e cuidar de si mesmo. Contudo, buscar entender a dificuldade que o outro passa pode não só ajudar a nós mesmos como também ajudar o outro a se entender.

Nessas épocas de dificuldade, cultivar a compaixão é fundamental, mas não se iluda: há pessoas mal intencionadas que se aproveitam da situação para não só tirar vantagem, mas para prejudicar deliberadamente outras pessoas, podendo estar, inclusive, ligadas à manutenção da situação, o que deve ser combatido, como falei na primeira parte.

Não abaixar a cabeça a absurdos é ter compaixão por aqueles que não podem fazê-lo, pelo motivo que for. O próprio silêncio abre espaço para que absurdos cresçam desproporcionalmente. Note que falar a verdade tornou-se tabu, com as piores desculpas possíveis: grosseria, falta de provas (mesmo quando estas abundam), sentir-se ofendido, entre outras baboseiras.

A verdade sempre deverá prevalecer, mesmo que lhe cause prejuízos - essa é a famosa integridade. Note que aqueles que tentam relativizar a verdade são aqueles que sempre tentam levar vantagem sobre as pessoas prejudicando-as - o que é totalmente diferente de você aproveitar uma situação para aprender e crescer.

A tríade platônica, no final das contas, pode servir de bússola para se orientar em tempos difíceis: o bom, o belo e o verdadeiro. O bom sempre será belo e verdadeiro, assim como o belo é bom e verdadeiro, e a verdade é boa e bela. Esses conceitos não são relativos, mas possuem tantos detalhes que podem tornar a regra confusa.

E como já deu para perceber, o contato com os clássicos é fundamental nesse período sombrio, nas mais diversas vertentes: música, filosofia, literatura, etc. Lembrando que os clássicos não são apenas obras antigas, mas são obras perenes: muitas obras antigas não deveriam ter a relevância que lhe atribuem, assim como muitas obras atuais são esquecidas por não terem "envelhecido o suficiente".

A característica principal de um clássico é a sua simplicidade: ele é feito para todos, de qualquer lugar e de qualquer época. São fáceis de serem entendidos, como uma música, uma pintura ou um livro. E quanto mais obras são absorvidas, mais fáceis outras se tornam de absorver. Fora que o contato com obras elevadas eleva o nível de consciência da pessoa.

terça-feira, 20 de abril de 2021

Como sobreviver em tempos difíceis parte 2

Achei que daria para escrever tudo em apenas um post, mas como o anterior alongou-se de forma inesperada, irei continuar minhas sugestões em outro post, agora com a dúvida se vou conseguir esgotar o assunto em apenas duas postagens. Fora que seria interessante detalhar algumas coisas do que estou sugerindo aqui, o que requer posts extras.

Não pense que me esqueci da religião - é que, em um primeiro momento, pensei em coisas mais práticas, mais cotidianas, e, infelizmente, falar de religião virou algo complexo. Na maioria das vezes, a experiência com o divino diverge da dogmática da instituição religiosa. A coisa fica mais complexa quando se está falando de uma época em que as coisas estão mais turvas do que o normal, e discernir uma real experiência da mera viagem na maionese torna-se um trabalho hercúleo.

É complicado falar sobre experiências religiosas válidas em uma época em que até os religiosos estão corrompendo as pessoas, deliberadamente ou não. Talvez isso explique por que eu não tenha falado disso antes. Isso requer uma reflexão maior por parte do leitor, o que não caberia em um post, seja pelo tamanho, seja pela polêmica.

Assim como falar sobre trabalho. Além de estar mais difícil arranjar um emprego, está mais difícil manter-se em um - com a impressão de que há uma ação deliberada para um desemprego em massa e uma crise econômica forçada. Continuar se esforçando, dar o melhor sempre, no máximo de circunstâncias possíveis - já que nem todas são possíveis - é uma sugestão quase óbvia também, se não fosse a observação de que, pelas circunstâncias já citadas, parece haver um movimento para enlouquecer as pessoas.

Começaram a aparecer dificuldades em lugares antes inexistentes, gerando uma sobrecarga de obrigações que tiram não só o tempo para pensar, mas a disposição para tal. Parar para pensar é necessário, mais do que nunca: refletir sobre os fatos, sobre o que deve ser feito, não se deixar levar pelo desespero. Sempre haverá uma saída, mas é necessário vê-la, senti-la.

Manter contato com pessoas queridas pode ser uma boa alternativa, se estas pessoas realmente lhe fazem bem. Notei que atualmente as pessoas se afastaram mais do convívio, não apenas pelas dificuldades, mas pela conveniência, o que pode ser útil para conhecer (de verdade) as pessoas que o rodeiam.

Sempre aproveite as circunstâncias ao seu favor. Cada situação difícil pode ser revertida em algo de útil e proveitoso, além do aprendizado. Não se sabe quando e o quanto as coisas vão piorar (mais ainda), ou mesmo se elas irão melhorar. Não adianta bater o pé e querer voltar no tempo, quando as coisas não eram tão ruins assim.

Por outro lado, todo desabafo é válido e necessário. Há horas em que só é necessário por pra fora, sem esquecer que há hora pra começar e hora pra terminar o desabafo: pode ser que haja um período de luto, mas este não deve ser estendido. Chore o que achar necessário, fique com a cara pra baixo o tempo que achar suficiente, mas isso precisa terminar e você precisa seguir em frente.

terça-feira, 13 de abril de 2021

Como sobreviver em tempos difíceis

Talvez eu possa fazer mais de um post sobre este assunto, talvez não, mas acho ser necessário escrever sobre, afinal é relativamente fácil escrever sobre os tempos sombrios em que nós vivemos, mas é difícil explicar como sobreviver a eles sem perder a sanidade. Percebo que algumas pessoas já se perderam e não têm consciência disso - pior, querem te enlouquecer também.

Basicamente, o ideal é se evitar fontes ruins e se aproximar de fontes boas, nos mais diversos aspectos. No entanto, como eu disse em outro post, a primeira situação é difícil, e mais difícil ainda é distinguir o que é realmente bom do que é realmente ruim. Inoculam padrões baixos de consciência nas coisas mais simples e mais corriqueiras.

Talvez a primeira, e mais simples, sugestão mais simples que eu dê aqui é de evitar as músicas da moda. Se não todas, a maioria delas, geralmente as que estão "na boca do povo". Suas letras remetem não a frivolidades, mas a coisas realmente ruins: inveja, deslealdade, orgulho. Andar com fones de ouvido na rua não é "frescura", mas se tornou um fator de sobrevivência.

Não vou falar aqui "ouça apenas música clássica", como alguns pensam com enfastio, mas não deixa de ser verdade: este tipo de música realmente é capaz de elevar a consciência e trazer paz ao coração. Músicas instrumentais no geral são boas alternativas, assim como as standards (aqui no Brasil conhecidas como "românticas"). Algumas trilhas sonoras de videogames podem se encaixar nesta categoria, sobretudo se a história do jogo for edificante.

Evitar pessoas tóxicas, minha segunda sugestão, não significa afastar-se delas, afinal podem ser pessoas importantes para sua vida. Converse o mínimo necessário, não concorde com o que ela diz logo de cara ("ah, eu não sabia disso, vou pesquisar mais sobre, obrigado"), nunca deixe de ser educado e respeitoso. E deixe seu limite bem claro.

Por falar de educação e respeito, por conta destes tempos, as pessoas têm sido muito grossas. Ser gentil (até para observar, é o quinto princípio do Reiki) não fará com que o outro o seja, mas lhe trará serenidade nestes tempos difíceis para lidar com as situações. Não há motivo para não ser gentil, o que não significa, de jeito nenhum, abaixar a cabeça perante absurdos. Absurdos devem ser combatidos dentro do que for possível, e você entendeu o que eu quis dizer.

Acredito que a maior parte da mídia hoje em dia esteja mais preocupada em enlouquecer as pessoas do que informá-las, ou seja, evitar a maior parte dos noticiários não é alienar-se do mundo, mas sim evitar carregar um peso maior do que se pode suportar em matéria de atratores. A maior parte dos noticiários são planejados para dar certo efeito nas pessoas, seja na escolha das matérias, seja na forma como estas são veiculadas.

Buscar meios alternativos de informação virou questão de sobrevivência mental. Ir à fonte da notícia deixou de ser trabalho exclusivo do jornalista para tornar-se atividade corriqueira para se saber o que realmente aconteceu, ou pelo menos para se ter outras versões do ocorrido, e aí sim formar um juízo verdadeiro sobre.

terça-feira, 6 de abril de 2021

Resolução

Finalmente chegamos ao último capítulo do Power vs. Force. Percebam duas coisas importantes: a primeira é que alguns capítulos já foram explicados em outros posts, só que sem especificar quais; a segunda é que vou fazer uma série de posts sobre cada nível de consciência, emendando com uma série de resenhas do livro Transcending the Levels of Consciousness, Transcendendo os Níveis de Consciência, no qual o autor vai descrever cada nível em específico.

Neste capítulo, Hawkins comenta que a ideia do livro era ser um tratado objetivo sobre moralidade para que as pessoas possam tomar decisões relativas às mais altas condutas de vida - a maior parte dos problemas de hoje em dia derivam da falta de diretrizes para tomar decisões. Absorver o conhecimento deste livro eleva, em média, 35 pontos da consciência do leitor.

Da década de 1980 até 2012, o nível de consciência médio da humanidade saltou de 190 para 204. Como eu já tinha comentado anteriormente, não acredito que tenha se dado pelo aumento do nível de consciência de um grande número de pessoas, mas a evolução de quem já estava em um nível mais elevado.

Uma recomendação que Hawkins dá neste capítulo é a de evitar o contato com coisas e pessoas calibradas abaixo de 200: praticamente tudo que nos rodeia. Um momento de afastamento para "desintoxicar" pode ser de grande ajuda, mas aprender a lidar com níveis inferiores é melhor ainda: é como uma vacina contra dissabores futuros, como o Efeito Matrix.

Não acredito ser possível aprender a discernir o verdadeiro do falso apenas evitando este. Como já escrevi em alguns posts sobre meditação, e assim como a meditação só é realmente efetiva quando você consegue levar este estado de tranquilidade mental para o cotidiano, você só consegue neutralizar de forma efetiva a falsidade quando aprende a lidar com ela.

Obviamente não estou dizendo para manter os mesmos hábitos e achar que vai conseguir mudar alguma coisa. É uma via de mão dupla: você troca seus hábitos negativos por hábitos positivos e melhora sua consciência, e conforme sua consciência evolui, os hábitos negativos são deixados de lado de forma natural e permanente.

Não é possível defender-se intelectualmente os campos atratores baixos. A partir do amor e da oração é possível desembaraçar-se desses campos, a salvação está dentro de cada pessoa. Superar o ego não é suprimi-lo, mas trabalhá-lo, transcendê-lo. Ele é a fonte do sofrimento por querer manter as coisas como estão, e além dos paradoxos é possível transcendê-lo. A pessoa pode optar não ser mais escravizado pelas trevas.

terça-feira, 30 de março de 2021

Em Busca da Verdade

No Capítulo 23, o penúltimo do livro Power vs. Force, é analisado o nível de consciência das principais religiões do mundo. Antes de começar a resenhar o capítulo, é necessário um esclarecimento: apesar de estarmos nos últimos capítulos do livro, este ainda possui três apêndices (A, B e C), um glossário e notas sobre o autor, biográficas e autobiográficas - não pretendo me estender sobre elas.

O estudo de Hawkins sobre religião deixa clara a diferença entre a instituição religiosa e a fé. Religiões que se "politizaram" tiveram grande queda no nível de consciência, surgindo ramos "religiosos" calibrados abaixo de 200. Religiões mais "espiritualizadas" tiveram uma queda menor. A queda se dá pela má interpretação do ensinamento religioso, ou a distorção deste ensinamento por conta de interesses mundanos.

Para pessoas em níveis mais baixos, a verdadeira experiência espiritual não passa de boatos ou, pior, de coisas malignas. As seitas fundamentalistas estão calibradas no mesmo nível que os grupos criminosos. Estas seitas proliferam-se porque as pessoas não têm critérios para distinguir o verdadeiro do falso: estes grupos acabam por prosperar dentro das grandes religiões, distorcendo ensinamentos e subvertendo suas intenções.

Aliás, as seitas não precisam ser religiosas, sendo o comunismo um grande exemplo - apesar de não ser este usado no livro. Não irei pegar o exemplo do Hawkins, mas ambos são praticamente iguais: antirreligiões que se baseiam em antidivindades, com grande poder destrutivo. Ambos espalharam suas armadilhas pelo meio cultural, sendo populares entre os jovens, gerando campos atratores principalmente pela música.

Estes campos destrutivos são patogênicos, gerando pontos de acupuntura "explodidos" e dessincronização dos hemisférios cerebrais. A pessoa fica em transe contínuo no qual é suscetível à sugestão violenta, propensas a destruições irracionais sem saber o motivo - sugestões pós-hipnóticas e inconscientes que persistem.

O corpo fica fraco, podendo haver uma inversão da resposta cinesiológica: ao invés de responder fraco à calibragem, o corpo responde forte, e vice-versa, tamanha intensidade de energia negativa, gerando subserviência além das forças de sua compreensão e danos permanentes ao organismo. Uma sociedade hipocritamente puritana encoraja uma constante sedução de perversão. Esta programação negativa atinge jovens e adultos, causando transtornos ao sistema de acupuntura.

O "certo" e o "errado" existe apenas em níveis de consciência mais baixos. O discernimento deve substituir o moralismo, que se torna insignificante no nível 500 e irrelevante em 600. A razão nunca forneceu ao homem uma moral sólida, levando do caos da ignorância a um labirinto intelectual igualmente desconcertante.

Como falei anteriormente, Hawkins afirma que o poder dos 15% acima dos 200 contrabalança o restante da população abaixo de 200, assim como um avatar de nível 1000 contrabalança a negatividade da humanidade inteira. Hawkins também fala das proporções de equilíbrio das pessoas em virtude de seus níveis de consciência:

  • um iluminado (nível 700) contrabalança 70 milhões de pessoas abaixo de 200;
  • uma pessoa no nível da Paz (600) contrabalança 10 milhões;
  • uma pessoa no nível do Amor (500) contrabalança 750 mil;
  • uma pessoa no nível da Razão (400) contrabalança 400 mil;
  • uma pessoa chegando à Disposição (300), contrabalança 90 mil.
  • Por fim, 12 indivíduos iluminados correspondem a um avatar de nível 1000. Se não fosse esse equilíbrio, a humanidade haveria se extinguido em sua própria negatividade.

Deve-se considerar, no entanto, as pessoas que possuem calibragem negativa, como dito anteriormente no post, e mesmo o que eu já comentei no blog. Pessoas de consciência negativa acabam por gerar mais problemas à humanidade do que pessoas pouco evoluídas.

A verdade, do ponto de vista social e comportamental, é um conjunto de princípios pelos quais as pessoas vivem, independente do que possam dizer que acreditam. Já a Verdade deriva sua validade das fontes últimas além da influência de qualquer campo de percepção localizado. Não representa personalidade nem opinião, e não varia com a condição do sujeito ou ambiente de teste.

A ignorância é dissipada na luz, a desonestidade não resiste à verdade. Assumir a responsabilidade pela verdade é elevar-se dos níveis inferiores para 200, o ponto crítico para o Poder e o ponto de partida para os níveis mais elevados. A coragem para enfrentar a Verdade eleva a pessoa para a Aceitação, nível 350. Ao superar a maioria dos problemas sociais do homem, eleva-se a 500, o nível do Amor.

Conhecer a própria fraqueza e as fraquezas humanas dá origem ao perdão e esta à compaixão. A compaixão é a porta para a Graça, para a realização final de quem somos e por que estamos aqui, e a fonte última de toda a existência.

terça-feira, 23 de março de 2021

Esforço Espiritual

Chegamos ao capítulo 22 do livro Power vs. Force. Como falei anteriormente, alguns capítulos já foram resenhados aqui sem referência direta, o que pode parecer confuso - e mesmo alguns tópicos de alguns capítulos. A última parte do livro - Significado - é a parte mais elevada, e a mais complicada, da obra como um todo.

É muito fácil falar dos níveis de consciência - estes serão abordados em postagens individuais para cada um, além dos resumos feitos. Difícil é buscar entender como esse processo se desenrola, tendo em vista que para quem está mais adiantado as coisas fluem com mais facilidade, o que não acontece para quem está começando - ou mesmo para aqueles que nem querem saber disso.

A pura consciência representa o poder infinito e a fonte de energia infinita de toda a existência. Dentro deste potencial, o não-manifesto manifesta-se através dos Grandes Avatares, calibrados em 1000 (limite de consciência neste planeta). Logo abaixo estão os instrutores iluminados que ensinam o caminho para a realização do Eu.

O Ser foi descrito pelos iluminados como infinito, sem forma, imutável, onipresente, não-manifesto-e-manifesto. Estudos sobre isso estão calibrados em 700, ou seja, lê-los pode ajudar a desenvolver a consciência. No nível 600, o pensamento comum cessa, a ilusão da separação desaparece, e surge um estado de Paz além de todo o entendimento, amor infinito e incondicional, além da consciência de que o não-manifesto é uno com o manifesto.

Os estados verdadeiramente espirituais começam em 500 (Amor), sendo aqueles conhecidos como santos calibrados entre 500 e 600. O nível de consciência elevado força o das pessoas em torno a elevar-se também, o que entre pessoas comuns gera desconforto (algo do qual comento continuamente no blog), mas para aqueles que buscam o desenvolvimento espiritual chega a ser angustiante afastar-se de pessoas evoluídas.

A dificuldade no processo evolutivo está em afastar-se de campos de energia inferiores, tão abundantes e partes importantes de nosso cotidiano. Sobretudo para níveis logo acima de 200, é necessário afastar-se de hábitos ligados aos níveis abaixo para poder continuar a se desenvolver. Por outro lado, enquanto a Razão (400) é invejável para quem está em 300, por exemplo, ela torna-se trivial para quem está acima de 500, sobretudo por possuir suas limitações.

Acredito que eu já tenha comentado em outro post que alguns gênios da humanidade "travaram" no nível 499, por não desenvolver a consciência espiritual. A Razão é o segundo grande divisor de águas dos níveis de consciência, o primeiro é a Coragem. Alguns cientistas foram lançados para além da Razão através dos próprios estudos.

O próprio livro Power vs. Force tem por objetivo não só ajudar aqueles a desenvolver sua consciência, mas também para explicar como funciona a mente de quem está além da Razão e da dogmática. São pessoas que não possuem "consciência", mas esta faz parte da vida delas.

terça-feira, 16 de março de 2021

Características da Consciência Pura

Dentro do capítulo 21, onde Hawkins fala sobre os estudos científicos a respeito da consciência, há uma descrição sobre a consciência pura. O capítulo, em resumo, comenta que não há estudos científicos sobre a consciência em si, sendo-a considerada mera função do cérebro, o que acaba por limitar a percepção diante de outras questões, como por exemplo a noção de vida após a morte.

A visão de consciência está ligada ao conceito jungiano de self. Quanto mais limitado este for, menor será seu parâmetro de experiência. Como explicado ao longo do livro, padrões limitados de consciência limitam o campo de experiência humana. Pobreza não é apenas um estado econômico, mas é fruto de uma autoimagem limitada, que gera a escassez de recursos.

É necessário algo maior para experimentar algo menor, como a mente experimenta o corpo. Dessa forma, os pensamentos não pensam por si mesmos - a consciência está além de todos os fenômenos e é fonte da experiência. Os pensamentos fluem pela consciência como os peixes pelo oceano: a existência do oceano é independente do peixe, assim como o conteúdo do mar não define a natureza da água.

A consciência ilumina o objeto - tanto é que toda a literatura a define como luz. Identificar-se com o conteúdo da consciência é apenas uma experiência limitada, enquanto que se identificar com a consciência é saber que o real self é ilimitado - uma condição para a iluminação. Uma característica da pura consciência é a intemporalidade da percepção: a consciência é experimentada além da forma e do tempo e vista em todos os lugares como igualmente presente.

A iluminação é um estado de unidade, onde não há divisão - a experiência da consciência é vista como algo além da mente, um estado de Sabedoria livre de pensamentos, completo, sem necessidade nem desejo, além da limitação de experimentar como algo meramente pessoal e individual.

Outra característica da consciência pura é a cessação do fluxo de pensamentos e sentimentos. Surge, então, uma presença de um poder ilimitado, além de compaixão e amor ilimitados, tornando-se um Self infinito. A consciência como Self é a culminação do processo de eliminar identificações limitadas. A iluminação é rara não pela dificuldade em alcançá-la, mas pela falta de interesse nas pessoas, afinal, quem quer ser iluminado?

terça-feira, 9 de março de 2021

A base de dados da consciência

A última parte do Power vs. Force, Significado, começa no capítulo 19, onde Hawkins faz reflexões mais profundas sobre os campos de consciência. A "base de dados de consciência", chamada assim pelo autor, já foi citada no post sobre empirismo, onde eu comentava sobre as pessoas conseguirem acessar informações de forma "inconsciente", por um processo dedutivo que está mais próximo ao download de conhecimentos diversos para a mente em Matrix do que um exercício de raciocínio.

Nessa base de dados haveria todo o conhecimento descoberto e por descobrir, podendo ser acessado de diversas formas, sendo que todas as pessoas estão ligadas a ele. Se formos pensar na teoria da realidade simulada, em que estaríamos em uma simulação programada exteriormente, faz todo o sentido estarmos ligado aos servidores em que o conhecimento possível de ser executado dentro da simulação estivesse alocado.

O paranormal torna-se possível por considerarmos como uma possibilidade de acesso a essa base de dados de uma forma alternativa. Hawkins lembra que preocupar-se com coisas não racionais faz com que as pessoas tropecem em suas próprias contradições e inconsistências lógicas (ou ilógicas): as constelações são conjuntos de estrelas que estão longínquas entre si, mas que do ponto de vista terrestre parecem estar no mesmo plano.

A causalidade ocorre de forma simultânea, não sequencial como é propagado por aí: a sequência é devido à observação dos fatos. Estes são ligados por uma espécie de campo, como o magnético, que inclui os eventos. Se não fosse a mente de observador, os eventos não seriam conectados. A consciência humana é o agente por onde um conceito inexistente é transformado em experiência manifesta. O que "aconteceu" na consciência de uma pessoa também permanece gravado na base de dados de todos.

As pessoas normais estão preocupadas em transformar o invisível em visível, do campo atrator para o nível sensorial. Alguns indivíduos extraordinários vivem com a mente neste campo atrator, e os que vivem no campo de pura consciência, para Hawkins, são os denominados místicos. Para estes, a origem de tudo é óbvia, e não há interesse em fazer as coisas visíveis, pois para elas já o são. São pessoas que criam coisas novas e transferem o gerenciamento para outras, como nas quatro estações.

Em um nível mais avançado, os místicos acreditam apenas na realidade invisível, e que o que chamamos de "realidade" não passa de "sonho" ou mesmo de uma "ilusão", como na teoria da realidade simulada. Não há o "real" nem o "não-real", mas apenas o que é. Existência sem forma não é fácil de se imaginar, mesmo sendo a realidade final.

A criação é algo contínuo, completo em sua incompletude. Não há uma sequência de fatos, mas um desdobramento de acontecimentos. A fonte de toda a vida e de toda a forma é maior que suas manifestações, e mesmo assim não se diferencia ou está separada. Logo, o tempo é um lugar de percepção de um holograma que já está completo - não há começo ou fim em um holograma. Os paradoxos dissolvem-se em um paradigma que inclui ambos os opostos, em que os opostos apenas são a localização do observador.

O Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, permanece além de ambos, inclui ambos e é uno com ambos. A existência é um estado em que a consciência é consciente de sua consciência e de sua expressão como tal. Só há uma verdade absoluta: todo o resto são semi-fatos gerados dos artifícios da limitada percepção. Em último caso, não existe dualidade ou não-dualidade: existe apenas percepção.

A percepção em si está além da consciência. O Absoluto é desconhecido por estar além do conhecimento, além da própria consciência. Os que relatam este estado de consciência não conseguem descrever, e acaba por não fazer sentido para quem não teve uma experiência neste sentido. Este é o verdadeiro estado de Realidade, que não é possível reconhecer, como uma resolução final da evolução da consciência até o ponto da autotranscendência.

terça-feira, 2 de março de 2021

Bem-Estar e o processo de doença

O capítulo 18 de Power vs. Force é praticamente uma continuação do capítulo anterior. Se antes Hawkins comentou sobre a saúde estar atrelada aos padrões energéticos, neste capítulo Hawkins comenta sobre como os padrões energéticos geram os problemas de saúde, encerrando a parte 2 do livro. Cabe ressaltar que outros capítulos foram tratados em outros posts deste blog, sem referência específica a quais o foram. Isso não significa que os próximos serão tratados individualmente.

Como comentado no post do capítulo anterior, emoções podem gerar problemas de saúde, dependendo a quais padrões atratores estão ligados. No documentário Quem somos nós, pesquisadores afirmam que as pessoas tendem a se viciar em neurotransmissores, buscando situações nas quais haja a liberação dessas substâncias, em especial situações negativas. Isso explicaria porque as pessoas, no geral, acabam por permanecer com os mesmos problemas e situações.

Uma leve variação no padrão energético pode resultar em um salto harmônico e evoluir o padrão inteiro. Com isso há o que é chamado de turbulência: um descontrole emocional temporário até um novo nível de homeostase ser atingido. Já pensamentos de baixo padrão atrator, se constantemente repetidos, manifestam-se em problemas de saúde.

O principal exemplo usado por Hawkins neste capítulo são os Alcoólicos Anônimos, cuja estratégia, criada pelo seu fundador, é justamente mudar por completo os padrões mentais de seus membros, permitindo que evoluam suas consciências e se afastem, em definitivo, do vício em álcool. Cada mudança radical é desorientadora, é necessário suportar o desconforto temporário do crescimento. A recuperação de qualquer doença requer disposição para explorar novos caminhos de busca de si e da vida. Nisso inclui a capacidade de suportar os medos internos quando seus sistemas de crenças forem abalados.

Maldade realmente torna as pessoas doentes. Cada pensamento rancoroso é um ataque à fisiologia do organismo, assim como cada risada o recupera. E cada piada nos lembra que a realidade é transcendente, além dos detalhes do cotidiano. Risada traz aceitação e liberdade, é uma ameaça à força e à intimidação: é difícil oprimir um povo com senso de humor. A falta de humor é sempre acompanhada pelo impulso de dominar e controlar, mesmo que seja com o objetivo de criar prosperidade e paz.

Uma cura só pode ocorrer pelos progressivos passos de elevação do propósito e do abandono da auto-decepção, para atingir uma nova claridade visual. Assim como um acidente é prenunciado por vários "pequenos passos" preparatórios. O processo de doença é evidência de que algo está errado no trabalho da mente - tratá-la apenas como um processo físico não corrige a origem da disfunção, sendo mais paliativa do que curativa.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Saúde Física e Poder

Indo ao capítulo 17 do livro Power vs. Force, Hawkins comenta sobre como os padrões atratores elevados estão ligados à saúde. A motivação de uma pessoa está ligada aos seus princípios, e o efeito desta ligação supera o relativo a causas psicológicas. Logo, quanto mais elevados são os princípios aos quais uma pessoa está alinhada, mais saudável ela é.

No entanto, eu tenho que observar que, dependendo do local onde uma pessoa ligada a altos padrões se encontre, ela pode vir a sofrer problemas de saúde devido ao excesso de caixa de baixo padrão. Como as pessoas no geral recusam-se a crescer e a ligar-se a estes padrões, é criada uma tensão entre um evoluído e massas de involuídos, onde o primeiro também sofre prejuízos.

Claro que uma pessoa evoluída tende a lidar com essa situação de forma mais serena e a se recuperar de forma mais rápida. Contudo, existe a falsa ideia de que uma pessoa evoluída é literalmente imune a qualquer mal que lhe seja dirigido. Não é bem assim: se um "ataque" for de pequena monta, obviamente os efeitos inexistirão. Só que, como a maioria dos "ataques" não são isolados, os efeitos são sentidos.

Voltando ao livro, Hawkins afirma que o sistema nervoso central possui capacidade de distinguir os níveis de padrões ao redor da pessoa. Se altos padrões energéticos geram saúde, baixos padrões geram doenças. Tratamentos energéticos buscam elevar esses padrões alojados no organismo para recuperar a saúde, como quiropraxia, acupuntura e reflexologia.

Para a recuperação de doenças, é necessário mudar o padrão de vida. Sem essa mudança de padrão, o problema certamente retornará. Grupos de autoajuda são prova disso: é necessário a pessoa decidir sinceramente que deseja mudar, e permitir que a mudança aconteça, por mais sofrimento que ela sinta.

Em medicina, é comum falar que o stress pode gerar diversos problemas de saúde. No entanto, a dificuldade está em encontrar a fonte deste stress, que geralmente é o próprio padrão de vida da pessoa. O que ativa o stress não são as situações da vida, mas as reações perante eles, que são baseadas nos princípios nos quais estamos alinhados, o que foi comentado no começo deste post.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Sobrevivendo ao sucesso

No Capítulo 16 do livro Power vs. Force, Hawkins comenta sobre o sucesso, que geralmente é associado a baixos padrões atratores. De forma geral, as pessoas associam sucesso a dinheiro e ao "poder", mais próximo ao conceito de Força do Hawkins do que ao próprio conceito de Poder desenvolvido ao longo do livro. O verdadeiro sucesso não está associado a apenas uma ou poucas realizações, mas a toda uma vida bem sucedida, que beneficia a todos que estão em volta.

A mídia no geral acaba por confundir sucesso com celebridade, sendo que esta acaba por corroer a saúde e o espírito das pessoas - o que explica tantos "famosos" que têm suas carreiras arruinadas, e mesmo suas vidas destruídas. Isso ocorre não por conta de dinheiro, mas por conta de um ego mal cuidado que acaba por se "viciar" na atenção e tratamento dispensados, querendo mais e mais, chegando a absurdos documentados todos os dias.

Hawkins diferencia um "pequeno ego", que seria nossa personalidade ordinária, suscetível a caprichos, e um "grande ego", que na psicanálise é chamado de self, que seria nossa personalidade superior, alinhada a princípios elevados. Pessoalmente, ambos são a mesma coisa: o ego só se eleva se é trabalhado para tal. A pessoa não deixa de ser ela mesma, mas traz à tona quem realmente é. Fazendo um paralelo com Kung Fu Panda 3, um mestre não é aquele que forma um aluno com elementos exclusivamente externos, mas aquele que consegue despertar e trabalhar o melhor de cada aluno.

Sucesso é muito mais uma responsabilidade do que um mérito. Quem o alcança acaba por ter a obrigação de ajudar outras pessoas a alcançarem-no também. Verdadeiras pessoas de sucesso são humildes e veem o fato como uma bênção em suas vidas, um privilégio que gera obrigações e responsabilidades com outras pessoas.

O verdadeiro sucesso pode ser explicado dentro do padrão de causalidade: enquanto que a maioria das pessoas veem como uma ação que gera uma reação, temendo perder o que conseguiu, a causalidade se dá em um campo atrator, no qual a pessoa está imersa, onde as coisas ocorrem simultaneamente. É um padrão de consciência, não apenas uma sequência de pensamentos, que flui como uma corrente elétrica: quanto mais forte ela for, mais forte será o campo e mais influenciará com a sua presença.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Genialidade e Criatividade

Continuando a escrever sobre o Power vs. Force, chegamos ao capítulo 15, sobre a Genialidade e o Poder da Criatividade. Já comentei sobre aqui no blog quando falei sobre empirismo, que, no fundo, nada mais é que uma forma de "baixar" informações pela mente. Informações estas que já existem nos campos atratores, mas que ainda não foram manifestadas na "realidade". O trabalho de pensar torna-se ponte entre o não-manifesto e o manifesto.

Um gênio é aquela pessoa que possui um estilo de consciência caracterizado pela habilidade de acesso a padrões atratores altamente elevados, geralmente associando sua genialidade a uma inspiração divina, que apresenta respostas e conceitos já prontos: grandes gênios da música não planejaram suas grandes obras, mas as tinham completas em suas mentes. Grandes ideias não são conceitualizadas, mas reveladas, de certa forma, como o koan na tradição Zen.

Todas as pessoas têm um potencial genial dentro de si, geralmente expresso por aquelas sacadas inesperadas que surgem em momentos específicos e que acabam por resolver situações mais complexas. Um gênio acaba por ter isso continuamente, em vários aspectos de sua vida, acabando por desenvolver múltiplos talentos. Quando um gênio traz um padrão elevado para o cotidiano, ele eleva a sociedade em que se encontra a um novo nível.

Gênios verdadeiros acabam por ter um estilo de vida excêntrico e uma visão de mundo diferenciada, por conta desse contato com padrões atratores mais elevados. Acontece que a grande maioria dos gênios não é reconhecida, seja por não serem aceitos como pessoas "normais", seja por suas ideias não serem reconhecidas em seu tempo - vindo, na maior parte das vezes, serem reconhecidas apenas postumamente.

Outro motivo pelo qual um verdadeiro gênio não é reconhecido é por nem sempre possuir um alto QI, o famoso quociente de inteligência. Claro que grandes físicos e matemáticos, por exemplo, acabam por precisar desta característica. Outra coisa é que o fluxo de trabalho de um gênio é de grande intensidade em apenas alguns momentos: quando a ideia surge em sua cabeça, o gênio trabalha por horas a fio para aproveitá-la com o máximo de detalhes, para depois aguardar o próximo insight.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Vamos falar sobre meritocracia?

Da série de palavrinhas nas quais seu significado foi distorcido e vulgarizado a tal ponto que se tornou vazio e significando qualquer coisa, geralmente associado a algo negativo. A princípio, meritocracia seria uma sociedade orientada pelo mérito de seus membros: às pessoas estariam reservadas as coisas com base no que fizeram de bom ou importante. Quem geralmente critica, acusa essa linha de pensamento de não pensar nos obstáculos que as pessoas possuem, acabando por não ter seus méritos reconhecidos.

No entanto, a questão não é esta, pois o mérito está baseado justamente em superar os obstáculos impostos pela vida, independente de quais sejam. O problema está em reconhecer o mérito alheio: reconhecer que uma pessoa superou-se e deu seu melhor em tal feito. As pessoas tendem a diminuir seus pares para se valorizarem. Pensando desta forma, a pessoa só reconhece o mérito de si mesma, de ninguém mais.

Ou seja, nem dá para pensar em mérito se não houver maturidade, pois é esta que permite que a pessoa reconheça o potencial e os feitos das pessoas, independente de conveniência. Esta também é um problema, pois são reconhecidos apenas méritos de pessoas dentro de um círculo aceitável. Fora deste círculo, ninguém merece nada - como as panelinhas da escola, da empresa, e de tantos outros lugares. É normal as pessoas se reunirem em grupos para se protegerem.

Sem maturidade, a existência desses grupos torna-se nociva a outros grupos, e a cooperação dentro da sociedade desaparece. Por isso é complicado falar de meritocracia: é complicado pensar além do próprio grupo, ou mesmo além de si mesmo, e reconhecer que há pessoas se esforçando de forma honesta. Afinal, imagine perder algo porque admitiu a superioridade de um concorrente, exige amor-próprio e maturidade - não se desapegar do ego, afinal ele é muito importante.

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Sword Art Online - Alicization é logo ali

Sword Art Online não é um anime bobo, como se pode pensar em um primeiro momento. Apesar de algumas cenas apelativas, a mensagem do anime é muito mais complexa que a da trilogia Matrix, sobretudo as últimas temporadas: Alicization e War of Underworld. A reflexão sobre a realidade simulada atinge níveis extremamente profundos, indo de um jogo virtual para um mundo inteiramente digital.

A maioria das pessoas conhece o anime por conta dos 15 primeiros episódios: um jogo no qual as pessoas ficaram com suas mentes presas, morrendo no "mundo real" caso morressem no "mundo virtual". Para saírem vivas, seria necessário zerar o jogo, o que não foi necessário: Kirito vence não só o chefe final, que estava ao lado dos jogadores o tempo todo, mas vence o sistema desenvolvido por ele: o último chefe a ser derrotado nada mais era que o desenvolvedor do jogo.

Não há como deixar de comparar Kirito a Neo: ambos bugam os sistemas em que se encontram, indo além não só da programação padrão, mas da realidade como um todo. Imagine viver anos preso em uma realidade que não é a sua, mas da qual sua vida depende inteiramente. Enquanto que em Matrix as pessoas não têm noção de que vivem uma simulação, recusando-se a sair, em SAO as pessoas sabem que estão em uma realidade virtual, temerosas de morrer tentando, mas desejando sair vivas assim que possível.

Alicization seria um salto quântico sobre a realidade desenvolvida em SAO. Não há NPC's ou mobs: todos os habitantes são "pessoas digitais", com todos os atributos que as "pessoas reais" têm, como personalidade, raciocínio, sentimentos. O mecanismo de imersão no Underworld, o Soul Translator, é tão diferenciado que a inteligência artificial Yui não consegue entrar, mesmo se tratando da mesma linguagem de programação.

Dentro de Underworld, temos uma sociedade não muito diferente da sociedade atual: pessoas seguindo regras e sendo punidas por quebrá-las. Curiosamente, os pesquisadores acreditavam que as pessoas não descumpriam as regras preconizadas pelo Código de Tabus (que nome sugestivo!), mas ao adentrar em Underworld, a hipocrisia foi revelada: o código não foi criado pela sociedade, mas sim por sua líder espiritual, chamada por alguns de Pontífice, mas autointitulada Administradora, que temia que outro ser se tornasse mais poderoso do que ela e a subjugasse.

No entanto, ela não tinha controle de todo o Underworld, apenas do chamado Império dos Humanos. Fora de suas muralhas, estendia-se o Território Negro, também composto por "pessoas digitais" - mas estas não eram totalmente antropomórficas, como lobisomens e orcs. A barreira que separava ambos os impérios era administrada exteriormente pelos responsáveis do projeto, e programada para cair e desencadear uma guerra total, o Teste de Carga Final.

Esta guerra foi planejada pelos desenvolvedores para avaliar a reação das pessoas e escolher as mais desenvolvidas para ser trazida ao "mundo real". Claro que tudo foge do previsto: um grupo invade a base naval na qual o projeto está sediado e se infiltra no jogo para retirar estas pessoas escolhidas, no caso Alice, que havia conseguido quebrar a limitação das regras (um código inserido no sistema por um programador mal intencionado) e pensar em valores acima das leis.

Não cabe aqui ficar descrevendo a guerra, com seus terrores e absurdos. Kirito, assim como Neo, é decisivo não para vencer a guerra, mas para promover a paz entre ambos os lados, destruindo o verdadeiro vilão. No entanto, o verdadeiro problema estava por vir: as "pessoas reais" não aceitaram a existência de "pessoas digitais", considerando-as secundárias e sem importância. A guerra citada no epílogo, a maior de todas, ocorreu para garantir a existência desses seres.

Enfim, como não pensar que poderíamos estar também vivendo um "teste de carga", submissos a um "código de tabus", vigiados pelos "senadores" e punidos sem direito à defesa? E que tudo seria apenas uma simulação para uma outra realidade? Eu vejo algumas pessoas comentarem sobre realidade como se esta fosse a única e soberana, e qualquer coisa além como um transtorno mental. Isso vai de encontro ao ponto em comum entre Kirito e Neo: a capacidade de focar além do sistema.

O poder de Kirito está na capacidade de ver além do que foi programado, podendo ser possível fazer qualquer coisa, tendo por limite apenas a imaginação. Neo desviar-se de balas e sair voando pela Matrix não é nada comparado a ele ver a programação da vida real e agir sobre ela. A cópia da consciência de Kirito é a única que se reconhece como tal, ao contrário de todas as outras que se autodestruíam ao serem comunicadas de tal.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Desobediência Civil e Rebeldia

Essas duas expressões estão ganhando força ao longo das últimas semanas. Desobediência civil nada mais é que descumprir leis que estariam violando princípios elevados, como a vida, e talvez seja o aspecto mais radical da rebeldia, pois ser rebelde por ser rebelde é algo fácil de ser controlado: o atual público "alternativo" é muito mais manipulável do que pessoas comuns, pensando neste aspecto. No entanto, para se pensar em desobediência civil, é necessário refletir sobre as leis e em que elas se baseiam: usos, costumes e princípios.

Uma legislação se baseia nos usos e costumes de sua população - ou pelo menos deveria se basear. Se ela se baseia em usos e costumes, consequentemente não haveria justificativa para desobedecê-la, mas mesmo assim isso ocorre, por vários motivos. O importante é reconhecer que são os usos e costumes que geram as normas em uma sociedade saudável, normal, e que estas normas deveriam ser de fácil dedução pelos usos e costumes, para que as pessoas as absorvam de forma natural.

Atualmente, parece que ocorre algo anormal: normas que destoam dos costumes, ou que tentam obrigar as pessoas a mudarem para se adaptar, ou mesmo para modificá-los de forma inconsciente, através da dissonância cognitiva. As leis parecem perder o sentido quando desrespeitá-las torna-se comum, sobretudo nas normas mais cotidianas, como o código de trânsito ou as normas do transporte público. Se as pequenas leis são desrespeitadas, como obedecer às grandes?

Deve-se frisar que leis são fundamentais para se ter ordem na sociedade, e ordem é necessária para se viver bem. O ponto em questão deste post é quando as leis fogem dos princípios e costumes que a sociedade carrega em si, e começam a atentar contra valores importantes, como a vida e a busca pela genuína felicidade. Como explicar, por exemplo, que desobedecer às leis é errado, mas que há leis que devem ser desobedecidas em nome de algo maior (ex: excludente de ilicitude)?

Existe um ditado que fala que "lei absurda não se cumpre". Faz sentido quando você sabe refletir sobre uma norma e por que você não a está cumprindo. Este é o cerne da desobediência civil: desobedecer leis que claramente interferem na vida e na liberdade das pessoas sem quaisquer benefícios à sociedade em questão. O que é totalmente diferente de violar leis que realmente são necessárias para que todos vivam bem.

Infelizmente, para aprender a diferenciar uma coisa da outra, é necessário discernimento, valores, maturidade, evolução de consciência. Para explicar isso para outra pessoa, são necessárias horas, das quais não se têm, na maioria das vezes - isso quando a outra pessoa tem interesse de ouvir e entender, o que também é raro.

A partir da definição de desobediência civil é que se pode entender o que é a verdadeira rebeldia. Não é se vestir diferente das pessoas, encher o corpo de piercings ou ouvir músicas subversivas (que na maior parte possuem baixos níveis de consciência). Está muito mais ligada à definição de desobediência civil do que de ser "alternativo". O verdadeiro rebelde não é manipulável e tem consciência do que faz, por isso são considerados perigosos por todos, são imprevisíveis.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

O Poder nas Artes

 
Rosácea da Catedral de Chartres - França

Não existe arte sem beleza: beleza é um fator objetivo, não subjetivo; não é mera questão de gosto. Você pode não gostar de determinado estilo de música, mas admite a beleza de uma bem feita. Assim como "beleza real" não é justificativa para desleixo. Os grandes trabalhos artísticos são expressões de elevados padrões de consciência. A arte elevada provém de locais nos quais há o esforço de trazer os valores espirituais à realidade mundana.

Assim como não há arte sem amor: é um processo de criação da alma. Obras digitalizadas têm menor calibragem que as originais, assim como falsificações são testadas como fracas. Das artes, a música é a mais sutil e a mais emocional, que faz as pessoas terem rompantes de amor e criatividade, ou mesmo chorarem profundamente. A música clássica, de forma geral, é a que está mais ligada a padrões atratores elevados em relação a outros estilos.

Já a arquitetura é a mais tangível e influenciadora da vida das pessoas, mesmo que elas não percebam. Vivemos em construções. Note a diferença da qualidade de vida das cidades cujas arquiteturas são mais belas: das casas de palha no interior da Irlanda às catedrais europeias, a apreciação da estética permite demonstrações de beleza das mais diversas formas. Cidades que não se preocupam com a estética arquitetônica costumam ter uma qualidade de vida baixa, com uma população infeliz e altos índices de criminalidade.

As grandes catedrais são as construções com padrões mais elevados: edifícios dedicados ao divino, gerados em nome do Criador, alinhados aos mais altos padrões em todos os aspectos. A catedral não apenas inspira, mas une, ensina, simboliza e serve ao que há de mais nobre no homem. A graça é uma expressão de poder da sensibilidade estética: o poder é sempre manifestado com graça, seja na beleza de um traço ou no estilo de expressão.

Graça é sempre associada com elegância, refinamento, fluidez natural. É um aspecto do amor incondicional, sendo associada à modéstia e à humildade. Grandes artistas são gratos pelo poder de suas obras, pois sabem que é um presente pelo bem da humanidade, envolvendo responsabilidade pelos outros. A beleza se expressa de formas diversas, mas sua essência permanece a mesma. Quem possui alto nível de consciência consegue perceber a Beleza nas mais diversas expressões.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

O Poder Social e o Espírito Humano

Ao contrário do que se se pode pensar, o capítulo 13 do Power vs. Force trabalha a questão do poder do espírito humano sem a questão materialista que muitos associam a palavra "social" hoje em dia. O verdadeiro atleta é a demonstração de todos os significados da palavra espírito: coragem, tenacidade, comprometimento, alinhamento com princípios, demonstração de excelência, honra, respeito e humildade. Inspirar-se é estar cheio de espírito, se for pensar, assim como desanimar é estar sem espírito.

O espírito é a presença, a essência vital, que sem ele morre-se nos vários sentidos. Apesar de ser algo não visto e de expressar-se de formas diversas, é algo imutável. Seria o verdadeiro poder, assunto principal deste livro. Este poder está, de certa forma, ligado ao espírito, e quem se desliga do espírito desliga-se do poder, da humanidade, do amor e do autorrespeito. Dá para se pensar, dessa forma, em como este mundo tornou-se material: não exatamente consumista, mas sem valores, sem racionalidade, focado nos próprios interesses.

Um erro comum é associar espiritualidade à religião. Como eu disse em outro post, há uma diferença entre a doutrina religiosa e a experiência espiritual: geralmente, para não dizer sempre, o primeiro limita o segundo. Uma coisa é seguir princípios espirituais, presentes na maioria das religiões; outra coisa é seguir uma doutrina, condenando visões diferentes do mesmo princípio. Ao longo do tempo, os princípios espirituais são distorcidos em nome de interesses pessoais: note que uma pessoa verdadeiramente espiritualizada é tolerante, mas a religiosa não o é.

Algumas religiões e culturas são pautadas em valores distorcidos e/ou mal interpretados. Enquanto os ensinamentos dos grandes mestres espirituais são calibrados em altos níveis, e há uma queda na calibragem do campo de energia quando são sistematizadas em religiões. A mera expressão de princípios elevados é algo fraco: como eu já disse antes, apenas dizer "todos somos um" não significa nada se você realmente não entende e vive isso.