terça-feira, 13 de abril de 2021

Como sobreviver em tempos difíceis

Talvez eu possa fazer mais de um post sobre este assunto, talvez não, mas acho ser necessário escrever sobre, afinal é relativamente fácil escrever sobre os tempos sombrios em que nós vivemos, mas é difícil explicar como sobreviver a eles sem perder a sanidade. Percebo que algumas pessoas já se perderam e não têm consciência disso - pior, querem te enlouquecer também.

Basicamente, o ideal é se evitar fontes ruins e se aproximar de fontes boas, nos mais diversos aspectos. No entanto, como eu disse em outro post, a primeira situação é difícil, e mais difícil ainda é distinguir o que é realmente bom do que é realmente ruim. Inoculam padrões baixos de consciência nas coisas mais simples e mais corriqueiras.

Talvez a primeira, e mais simples, sugestão mais simples que eu dê aqui é de evitar as músicas da moda. Se não todas, a maioria delas, geralmente as que estão "na boca do povo". Suas letras remetem não a frivolidades, mas a coisas realmente ruins: inveja, deslealdade, orgulho. Andar com fones de ouvido na rua não é "frescura", mas se tornou um fator de sobrevivência.

Não vou falar aqui "ouça apenas música clássica", como alguns pensam com enfastio, mas não deixa de ser verdade: este tipo de música realmente é capaz de elevar a consciência e trazer paz ao coração. Músicas instrumentais no geral são boas alternativas, assim como as standards (aqui no Brasil conhecidas como "românticas"). Algumas trilhas sonoras de videogames podem se encaixar nesta categoria, sobretudo se a história do jogo for edificante.

Evitar pessoas tóxicas, minha segunda sugestão, não significa afastar-se delas, afinal podem ser pessoas importantes para sua vida. Converse o mínimo necessário, não concorde com o que ela diz logo de cara ("ah, eu não sabia disso, vou pesquisar mais sobre, obrigado"), nunca deixe de ser educado e respeitoso. E deixe seu limite bem claro.

Por falar de educação e respeito, por conta destes tempos, as pessoas têm sido muito grossas. Ser gentil (até para observar, é o quinto princípio do Reiki) não fará com que o outro o seja, mas lhe trará serenidade nestes tempos difíceis para lidar com as situações. Não há motivo para não ser gentil, o que não significa, de jeito nenhum, abaixar a cabeça perante absurdos. Absurdos devem ser combatidos dentro do que for possível, e você entendeu o que eu quis dizer.

Acredito que a maior parte da mídia hoje em dia esteja mais preocupada em enlouquecer as pessoas do que informá-las, ou seja, evitar a maior parte dos noticiários não é alienar-se do mundo, mas sim evitar carregar um peso maior do que se pode suportar em matéria de atratores. A maior parte dos noticiários são planejados para dar certo efeito nas pessoas, seja na escolha das matérias, seja na forma como estas são veiculadas.

Buscar meios alternativos de informação virou questão de sobrevivência mental. Ir à fonte da notícia deixou de ser trabalho exclusivo do jornalista para tornar-se atividade corriqueira para se saber o que realmente aconteceu, ou pelo menos para se ter outras versões do ocorrido, e aí sim formar um juízo verdadeiro sobre.

terça-feira, 6 de abril de 2021

Resolução

Finalmente chegamos ao último capítulo do Power vs. Force. Percebam duas coisas importantes: a primeira é que alguns capítulos já foram explicados em outros posts, só que sem especificar quais; a segunda é que vou fazer uma série de posts sobre cada nível de consciência, emendando com uma série de resenhas do livro Transcending the Levels of Consciousness, Transcendendo os Níveis de Consciência, no qual o autor vai descrever cada nível em específico.

Neste capítulo, Hawkins comenta que a ideia do livro era ser um tratado objetivo sobre moralidade para que as pessoas possam tomar decisões relativas às mais altas condutas de vida - a maior parte dos problemas de hoje em dia derivam da falta de diretrizes para tomar decisões. Absorver o conhecimento deste livro eleva, em média, 35 pontos da consciência do leitor.

Da década de 1980 até 2012, o nível de consciência médio da humanidade saltou de 190 para 204. Como eu já tinha comentado anteriormente, não acredito que tenha se dado pelo aumento do nível de consciência de um grande número de pessoas, mas a evolução de quem já estava em um nível mais elevado.

Uma recomendação que Hawkins dá neste capítulo é a de evitar o contato com coisas e pessoas calibradas abaixo de 200: praticamente tudo que nos rodeia. Um momento de afastamento para "desintoxicar" pode ser de grande ajuda, mas aprender a lidar com níveis inferiores é melhor ainda: é como uma vacina contra dissabores futuros, como o Efeito Matrix.

Não acredito ser possível aprender a discernir o verdadeiro do falso apenas evitando este. Como já escrevi em alguns posts sobre meditação, e assim como a meditação só é realmente efetiva quando você consegue levar este estado de tranquilidade mental para o cotidiano, você só consegue neutralizar de forma efetiva a falsidade quando aprende a lidar com ela.

Obviamente não estou dizendo para manter os mesmos hábitos e achar que vai conseguir mudar alguma coisa. É uma via de mão dupla: você troca seus hábitos negativos por hábitos positivos e melhora sua consciência, e conforme sua consciência evolui, os hábitos negativos são deixados de lado de forma natural e permanente.

Não é possível defender-se intelectualmente os campos atratores baixos. A partir do amor e da oração é possível desembaraçar-se desses campos, a salvação está dentro de cada pessoa. Superar o ego não é suprimi-lo, mas trabalhá-lo, transcendê-lo. Ele é a fonte do sofrimento por querer manter as coisas como estão, e além dos paradoxos é possível transcendê-lo. A pessoa pode optar não ser mais escravizado pelas trevas.

terça-feira, 30 de março de 2021

Em Busca da Verdade

No Capítulo 23, o penúltimo do livro Power vs. Force, é analisado o nível de consciência das principais religiões do mundo. Antes de começar a resenhar o capítulo, é necessário um esclarecimento: apesar de estarmos nos últimos capítulos do livro, este ainda possui três apêndices (A, B e C), um glossário e notas sobre o autor, biográficas e autobiográficas - não pretendo me estender sobre elas.

O estudo de Hawkins sobre religião deixa clara a diferença entre a instituição religiosa e a fé. Religiões que se "politizaram" tiveram grande queda no nível de consciência, surgindo ramos "religiosos" calibrados abaixo de 200. Religiões mais "espiritualizadas" tiveram uma queda menor. A queda se dá pela má interpretação do ensinamento religioso, ou a distorção deste ensinamento por conta de interesses mundanos.

Para pessoas em níveis mais baixos, a verdadeira experiência espiritual não passa de boatos ou, pior, de coisas malignas. As seitas fundamentalistas estão calibradas no mesmo nível que os grupos criminosos. Estas seitas proliferam-se porque as pessoas não têm critérios para distinguir o verdadeiro do falso: estes grupos acabam por prosperar dentro das grandes religiões, distorcendo ensinamentos e subvertendo suas intenções.

Aliás, as seitas não precisam ser religiosas, sendo o comunismo um grande exemplo - apesar de não ser este usado no livro. Não irei pegar o exemplo do Hawkins, mas ambos são praticamente iguais: antirreligiões que se baseiam em antidivindades, com grande poder destrutivo. Ambos espalharam suas armadilhas pelo meio cultural, sendo populares entre os jovens, gerando campos atratores principalmente pela música.

Estes campos destrutivos são patogênicos, gerando pontos de acupuntura "explodidos" e dessincronização dos hemisférios cerebrais. A pessoa fica em transe contínuo no qual é suscetível à sugestão violenta, propensas a destruições irracionais sem saber o motivo - sugestões pós-hipnóticas e inconscientes que persistem.

O corpo fica fraco, podendo haver uma inversão da resposta cinesiológica: ao invés de responder fraco à calibragem, o corpo responde forte, e vice-versa, tamanha intensidade de energia negativa, gerando subserviência além das forças de sua compreensão e danos permanentes ao organismo. Uma sociedade hipocritamente puritana encoraja uma constante sedução de perversão. Esta programação negativa atinge jovens e adultos, causando transtornos ao sistema de acupuntura.

O "certo" e o "errado" existe apenas em níveis de consciência mais baixos. O discernimento deve substituir o moralismo, que se torna insignificante no nível 500 e irrelevante em 600. A razão nunca forneceu ao homem uma moral sólida, levando do caos da ignorância a um labirinto intelectual igualmente desconcertante.

Como falei anteriormente, Hawkins afirma que o poder dos 15% acima dos 200 contrabalança o restante da população abaixo de 200, assim como um avatar de nível 1000 contrabalança a negatividade da humanidade inteira. Hawkins também fala das proporções de equilíbrio das pessoas em virtude de seus níveis de consciência:

  • um iluminado (nível 700) contrabalança 70 milhões de pessoas abaixo de 200;
  • uma pessoa no nível da Paz (600) contrabalança 10 milhões;
  • uma pessoa no nível do Amor (500) contrabalança 750 mil;
  • uma pessoa no nível da Razão (400) contrabalança 400 mil;
  • uma pessoa chegando à Disposição (300), contrabalança 90 mil.
  • Por fim, 12 indivíduos iluminados correspondem a um avatar de nível 1000. Se não fosse esse equilíbrio, a humanidade haveria se extinguido em sua própria negatividade.

Deve-se considerar, no entanto, as pessoas que possuem calibragem negativa, como dito anteriormente no post, e mesmo o que eu já comentei no blog. Pessoas de consciência negativa acabam por gerar mais problemas à humanidade do que pessoas pouco evoluídas.

A verdade, do ponto de vista social e comportamental, é um conjunto de princípios pelos quais as pessoas vivem, independente do que possam dizer que acreditam. Já a Verdade deriva sua validade das fontes últimas além da influência de qualquer campo de percepção localizado. Não representa personalidade nem opinião, e não varia com a condição do sujeito ou ambiente de teste.

A ignorância é dissipada na luz, a desonestidade não resiste à verdade. Assumir a responsabilidade pela verdade é elevar-se dos níveis inferiores para 200, o ponto crítico para o Poder e o ponto de partida para os níveis mais elevados. A coragem para enfrentar a Verdade eleva a pessoa para a Aceitação, nível 350. Ao superar a maioria dos problemas sociais do homem, eleva-se a 500, o nível do Amor.

Conhecer a própria fraqueza e as fraquezas humanas dá origem ao perdão e esta à compaixão. A compaixão é a porta para a Graça, para a realização final de quem somos e por que estamos aqui, e a fonte última de toda a existência.

terça-feira, 23 de março de 2021

Esforço Espiritual

Chegamos ao capítulo 22 do livro Power vs. Force. Como falei anteriormente, alguns capítulos já foram resenhados aqui sem referência direta, o que pode parecer confuso - e mesmo alguns tópicos de alguns capítulos. A última parte do livro - Significado - é a parte mais elevada, e a mais complicada, da obra como um todo.

É muito fácil falar dos níveis de consciência - estes serão abordados em postagens individuais para cada um, além dos resumos feitos. Difícil é buscar entender como esse processo se desenrola, tendo em vista que para quem está mais adiantado as coisas fluem com mais facilidade, o que não acontece para quem está começando - ou mesmo para aqueles que nem querem saber disso.

A pura consciência representa o poder infinito e a fonte de energia infinita de toda a existência. Dentro deste potencial, o não-manifesto manifesta-se através dos Grandes Avatares, calibrados em 1000 (limite de consciência neste planeta). Logo abaixo estão os instrutores iluminados que ensinam o caminho para a realização do Eu.

O Ser foi descrito pelos iluminados como infinito, sem forma, imutável, onipresente, não-manifesto-e-manifesto. Estudos sobre isso estão calibrados em 700, ou seja, lê-los pode ajudar a desenvolver a consciência. No nível 600, o pensamento comum cessa, a ilusão da separação desaparece, e surge um estado de Paz além de todo o entendimento, amor infinito e incondicional, além da consciência de que o não-manifesto é uno com o manifesto.

Os estados verdadeiramente espirituais começam em 500 (Amor), sendo aqueles conhecidos como santos calibrados entre 500 e 600. O nível de consciência elevado força o das pessoas em torno a elevar-se também, o que entre pessoas comuns gera desconforto (algo do qual comento continuamente no blog), mas para aqueles que buscam o desenvolvimento espiritual chega a ser angustiante afastar-se de pessoas evoluídas.

A dificuldade no processo evolutivo está em afastar-se de campos de energia inferiores, tão abundantes e partes importantes de nosso cotidiano. Sobretudo para níveis logo acima de 200, é necessário afastar-se de hábitos ligados aos níveis abaixo para poder continuar a se desenvolver. Por outro lado, enquanto a Razão (400) é invejável para quem está em 300, por exemplo, ela torna-se trivial para quem está acima de 500, sobretudo por possuir suas limitações.

Acredito que eu já tenha comentado em outro post que alguns gênios da humanidade "travaram" no nível 499, por não desenvolver a consciência espiritual. A Razão é o segundo grande divisor de águas dos níveis de consciência, o primeiro é a Coragem. Alguns cientistas foram lançados para além da Razão através dos próprios estudos.

O próprio livro Power vs. Force tem por objetivo não só ajudar aqueles a desenvolver sua consciência, mas também para explicar como funciona a mente de quem está além da Razão e da dogmática. São pessoas que não possuem "consciência", mas esta faz parte da vida delas.

terça-feira, 16 de março de 2021

Características da Consciência Pura

Dentro do capítulo 21, onde Hawkins fala sobre os estudos científicos a respeito da consciência, há uma descrição sobre a consciência pura. O capítulo, em resumo, comenta que não há estudos científicos sobre a consciência em si, sendo-a considerada mera função do cérebro, o que acaba por limitar a percepção diante de outras questões, como por exemplo a noção de vida após a morte.

A visão de consciência está ligada ao conceito jungiano de self. Quanto mais limitado este for, menor será seu parâmetro de experiência. Como explicado ao longo do livro, padrões limitados de consciência limitam o campo de experiência humana. Pobreza não é apenas um estado econômico, mas é fruto de uma autoimagem limitada, que gera a escassez de recursos.

É necessário algo maior para experimentar algo menor, como a mente experimenta o corpo. Dessa forma, os pensamentos não pensam por si mesmos - a consciência está além de todos os fenômenos e é fonte da experiência. Os pensamentos fluem pela consciência como os peixes pelo oceano: a existência do oceano é independente do peixe, assim como o conteúdo do mar não define a natureza da água.

A consciência ilumina o objeto - tanto é que toda a literatura a define como luz. Identificar-se com o conteúdo da consciência é apenas uma experiência limitada, enquanto que se identificar com a consciência é saber que o real self é ilimitado - uma condição para a iluminação. Uma característica da pura consciência é a intemporalidade da percepção: a consciência é experimentada além da forma e do tempo e vista em todos os lugares como igualmente presente.

A iluminação é um estado de unidade, onde não há divisão - a experiência da consciência é vista como algo além da mente, um estado de Sabedoria livre de pensamentos, completo, sem necessidade nem desejo, além da limitação de experimentar como algo meramente pessoal e individual.

Outra característica da consciência pura é a cessação do fluxo de pensamentos e sentimentos. Surge, então, uma presença de um poder ilimitado, além de compaixão e amor ilimitados, tornando-se um Self infinito. A consciência como Self é a culminação do processo de eliminar identificações limitadas. A iluminação é rara não pela dificuldade em alcançá-la, mas pela falta de interesse nas pessoas, afinal, quem quer ser iluminado?

terça-feira, 9 de março de 2021

A base de dados da consciência

A última parte do Power vs. Force, Significado, começa no capítulo 19, onde Hawkins faz reflexões mais profundas sobre os campos de consciência. A "base de dados de consciência", chamada assim pelo autor, já foi citada no post sobre empirismo, onde eu comentava sobre as pessoas conseguirem acessar informações de forma "inconsciente", por um processo dedutivo que está mais próximo ao download de conhecimentos diversos para a mente em Matrix do que um exercício de raciocínio.

Nessa base de dados haveria todo o conhecimento descoberto e por descobrir, podendo ser acessado de diversas formas, sendo que todas as pessoas estão ligadas a ele. Se formos pensar na teoria da realidade simulada, em que estaríamos em uma simulação programada exteriormente, faz todo o sentido estarmos ligado aos servidores em que o conhecimento possível de ser executado dentro da simulação estivesse alocado.

O paranormal torna-se possível por considerarmos como uma possibilidade de acesso a essa base de dados de uma forma alternativa. Hawkins lembra que preocupar-se com coisas não racionais faz com que as pessoas tropecem em suas próprias contradições e inconsistências lógicas (ou ilógicas): as constelações são conjuntos de estrelas que estão longínquas entre si, mas que do ponto de vista terrestre parecem estar no mesmo plano.

A causalidade ocorre de forma simultânea, não sequencial como é propagado por aí: a sequência é devido à observação dos fatos. Estes são ligados por uma espécie de campo, como o magnético, que inclui os eventos. Se não fosse a mente de observador, os eventos não seriam conectados. A consciência humana é o agente por onde um conceito inexistente é transformado em experiência manifesta. O que "aconteceu" na consciência de uma pessoa também permanece gravado na base de dados de todos.

As pessoas normais estão preocupadas em transformar o invisível em visível, do campo atrator para o nível sensorial. Alguns indivíduos extraordinários vivem com a mente neste campo atrator, e os que vivem no campo de pura consciência, para Hawkins, são os denominados místicos. Para estes, a origem de tudo é óbvia, e não há interesse em fazer as coisas visíveis, pois para elas já o são. São pessoas que criam coisas novas e transferem o gerenciamento para outras, como nas quatro estações.

Em um nível mais avançado, os místicos acreditam apenas na realidade invisível, e que o que chamamos de "realidade" não passa de "sonho" ou mesmo de uma "ilusão", como na teoria da realidade simulada. Não há o "real" nem o "não-real", mas apenas o que é. Existência sem forma não é fácil de se imaginar, mesmo sendo a realidade final.

A criação é algo contínuo, completo em sua incompletude. Não há uma sequência de fatos, mas um desdobramento de acontecimentos. A fonte de toda a vida e de toda a forma é maior que suas manifestações, e mesmo assim não se diferencia ou está separada. Logo, o tempo é um lugar de percepção de um holograma que já está completo - não há começo ou fim em um holograma. Os paradoxos dissolvem-se em um paradigma que inclui ambos os opostos, em que os opostos apenas são a localização do observador.

O Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, permanece além de ambos, inclui ambos e é uno com ambos. A existência é um estado em que a consciência é consciente de sua consciência e de sua expressão como tal. Só há uma verdade absoluta: todo o resto são semi-fatos gerados dos artifícios da limitada percepção. Em último caso, não existe dualidade ou não-dualidade: existe apenas percepção.

A percepção em si está além da consciência. O Absoluto é desconhecido por estar além do conhecimento, além da própria consciência. Os que relatam este estado de consciência não conseguem descrever, e acaba por não fazer sentido para quem não teve uma experiência neste sentido. Este é o verdadeiro estado de Realidade, que não é possível reconhecer, como uma resolução final da evolução da consciência até o ponto da autotranscendência.

terça-feira, 2 de março de 2021

Bem-Estar e o processo de doença

O capítulo 18 de Power vs. Force é praticamente uma continuação do capítulo anterior. Se antes Hawkins comentou sobre a saúde estar atrelada aos padrões energéticos, neste capítulo Hawkins comenta sobre como os padrões energéticos geram os problemas de saúde, encerrando a parte 2 do livro. Cabe ressaltar que outros capítulos foram tratados em outros posts deste blog, sem referência específica a quais o foram. Isso não significa que os próximos serão tratados individualmente.

Como comentado no post do capítulo anterior, emoções podem gerar problemas de saúde, dependendo a quais padrões atratores estão ligados. No documentário Quem somos nós, pesquisadores afirmam que as pessoas tendem a se viciar em neurotransmissores, buscando situações nas quais haja a liberação dessas substâncias, em especial situações negativas. Isso explicaria porque as pessoas, no geral, acabam por permanecer com os mesmos problemas e situações.

Uma leve variação no padrão energético pode resultar em um salto harmônico e evoluir o padrão inteiro. Com isso há o que é chamado de turbulência: um descontrole emocional temporário até um novo nível de homeostase ser atingido. Já pensamentos de baixo padrão atrator, se constantemente repetidos, manifestam-se em problemas de saúde.

O principal exemplo usado por Hawkins neste capítulo são os Alcoólicos Anônimos, cuja estratégia, criada pelo seu fundador, é justamente mudar por completo os padrões mentais de seus membros, permitindo que evoluam suas consciências e se afastem, em definitivo, do vício em álcool. Cada mudança radical é desorientadora, é necessário suportar o desconforto temporário do crescimento. A recuperação de qualquer doença requer disposição para explorar novos caminhos de busca de si e da vida. Nisso inclui a capacidade de suportar os medos internos quando seus sistemas de crenças forem abalados.

Maldade realmente torna as pessoas doentes. Cada pensamento rancoroso é um ataque à fisiologia do organismo, assim como cada risada o recupera. E cada piada nos lembra que a realidade é transcendente, além dos detalhes do cotidiano. Risada traz aceitação e liberdade, é uma ameaça à força e à intimidação: é difícil oprimir um povo com senso de humor. A falta de humor é sempre acompanhada pelo impulso de dominar e controlar, mesmo que seja com o objetivo de criar prosperidade e paz.

Uma cura só pode ocorrer pelos progressivos passos de elevação do propósito e do abandono da auto-decepção, para atingir uma nova claridade visual. Assim como um acidente é prenunciado por vários "pequenos passos" preparatórios. O processo de doença é evidência de que algo está errado no trabalho da mente - tratá-la apenas como um processo físico não corrige a origem da disfunção, sendo mais paliativa do que curativa.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Saúde Física e Poder

Indo ao capítulo 17 do livro Power vs. Force, Hawkins comenta sobre como os padrões atratores elevados estão ligados à saúde. A motivação de uma pessoa está ligada aos seus princípios, e o efeito desta ligação supera o relativo a causas psicológicas. Logo, quanto mais elevados são os princípios aos quais uma pessoa está alinhada, mais saudável ela é.

No entanto, eu tenho que observar que, dependendo do local onde uma pessoa ligada a altos padrões se encontre, ela pode vir a sofrer problemas de saúde devido ao excesso de caixa de baixo padrão. Como as pessoas no geral recusam-se a crescer e a ligar-se a estes padrões, é criada uma tensão entre um evoluído e massas de involuídos, onde o primeiro também sofre prejuízos.

Claro que uma pessoa evoluída tende a lidar com essa situação de forma mais serena e a se recuperar de forma mais rápida. Contudo, existe a falsa ideia de que uma pessoa evoluída é literalmente imune a qualquer mal que lhe seja dirigido. Não é bem assim: se um "ataque" for de pequena monta, obviamente os efeitos inexistirão. Só que, como a maioria dos "ataques" não são isolados, os efeitos são sentidos.

Voltando ao livro, Hawkins afirma que o sistema nervoso central possui capacidade de distinguir os níveis de padrões ao redor da pessoa. Se altos padrões energéticos geram saúde, baixos padrões geram doenças. Tratamentos energéticos buscam elevar esses padrões alojados no organismo para recuperar a saúde, como quiropraxia, acupuntura e reflexologia.

Para a recuperação de doenças, é necessário mudar o padrão de vida. Sem essa mudança de padrão, o problema certamente retornará. Grupos de autoajuda são prova disso: é necessário a pessoa decidir sinceramente que deseja mudar, e permitir que a mudança aconteça, por mais sofrimento que ela sinta.

Em medicina, é comum falar que o stress pode gerar diversos problemas de saúde. No entanto, a dificuldade está em encontrar a fonte deste stress, que geralmente é o próprio padrão de vida da pessoa. O que ativa o stress não são as situações da vida, mas as reações perante eles, que são baseadas nos princípios nos quais estamos alinhados, o que foi comentado no começo deste post.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Sobrevivendo ao sucesso

No Capítulo 16 do livro Power vs. Force, Hawkins comenta sobre o sucesso, que geralmente é associado a baixos padrões atratores. De forma geral, as pessoas associam sucesso a dinheiro e ao "poder", mais próximo ao conceito de Força do Hawkins do que ao próprio conceito de Poder desenvolvido ao longo do livro. O verdadeiro sucesso não está associado a apenas uma ou poucas realizações, mas a toda uma vida bem sucedida, que beneficia a todos que estão em volta.

A mídia no geral acaba por confundir sucesso com celebridade, sendo que esta acaba por corroer a saúde e o espírito das pessoas - o que explica tantos "famosos" que têm suas carreiras arruinadas, e mesmo suas vidas destruídas. Isso ocorre não por conta de dinheiro, mas por conta de um ego mal cuidado que acaba por se "viciar" na atenção e tratamento dispensados, querendo mais e mais, chegando a absurdos documentados todos os dias.

Hawkins diferencia um "pequeno ego", que seria nossa personalidade ordinária, suscetível a caprichos, e um "grande ego", que na psicanálise é chamado de self, que seria nossa personalidade superior, alinhada a princípios elevados. Pessoalmente, ambos são a mesma coisa: o ego só se eleva se é trabalhado para tal. A pessoa não deixa de ser ela mesma, mas traz à tona quem realmente é. Fazendo um paralelo com Kung Fu Panda 3, um mestre não é aquele que forma um aluno com elementos exclusivamente externos, mas aquele que consegue despertar e trabalhar o melhor de cada aluno.

Sucesso é muito mais uma responsabilidade do que um mérito. Quem o alcança acaba por ter a obrigação de ajudar outras pessoas a alcançarem-no também. Verdadeiras pessoas de sucesso são humildes e veem o fato como uma bênção em suas vidas, um privilégio que gera obrigações e responsabilidades com outras pessoas.

O verdadeiro sucesso pode ser explicado dentro do padrão de causalidade: enquanto que a maioria das pessoas veem como uma ação que gera uma reação, temendo perder o que conseguiu, a causalidade se dá em um campo atrator, no qual a pessoa está imersa, onde as coisas ocorrem simultaneamente. É um padrão de consciência, não apenas uma sequência de pensamentos, que flui como uma corrente elétrica: quanto mais forte ela for, mais forte será o campo e mais influenciará com a sua presença.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Genialidade e Criatividade

Continuando a escrever sobre o Power vs. Force, chegamos ao capítulo 15, sobre a Genialidade e o Poder da Criatividade. Já comentei sobre aqui no blog quando falei sobre empirismo, que, no fundo, nada mais é que uma forma de "baixar" informações pela mente. Informações estas que já existem nos campos atratores, mas que ainda não foram manifestadas na "realidade". O trabalho de pensar torna-se ponte entre o não-manifesto e o manifesto.

Um gênio é aquela pessoa que possui um estilo de consciência caracterizado pela habilidade de acesso a padrões atratores altamente elevados, geralmente associando sua genialidade a uma inspiração divina, que apresenta respostas e conceitos já prontos: grandes gênios da música não planejaram suas grandes obras, mas as tinham completas em suas mentes. Grandes ideias não são conceitualizadas, mas reveladas, de certa forma, como o koan na tradição Zen.

Todas as pessoas têm um potencial genial dentro de si, geralmente expresso por aquelas sacadas inesperadas que surgem em momentos específicos e que acabam por resolver situações mais complexas. Um gênio acaba por ter isso continuamente, em vários aspectos de sua vida, acabando por desenvolver múltiplos talentos. Quando um gênio traz um padrão elevado para o cotidiano, ele eleva a sociedade em que se encontra a um novo nível.

Gênios verdadeiros acabam por ter um estilo de vida excêntrico e uma visão de mundo diferenciada, por conta desse contato com padrões atratores mais elevados. Acontece que a grande maioria dos gênios não é reconhecida, seja por não serem aceitos como pessoas "normais", seja por suas ideias não serem reconhecidas em seu tempo - vindo, na maior parte das vezes, serem reconhecidas apenas postumamente.

Outro motivo pelo qual um verdadeiro gênio não é reconhecido é por nem sempre possuir um alto QI, o famoso quociente de inteligência. Claro que grandes físicos e matemáticos, por exemplo, acabam por precisar desta característica. Outra coisa é que o fluxo de trabalho de um gênio é de grande intensidade em apenas alguns momentos: quando a ideia surge em sua cabeça, o gênio trabalha por horas a fio para aproveitá-la com o máximo de detalhes, para depois aguardar o próximo insight.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Vamos falar sobre meritocracia?

Da série de palavrinhas nas quais seu significado foi distorcido e vulgarizado a tal ponto que se tornou vazio e significando qualquer coisa, geralmente associado a algo negativo. A princípio, meritocracia seria uma sociedade orientada pelo mérito de seus membros: às pessoas estariam reservadas as coisas com base no que fizeram de bom ou importante. Quem geralmente critica, acusa essa linha de pensamento de não pensar nos obstáculos que as pessoas possuem, acabando por não ter seus méritos reconhecidos.

No entanto, a questão não é esta, pois o mérito está baseado justamente em superar os obstáculos impostos pela vida, independente de quais sejam. O problema está em reconhecer o mérito alheio: reconhecer que uma pessoa superou-se e deu seu melhor em tal feito. As pessoas tendem a diminuir seus pares para se valorizarem. Pensando desta forma, a pessoa só reconhece o mérito de si mesma, de ninguém mais.

Ou seja, nem dá para pensar em mérito se não houver maturidade, pois é esta que permite que a pessoa reconheça o potencial e os feitos das pessoas, independente de conveniência. Esta também é um problema, pois são reconhecidos apenas méritos de pessoas dentro de um círculo aceitável. Fora deste círculo, ninguém merece nada - como as panelinhas da escola, da empresa, e de tantos outros lugares. É normal as pessoas se reunirem em grupos para se protegerem.

Sem maturidade, a existência desses grupos torna-se nociva a outros grupos, e a cooperação dentro da sociedade desaparece. Por isso é complicado falar de meritocracia: é complicado pensar além do próprio grupo, ou mesmo além de si mesmo, e reconhecer que há pessoas se esforçando de forma honesta. Afinal, imagine perder algo porque admitiu a superioridade de um concorrente, exige amor-próprio e maturidade - não se desapegar do ego, afinal ele é muito importante.

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Sword Art Online - Alicization é logo ali

Sword Art Online não é um anime bobo, como se pode pensar em um primeiro momento. Apesar de algumas cenas apelativas, a mensagem do anime é muito mais complexa que a da trilogia Matrix, sobretudo as últimas temporadas: Alicization e War of Underworld. A reflexão sobre a realidade simulada atinge níveis extremamente profundos, indo de um jogo virtual para um mundo inteiramente digital.

A maioria das pessoas conhece o anime por conta dos 15 primeiros episódios: um jogo no qual as pessoas ficaram com suas mentes presas, morrendo no "mundo real" caso morressem no "mundo virtual". Para saírem vivas, seria necessário zerar o jogo, o que não foi necessário: Kirito vence não só o chefe final, que estava ao lado dos jogadores o tempo todo, mas vence o sistema desenvolvido por ele: o último chefe a ser derrotado nada mais era que o desenvolvedor do jogo.

Não há como deixar de comparar Kirito a Neo: ambos bugam os sistemas em que se encontram, indo além não só da programação padrão, mas da realidade como um todo. Imagine viver anos preso em uma realidade que não é a sua, mas da qual sua vida depende inteiramente. Enquanto que em Matrix as pessoas não têm noção de que vivem uma simulação, recusando-se a sair, em SAO as pessoas sabem que estão em uma realidade virtual, temerosas de morrer tentando, mas desejando sair vivas assim que possível.

Alicization seria um salto quântico sobre a realidade desenvolvida em SAO. Não há NPC's ou mobs: todos os habitantes são "pessoas digitais", com todos os atributos que as "pessoas reais" têm, como personalidade, raciocínio, sentimentos. O mecanismo de imersão no Underworld, o Soul Translator, é tão diferenciado que a inteligência artificial Yui não consegue entrar, mesmo se tratando da mesma linguagem de programação.

Dentro de Underworld, temos uma sociedade não muito diferente da sociedade atual: pessoas seguindo regras e sendo punidas por quebrá-las. Curiosamente, os pesquisadores acreditavam que as pessoas não descumpriam as regras preconizadas pelo Código de Tabus (que nome sugestivo!), mas ao adentrar em Underworld, a hipocrisia foi revelada: o código não foi criado pela sociedade, mas sim por sua líder espiritual, chamada por alguns de Pontífice, mas autointitulada Administradora, que temia que outro ser se tornasse mais poderoso do que ela e a subjugasse.

No entanto, ela não tinha controle de todo o Underworld, apenas do chamado Império dos Humanos. Fora de suas muralhas, estendia-se o Território Negro, também composto por "pessoas digitais" - mas estas não eram totalmente antropomórficas, como lobisomens e orcs. A barreira que separava ambos os impérios era administrada exteriormente pelos responsáveis do projeto, e programada para cair e desencadear uma guerra total, o Teste de Carga Final.

Esta guerra foi planejada pelos desenvolvedores para avaliar a reação das pessoas e escolher as mais desenvolvidas para ser trazida ao "mundo real". Claro que tudo foge do previsto: um grupo invade a base naval na qual o projeto está sediado e se infiltra no jogo para retirar estas pessoas escolhidas, no caso Alice, que havia conseguido quebrar a limitação das regras (um código inserido no sistema por um programador mal intencionado) e pensar em valores acima das leis.

Não cabe aqui ficar descrevendo a guerra, com seus terrores e absurdos. Kirito, assim como Neo, é decisivo não para vencer a guerra, mas para promover a paz entre ambos os lados, destruindo o verdadeiro vilão. No entanto, o verdadeiro problema estava por vir: as "pessoas reais" não aceitaram a existência de "pessoas digitais", considerando-as secundárias e sem importância. A guerra citada no epílogo, a maior de todas, ocorreu para garantir a existência desses seres.

Enfim, como não pensar que poderíamos estar também vivendo um "teste de carga", submissos a um "código de tabus", vigiados pelos "senadores" e punidos sem direito à defesa? E que tudo seria apenas uma simulação para uma outra realidade? Eu vejo algumas pessoas comentarem sobre realidade como se esta fosse a única e soberana, e qualquer coisa além como um transtorno mental. Isso vai de encontro ao ponto em comum entre Kirito e Neo: a capacidade de focar além do sistema.

O poder de Kirito está na capacidade de ver além do que foi programado, podendo ser possível fazer qualquer coisa, tendo por limite apenas a imaginação. Neo desviar-se de balas e sair voando pela Matrix não é nada comparado a ele ver a programação da vida real e agir sobre ela. A cópia da consciência de Kirito é a única que se reconhece como tal, ao contrário de todas as outras que se autodestruíam ao serem comunicadas de tal.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Desobediência Civil e Rebeldia

Essas duas expressões estão ganhando força ao longo das últimas semanas. Desobediência civil nada mais é que descumprir leis que estariam violando princípios elevados, como a vida, e talvez seja o aspecto mais radical da rebeldia, pois ser rebelde por ser rebelde é algo fácil de ser controlado: o atual público "alternativo" é muito mais manipulável do que pessoas comuns, pensando neste aspecto. No entanto, para se pensar em desobediência civil, é necessário refletir sobre as leis e em que elas se baseiam: usos, costumes e princípios.

Uma legislação se baseia nos usos e costumes de sua população - ou pelo menos deveria se basear. Se ela se baseia em usos e costumes, consequentemente não haveria justificativa para desobedecê-la, mas mesmo assim isso ocorre, por vários motivos. O importante é reconhecer que são os usos e costumes que geram as normas em uma sociedade saudável, normal, e que estas normas deveriam ser de fácil dedução pelos usos e costumes, para que as pessoas as absorvam de forma natural.

Atualmente, parece que ocorre algo anormal: normas que destoam dos costumes, ou que tentam obrigar as pessoas a mudarem para se adaptar, ou mesmo para modificá-los de forma inconsciente, através da dissonância cognitiva. As leis parecem perder o sentido quando desrespeitá-las torna-se comum, sobretudo nas normas mais cotidianas, como o código de trânsito ou as normas do transporte público. Se as pequenas leis são desrespeitadas, como obedecer às grandes?

Deve-se frisar que leis são fundamentais para se ter ordem na sociedade, e ordem é necessária para se viver bem. O ponto em questão deste post é quando as leis fogem dos princípios e costumes que a sociedade carrega em si, e começam a atentar contra valores importantes, como a vida e a busca pela genuína felicidade. Como explicar, por exemplo, que desobedecer às leis é errado, mas que há leis que devem ser desobedecidas em nome de algo maior (ex: excludente de ilicitude)?

Existe um ditado que fala que "lei absurda não se cumpre". Faz sentido quando você sabe refletir sobre uma norma e por que você não a está cumprindo. Este é o cerne da desobediência civil: desobedecer leis que claramente interferem na vida e na liberdade das pessoas sem quaisquer benefícios à sociedade em questão. O que é totalmente diferente de violar leis que realmente são necessárias para que todos vivam bem.

Infelizmente, para aprender a diferenciar uma coisa da outra, é necessário discernimento, valores, maturidade, evolução de consciência. Para explicar isso para outra pessoa, são necessárias horas, das quais não se têm, na maioria das vezes - isso quando a outra pessoa tem interesse de ouvir e entender, o que também é raro.

A partir da definição de desobediência civil é que se pode entender o que é a verdadeira rebeldia. Não é se vestir diferente das pessoas, encher o corpo de piercings ou ouvir músicas subversivas (que na maior parte possuem baixos níveis de consciência). Está muito mais ligada à definição de desobediência civil do que de ser "alternativo". O verdadeiro rebelde não é manipulável e tem consciência do que faz, por isso são considerados perigosos por todos, são imprevisíveis.

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

O Poder nas Artes

 
Rosácea da Catedral de Chartres - França

Não existe arte sem beleza: beleza é um fator objetivo, não subjetivo; não é mera questão de gosto. Você pode não gostar de determinado estilo de música, mas admite a beleza de uma bem feita. Assim como "beleza real" não é justificativa para desleixo. Os grandes trabalhos artísticos são expressões de elevados padrões de consciência. A arte elevada provém de locais nos quais há o esforço de trazer os valores espirituais à realidade mundana.

Assim como não há arte sem amor: é um processo de criação da alma. Obras digitalizadas têm menor calibragem que as originais, assim como falsificações são testadas como fracas. Das artes, a música é a mais sutil e a mais emocional, que faz as pessoas terem rompantes de amor e criatividade, ou mesmo chorarem profundamente. A música clássica, de forma geral, é a que está mais ligada a padrões atratores elevados em relação a outros estilos.

Já a arquitetura é a mais tangível e influenciadora da vida das pessoas, mesmo que elas não percebam. Vivemos em construções. Note a diferença da qualidade de vida das cidades cujas arquiteturas são mais belas: das casas de palha no interior da Irlanda às catedrais europeias, a apreciação da estética permite demonstrações de beleza das mais diversas formas. Cidades que não se preocupam com a estética arquitetônica costumam ter uma qualidade de vida baixa, com uma população infeliz e altos índices de criminalidade.

As grandes catedrais são as construções com padrões mais elevados: edifícios dedicados ao divino, gerados em nome do Criador, alinhados aos mais altos padrões em todos os aspectos. A catedral não apenas inspira, mas une, ensina, simboliza e serve ao que há de mais nobre no homem. A graça é uma expressão de poder da sensibilidade estética: o poder é sempre manifestado com graça, seja na beleza de um traço ou no estilo de expressão.

Graça é sempre associada com elegância, refinamento, fluidez natural. É um aspecto do amor incondicional, sendo associada à modéstia e à humildade. Grandes artistas são gratos pelo poder de suas obras, pois sabem que é um presente pelo bem da humanidade, envolvendo responsabilidade pelos outros. A beleza se expressa de formas diversas, mas sua essência permanece a mesma. Quem possui alto nível de consciência consegue perceber a Beleza nas mais diversas expressões.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

O Poder Social e o Espírito Humano

Ao contrário do que se se pode pensar, o capítulo 13 do Power vs. Force trabalha a questão do poder do espírito humano sem a questão materialista que muitos associam a palavra "social" hoje em dia. O verdadeiro atleta é a demonstração de todos os significados da palavra espírito: coragem, tenacidade, comprometimento, alinhamento com princípios, demonstração de excelência, honra, respeito e humildade. Inspirar-se é estar cheio de espírito, se for pensar, assim como desanimar é estar sem espírito.

O espírito é a presença, a essência vital, que sem ele morre-se nos vários sentidos. Apesar de ser algo não visto e de expressar-se de formas diversas, é algo imutável. Seria o verdadeiro poder, assunto principal deste livro. Este poder está, de certa forma, ligado ao espírito, e quem se desliga do espírito desliga-se do poder, da humanidade, do amor e do autorrespeito. Dá para se pensar, dessa forma, em como este mundo tornou-se material: não exatamente consumista, mas sem valores, sem racionalidade, focado nos próprios interesses.

Um erro comum é associar espiritualidade à religião. Como eu disse em outro post, há uma diferença entre a doutrina religiosa e a experiência espiritual: geralmente, para não dizer sempre, o primeiro limita o segundo. Uma coisa é seguir princípios espirituais, presentes na maioria das religiões; outra coisa é seguir uma doutrina, condenando visões diferentes do mesmo princípio. Ao longo do tempo, os princípios espirituais são distorcidos em nome de interesses pessoais: note que uma pessoa verdadeiramente espiritualizada é tolerante, mas a religiosa não o é.

Algumas religiões e culturas são pautadas em valores distorcidos e/ou mal interpretados. Enquanto os ensinamentos dos grandes mestres espirituais são calibrados em altos níveis, e há uma queda na calibragem do campo de energia quando são sistematizadas em religiões. A mera expressão de princípios elevados é algo fraco: como eu já disse antes, apenas dizer "todos somos um" não significa nada se você realmente não entende e vive isso.