terça-feira, 5 de outubro de 2021

Sobre Padrão de Beleza

Esse sumiço virtual tem um motivo importante. Infelizmente não tenho mais tempo para me divertir escrevendo neste blog - espero que seja apenas uma situação temporária, mas enfim...

Um assunto que me chamou a atenção esses dias foi a questão do padrão de beleza feminino, que para algumas pessoas é tão normal que não percebem seus reais riscos e danos. Talvez não percebam que parte da discriminação existente com algumas mulheres seja por isso.

Lembrando que há o preconceito, instintivo nosso, e a discriminação, programada pela sociedade. Eu fiz essa distinção em dois sinônimos para ilustrar o que ocorre, não que exista uma diferença profunda entre ambas as palavras. A discriminação acaba por embotar o preconceito verdadeiro. Cria-se um novo padrão do que é perigoso, ruim ou indesejável, distorcendo o que realmente é perigoso, ruim ou indesejável.

Indo para a questão estética, não é uma questão de indústria, capitalismo nem nada do gênero: se as mulheres, e mesmo as pessoas num aspecto mais amplo, valorizassem quem realmente são, o mercado de cosméticos continuaria existindo normalmente, pois continuaria existindo oferta e demanda de produtos.

A questão é puramente ideológica: há o grupo que só considera bonita a mulher dentro daquele padrão - um pé fora já é considerada "feia", "incompetente" ou mesmo "inferior". Por outro lado, há o grupo do "grotesco": qualquer coisa, por mais bonita que seja, é considerada "feia, "opressora", e se deve adotar sempre o pior como forma de protesto.

Outro dia estavam comentando do conceito de dracofobia: preconceito a pessoas feias. Isso sempre existiu, mas infelizmente vai tomar uma dimensão ideológica e gerar mais uma camada de censura sobre a sociedade - e não vai resolver a questão do padrão de beleza.

Vamos clarear as coisas, expô-las à luz da razão: usar maquiagem, fazer as unhas, aplicar escova progressiva no cabelo e se vestir com a roupa da moda não faz uma mulher mais bonita - simples assim. Isso pode apenas melhorar o que é já é bonito, não fazer uma "beleza estonteante" surgir do nada. Como diz o meme: "que perfume você está usando? Nenhum, apenas tomei banho."

Infelizmente as pessoas pensam o contrário, abrindo espaço e dando razão para quem confunde vaidade com higiene. Um cuidado básico com o corpo é saudável e necessário - o verdadeiro cuidar de si. É necessário cuidar da própria higiene, e isso não tem nada a ver com padrão de beleza. Agora, se você vai lavar o cabelo com shampoo e condicionador ou fazer todo um tratamento capilar, o problema é seu.

Pode-se pensar que essa é apenas uma questão de adolescentes, mas não é. Mulheres perdem o emprego por estar com o cabelo desalinhado ou com uma roupa mais confortável e discreta - sua competência profissional é deixada de lado em nome da aparência.

O ideal é buscar a famosa e clichê "beleza interior", valorizar o que se realmente é, não porque alguém falou, mas porque é legal e divertido de fazer. Você se diverte passando horas num salão tendo seu cabelo repuxado, ou prefere ficar horas com uma touca enrolada na cabeça enquanto um creme atua? A escolha é sua.

Agora algo que parecerá contraditório: aparência é um negócio externo. Em alguns casos, é necessário parecer "aceitável" para outra pessoa, ou, como eu gosto de falar, "fazer cosplay de ser humano". Justamente para não perder um emprego, justamente para ser ouvida. É necessário ter consciência disso e não confundir as coisas: é limpar a maquiagem no final do expediente e voltar para casa.

terça-feira, 28 de setembro de 2021

O Capitalismo não é selvagem, mas as pessoas sim

Não existe um sistema político-econômico perfeito, tendo em vista que as pessoas não o são. Tudo tende à entropia, ao caos, sobretudo se não houver um esforço genuíno em vista do crescimento e da ordem (cosmos - de onde surgiu a palavra cosmética). Acredito que pessoas evoluídas podem viver bem em qualquer sistema político, pois se pensaria no outro sem fins egoísticos. O grande problema desses sistemas é o desejo de poder escondido sob uma aparência de ordem - ou mesmo de harmonia.

É praticamente impossível pensar nisso sem pensar no clichezão do que foi o Socialismo no século XX: tirania e miséria em nome de uma pretensa igualdade. Este nunca foi o objetivo, e nunca será, vide países socialistas, em situação de miséria extrema ou em vias de. Nem é necessário lembrar-se de uma de suas mutações, o progressismo, que é a perseguição ferrenha a pensamentos divergentes, chegando à irracionalidades que não são questionadas por pavor dos perseguidores.

Como historiadora, devo esclarecer algumas coisas: Capitalismo não é sistema político, e sim um sistema econômico, onde as trocas se dão por uso de uma moeda - representante simbólico de determinado valor. Este sistema de trocas é possível na maioria dos sistemas políticos, dos mais democráticos aos mais tirânicos. Lembre-se de que nos regimes nazi-fascistas havia comércio e consumo, controlados pelos governos através de monopólios e oligopólios.

Avançando no tempo, vendo as pessoas falarem que o "Capitalismo é ruim" e que "consumir é ruim", volto pro começo do post: o problema não está no sistema de trocas, mas em quem os opera. Querer economizar a qualquer custo gera tanto prejuízo quanto um comprador compulsivo. Infelizmente, em busca de uma qualidade de vida melhor, é necessário ganhar mais e mais dinheiro, pois se torna cada vez mais difícil, para não dizer impossível, ter uma vida confortável com o que se ganha.

Hoje em dia é comum a pessoa ter uma segunda ou terceira ocupação para pagar as contas, geralmente ligadas às áreas de comércio e serviços, o que gera uma saturação nesse meio, sobretudo na internet. Tanta gente querendo vender na internet que fica praticamente impossível encontrar pessoas querendo apenas se divertir, fazer o que gosta sem pensar em dinheiro. Qualquer coisa ficou monetizável: de conselhos de vida até como gerenciar a própria casa.

Por um aspecto, isso não é ruim. É essa liberdade de iniciativa que faz as pessoas crescerem e a sociedade como um todo de quebra. Deve haver espaço para escolhas e responsabilidade para com elas. Por isso um regime mais liberal é mais racional e preferível a uma tirania: as pessoas tomando suas próprias decisões e respondendo por elas é muito mais saudável do que alguém "em cima" ordenando o que deve ser feito ou não - a menos que o interesse seja justamente que as pessoas sejam manipuladas.

O lado ruim é que quando um meio econômico está saturado, a qualidade oferecida despenca, o que é surpreendente, pois a tendência é que quanto maior a concorrência, melhor a qualidade para se manter no mercado. Não, busca-se vencer a concorrência não pela qualidade, mas pela quantidade: um serviço perde valor pela quantidade de profissionais disponíveis para tal, em sua maioria desqualificados para cumpri-lo com excelência.

Isso sinaliza algo importante: se apenas um determinado nicho está sendo buscado como uma atividade econômica complementar, é porque os outros nichos estão bloqueados para atuação. Não digo saturados, pois não há excesso de profissionais, mas porque há um domínio de grupos e pessoas que não permitem a livre concorrência em seus meios. Por que em alguns meios há livre iniciativa, concorrência entre profissionais, enquanto em outros há uma estagnação ensurdecedora? O que está realmente acontecendo?

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Não espere pela justiça divina

Antes de tudo, deve-se entender que a justiça divina não é um julgamento no qual todas as pessoas passarão após morrer, sendo punidas ou não pelos seus feitos. Talvez possa acontecer? Talvez. O fato é que deixar uma injustiça acontecer porque "a justiça divina irá dar a devida punição" é tirar a própria responsabilidade sobre e projetá-la em algo considerado inacessível.

Apelar para esse jargão tornou-se comum nos dias atuais, quando as coisas parecem não ter solução prática. Problemas estruturais demandam mudança de perspectiva, de preferência a nível coletivo, sendo este algo extremamente difícil de acontecer. Pessoas que tomam consciência da situação acabam por sentir-se nadando contra a maré, como se lutassem uma batalha já perdida.

Injustiças ocorrem o tempo todo, e parece que hoje em dia ocorrem de forma escancarada. Pensar de forma mais racional tornou-se algo abominável para algumas pessoas, enquanto o relativismo niilista é apresentado como evolução espiritual. O que resta para a geração abstraia é acreditar que Deus irá punir todos os injustos de forma exemplar e que seus eleitos, esta geração se considera inclusa, viverá paz e bonança eternas.

Todos somos responsáveis, de alguma forma, pela situação atual, seja pela ação, seja pela omissão. Omitir-se perante uma injustiça é ser cúmplice dela, e o omisso é tão responsável quanto o injusto. Obviamente deve-se medir as ações no combate às injustiças, pois uma atitude imprudente pode ser tão danosa quanto a própria omissão. Muitos reclamam do silêncio de alguns, mas abrir a boca pode não ajudar. No entanto, a própria postura discordante já gera efeitos quando algo está errado.

Por mais que aqui seja uma realidade simulada, ordem é algo necessário. Não adianta ficar esperando por algo que pode não acontecer: quantos corruptos foram realmente punidos pelos seus crimes escabrosos? Compensa esperar por uma "justiça externa" enquanto estes aproveitam uma boa vida aqui, à custa de inocentes? Mesmo que estes venham a ser punidos lá, suponha-se, qual o exemplo que foi dado: de que o crime compensa?

Esperar por uma solução externa é anestesiar a mente diante do que acontece, acreditando ser incapaz de fazer algo. Grandes coisas acontecem porque pequenas aconteceram. Combater pequenos problemas abre caminho para resolver grandes confusões. Calar as pequenas maldades silenciam os grandes maldosos. É necessário agir, nem que seja começando a pensar sobre de forma honesta.

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Refletindo sobre MGTOW

Antes de tudo, vou dar a minha definição sobre o MGTOW, homens que seguem seu próprio caminho na tradução: são homens que desistiram de estabelecer quaisquer relacionamentos com mulheres (seja a nível pessoal ou mesmo social, incluindo nisso amizades e relações de trabalho) devido às mazelas do Feminismo e ao privilégio feminino presente hoje na sociedade.

É necessário deixar claro que o Feminismo desequilibrou as relações entre homens e mulheres, induzindo comportamentos artificiais, contra a natureza das pessoas enquanto animais. De tanto insistirem que as mulheres são oprimidas e desrespeitadas, foram criadas uma infinidade de recursos para privilegiá-las, tornando o homem, considerado o causador de todos os problemas da humanidade, no maior perseguido da atualidade.

Preste atenção às notícias: quando a mulher é vítima, estardalhaço; quando o homem é vítima, silêncio. Em diversas leis é claro o privilégio feminino, onde deveria prevalecer o princípio constitucional de igualdade jurídica entre os sexos, tendo em vista que ambos passam pelas mesmas situações, o que é diferente da pretensa igualdade que se tenta impor nos dias atuais.

Chega a ser complicado de explicar: se são diferentes, as normas deveriam ser diferentes, mas não. Matar é errado, seja praticado por um homem ou por uma mulher, assim como roubar, ofender, perseguir. No entanto, mulheres que cometem estes crimes acabam tendo penas menores, e até sendo absolvidas, sobretudo se a "desculpa" for violência doméstica.

Com isso, entre outros absurdos, alguns homens decidiram afastar-se das mulheres e ignorar sua existência. Sem violência, sem ofensas (pelo menos por enquanto, talvez): apenas seguir o próprio caminho. Comparado com o Feminismo, mesmo o de primeira onda, o MGTOW acaba sendo um movimento bem mais pacífico, embora pouco organizado. E é bom não sê-lo, afinal não é a melhor resposta para a situação, apesar de ser previsível a uma sociedade acovardada.

Hoje em dia, homens sofrem preconceito por serem homens, principalmente aqueles não efeminados. É normal as mulheres tratá-los desrespeitosamente, como pessoas de segunda classe. Caso respondam ou se defendam, são duramente reprimidos, afinal ainda se tem em mente a máxima de que homem não pode agredir nenhuma mulher, sob nenhuma hipótese, mesmo que esta o agrida deliberadamente (ou, inclusive, ponha em risco sua vida).

Como comentei, MGTOW não é a melhor resposta ao Feminismo: é necessário combater o excesso de privilégios que as mulheres possuem hoje em dia e estabelecer um equilíbrio racional e natural. Mulheres sempre puderam seguir seus caminhos, ao contrário do que dizem as feministas, mas na maior parte das vezes optaram por vidas seguras sustentadas por seus maridos, longe dos perigos da natureza e da sociedade.

Se houve uma época na qual os homens eram "donos" de suas esposas e filhas, hoje em dia ocorre o contrário: homens não podem tomar decisões sem anuência de suas esposas; quaisquer bens que adquiram são-lhe retirados para pagar as famosas "pensões alimentícias", mesmo que sejam para dar-lhe o sustento necessário para pagar os valores devidos. Vê-se como algo positivo apenas mulheres em um grupo, mas como algo negativo haver apenas homens.

A questão principal está em estabelecer um equilíbrio natural, o que é diferente de igualdade social, mas ligado à igualdade jurídica. Com a desculpa de promover uma igualdade entre os sexos, o Feminismo destrói cada vez mais a masculinidade, considerando qualquer manifestação como algo "tóxico" a ser banido permanentemente. É necessário, na verdade, banir este tipo de ideia doentia e extremada, permitindo que as pessoas, homens e mulheres, trabalhar em equipe e fazer suas escolhas da melhor forma possível.

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Cruella (2021)

Decidi comentar sobre este filme por conta da onda de obras que tentam justificar a maldade das pessoas, sejam estas reais ou ficcionais. O vilão é pintado como vítima, com um potencial (ou genialidade, termo usado pela protagonista no filme) não reconhecido pelas pessoas em volta, sentindo-se impelida a apelar para atitudes cada vez mais baixas para alcançar seus objetivos.

Uma coisa tem que ficar clara: nada justifica a maldade, absolutamente nada. No filme, dá-se a impressão de que Cruella não teve escolha, mas prestando atenção é possível perceber que sempre houve alternativas para tomar boas atitudes, mas aí vem um detalhe interessante: todos os saltos que Cruella teve na carreira foram quando ela deixou sua maldade falar mais alto - que "belo" exemplo, né?

Repare nos dois amigos que viraram seus capangas: meninos de rua que viviam de pequenos golpes. Aos poucos, a amizade e o companheirismo dão lugar à manipulação e à submissão. Eles se ressentem com isso, mas acabam por aceitar: parece que para eles ter uma família problemática era pior do que não ter família alguma. Fora os ganhos que tiveram ao longo dos anos com golpes cada vez maiores.

A questão da mãe biológica da Cruella talvez seja o argumento mais apelativo para justificar sua maldade. Não sei quem é mais maligna, se mãe ou filha. O filme tenta induzir à conclusão de que a mãe era mais absurda, ao matar sua empregada (e mãe adotiva de Cruella) e tentar matar sua filha. Penso que Cruella foi tão perversa quanto, pois ela não utilizou do homicídio por ver maiores vantagens pessoais em outras alternativas, também de baixo nível.

O ideal é assistir a este filme pensando em 101 Dálmatas, seja em live action ou na versão animada. Pensar que, no final das contas, ela sempre foi uma pessoa amarga e manipuladora. Sua glamorização não a absolve dos crimes que cometeu ao longo da vida. Ela nunca buscou justiça, nem mesmo superação: seu objetivo sempre foi a vingança e a subjugação de seus concorrentes.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

A nova velha escravidão

Não sei se lembram das aulas de História da escola, onde comentavam sobre a escravidão por dívidas, instituição comum na Antiguidade, onde pessoas tornavam-se escravas de seus credores por não conseguir pagar o que devem. Esta instituição foi abolida na Europa medieval, assim como outras modalidades de escravidão.

No que se conhece como transição da Idade Média para a Moderna, há uma expansão do comércio e das cidades (que nunca deixaram de existir, por sinal), e um maior uso dos juros nas transações comerciais. Interessante notar que no Medievo cobrar juros era pecado, pois não se poderia cobrar algo pertencente a Deus.

A perda do poder da Igreja fez com que essas dogmáticas fossem deixadas de lado, dando maior atenção às coisas dos homens (pense no conceito do antropocentrismo). Saltando desta época para a atualidade, notem que a principal causa de endividamento das pessoas é por conta dos juros cobrados, quase sempre juros sobre juros (cobram-se juros dos juros já cobrados anteriormente).

Além dos juros, some-se a isso a tal correção monetária, baseada no conceito de que o dinheiro de agora não valerá a mesma coisa no futuro. Somados, pequenas dívidas tornam-se grilhões impostos por credores, que se tornam praticamente donos dos endividados: quaisquer bens adquiridos são tomados; se possui um emprego, a dívida é descontada em folha de pagamento.

Na hora de renegociar, surpresa: a maior parte do montante da dívida são juros sobre juros, que ficam escondidos nas cláusulas contratuais e pouco comentados por aqueles que fornecem dinheiro. Parece as cenas iniciais do filme O Preço do Amanhã, onde não importa o quanto se trabalhe, a pessoa nunca cumpre a meta e as coisas ficam cada vez mais caras.

Esse é o ponto que eu queria chegar: hoje em dia é praticamente impossível adquirir as coisas sem pedir empréstimos ou fazer financiamentos. Se nossos pais e avós o conseguiram com o suor de seu trabalho, hoje em dia pode-se trabalhar a vida inteira que a grande vitória será não ter contraído nenhuma dívida. Pense no financiamento estudantil: o aluno contrai uma dívida para aprender uma profissão cujo mercado será saturado e o salário despencará, não conseguindo um emprego no qual pague a dívida feita.

Não pense, contudo, que isso é parte do que se chama Capitalismo: os grandes revolucionários e tiranos globais são os que acumulam grandes somas de dinheiro. O principal ponto da economia de mercado é a liberdade de negociações e iniciativas. Os que hoje são chamados de metacapitalistas têm tanto dinheiro que agora querem o poder. E nada como empobrecer as pessoas para ter-se poder sobre elas!

Uma sociedade empobrecida é mais vulnerável a tiranos: vide Cuba e Venezuela. Sem dinheiro, pensa-se apenas na sobrevivência básica, não em tentar fazer uma sociedade melhor. Não é possível adquirir coisas para uma vida mais segura e confortável, e sem este conforto não é possível pensar em melhorar a própria vida nem a sociedade.

Note essas "filosofias de nova era" que pregam não a simplicidade, mas a pobreza como algo bom. A ideia não é economizar recursos, mas viver da forma mais miserável possível, na escassez. Na escassez não é possível pensar em evolução, não é possível pensar no que realmente importa, pois todas as forças estão direcionadas à sobrevivência básica e à diversão barata e vazia.

>Enfim, o grande problema da atualidade é a escravização da maior parte da humanidade em uma complexa prisão, onde cada pessoa luta para sobreviver, achando apenas que a vida é difícil, não que é dominada por um grupo de pessoas sedentas por poder e que é impossível conseguir qualquer coisa por esforço próprio, necessitando sempre de dinheiro e influência alheios.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

A omissão é a arma do covarde

Notei que ultimamente as pessoas evitam reagir às situações com coragem, mas aguardando o primeiro deslize alheio para dar o bote, sem realmente combater pelo que acreditam. Quando estão com o poder de decisão, a coisa piora, pois em situações que lhe são desfavoráveis, aguardam apenas para impor sua opinião às pressas, sem chance de reação alheia.

Não adianta discutir, apresentar fatos e dados, se a outra parte está com o poder de decisão, ela irá esperar a situação degringolar para fazer algo. Situações que poderiam ser resolvidas antecipadamente, sem sobressaltos, viram pesadelos de final de prazo, pois o interessado perde duas vezes: primeiro na ausência de debate, segundo na falta de alternativas pela falta de tempo para resolução.

Simplesmente isso acontece com a falta de respostas por parte de quem decide: solicita-se, mas não há resposta; apresentam-se fatos, não há aceitação nem refutação; reiteram-se as solicitações, mantém-se o silêncio. Apenas quando o interessado toma uma atitude mais drástica (como um processo judicial), que algo é feito: acusa-se o interessado de precipitado, desesperado, imaturo.

Há a impressão de que a pessoa que decide, seja ela um chefe, um professor, ou mesmo uma autoridade propriamente dita, estava esperando por este momento. Ela não tem interesse em combater o bom combate, discutir, aprender e crescer: ela apenas quer impor sua vontade, nem que pra isso tenha que agir de forma covarde. Sim, covarde e traiçoeira. A que ponto chegamos...

Isso faz parte da mentalidade revolucionária: em nome de uma causa, faz-se de tudo, inclusive enganar. Não pense que é apenas dentro de uma mentalidade ideológica: é parte de uma distorção de valores presente em nossa sociedade há algumas décadas, mas que apenas hoje em dia seus efeitos nefastos são realmente sentidos.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Resposta Zero e a Falta de Motivação

É praticamente impossível fazer qualquer coisa sem um retorno, seja ele positivo ou negativo. A motivação vem principalmente do feedback dos nossos projetos, logo a ausência de retorno é fatal a qualquer ideia posta em prática, pois ele não te dá nenhuma ideia de qual caminho seguir ou de qual iniciativa tomar, como uma grande barreira invisível e intransponível.

Um feedback negativo, por mais pesado que seja, ainda serve de pista para dar continuidade ao projeto, sobretudo quando se dedica àquilo o máximo de tempo e atenção possível: grandes empresários faliram diversas vezes antes de acertar o alvo. Hoje em dia, isso nem é mais possível, pois caso você falhe surgirão programas assistenciais para te prender definitivamente em uma situação de miséria.

Nem tudo depende da gente, dando a impressão de que quando é necessária a ação de outra pessoa nada dá certo. Hawkins aponta que o nível 200 é a mudança da consciência de projetar a culpa no outro para assumir as próprias responsabilidades, mas à medida que se avança, percebe-se que nossa ação pode gerar nenhum resultado se outras pessoas assim o quiserem - sobretudo se tiverem poder e influência.

Hawkins comenta sobre o balanceamento entre pessoas com níveis de consciência altos e multidões com consciência abaixo de 200. Como já comentei sobre, há pessoas com níveis de consciência negativos que acabam por anular pessoas de mesmo nível mas positivo. No final das contas, quanto mais evoluído você é, menos a sociedade te aceita e tenta te neutralizar, como disse anteriormente: a pessoa de nível mais elevado tende a puxar para cima quem está ao seu redor, o que gera desconforto, principalmente para aqueles abaixo de 200.

É possível haver motivação mesmo na ausência de feedback, mas é um esforço para o insucesso. Você faz para proveito próprio, sem interesse nenhum de que aquilo vá pra frente, e até torcendo para que aquilo não "estoure" e gere dissabores futuros. Afinal, quando acabar a vontade de seguir o projeto particular, é só apagá-lo ou simplesmente deixá-lo de lado, sem precisar dar satisfação a ninguém.

Pode-se pensar que isso contradiz a ideia do potencial acerolático que comentei no blog. Na verdade, eu já havia comentado no potencial acerolático que se o ambiente for desfavorável, a árvore crescerá com dificuldades. Para a árvore da acerola influenciar o ambiente, antes de tudo ela deverá crescer em um ambiente favorável, algo difícil de se encontrar hoje em dia.

terça-feira, 20 de julho de 2021

O problema dos especialistas

Devo ter comentado, há algum tempo atrás, da diferença entre o amador e o profissional: o amador faz algo por paixão àquilo, enquanto que o profissional tem uma "certificação reconhecida" na área, o que não significa que este seja melhor que aquele, muitas vezes acontecendo justamente o contrário. No entanto, nessa dificuldade em se reconhecer o potencial das pessoas, foram criadas barreiras chamadas de especialização: apenas especialistas podem falar sobre o assunto, por mais conhecimento que se tenha sobre.

Até algum tempo atrás, realmente alguns conhecimentos estavam acessíveis apenas àqueles que buscavam uma formação, digamos, "formal". Porém, hoje em dia é fácil adquirir conhecimentos específicos e densos sobre qualquer assunto, tornando-se muitas vezes mais "especialista" que os ditos "especialistas", mas sem transmitir "confiança" sobre o conhecimento que possui. Confiança que se confunde com a arrogância em aceitar a experiência que o outro possui.

Não apenas na academia, mas em todas as áreas profissionais aprender por conta tornou-se uma "perda de tempo": de nada adianta saber tal assunto se não será ouvido, se seu conhecimento e sua experiência não serão levados em consideração, muito menos ser respeitado pelo que sabe. Dá-se mais importância para quem ostenta papéis, mas vazio por dentro, utilizando-se de certificações para compensar algo que não se tem.

Para piorar, mesmo entre as especializações há hierarquias: não adianta ser formado em lugar tal, ou com professor fulano. Tem que ser o lugar aceito por aquela pessoa, se não é inútil. Ou, para afundar de vez a situação, se a pessoa tiver a certificação da moda, mas não servir aos interesses, é tão inútil quanto, ou mesmo considerado um corrompido irremediável. Ainda lembrei dos obstáculos intransponíveis para tais especializações: nunca é o suficiente, você nunca está pronto.

Como na questão da meritocracia, a chave está em aceitar o conhecimento e a experiência alheia: certificações deveriam ser meras formalidades para confirmar algo que já existe. Colocar esse conhecimento à prova é a melhor forma de expressar sua qualidade, independente das pessoas. Por mais que panelinhas sejam ambientes seguros para pequenos grupos, elas destroçam a sociedade como um todo, evitando trocas que permitiriam o crescimento de todos.

terça-feira, 13 de julho de 2021

A Geração Z não falhou

Antes de tudo, um esclarecimento: engana-se quem diz que a geração Z refere-se aos nascidos na virada do milênio. A "famosa" geração Z refere-se aos nascidos nos anos 90, em um ambiente de fim da Guerra Fria, onde o mundo deixa de ser bipolar e uma suposta "liberdade" passa a reinar. Já os millenials são os nascidos na Virada do Milênio, chegando a soar óbvio ter que explicar essa diferença que está passando batido.

Pois bem, há alguns comentários na internet, em vídeos e em posts, de que essa geração Z, hoje por volta dos 30 anos, não teria alcançado o "sucesso na vida" como as gerações anteriores: formado uma família, adquirido um imóvel, conquistado estabilidade profissional. Muitos da citada geração moram de aluguel, quando não moram com os pais, ainda estão procurando "a metade da laranja", e mesmo o "emprego dos sonhos".

Comparando dessa forma, realmente a geração Z deixa a desejar. Contudo, a situação é muito mais complexa: a formação de uma geração depende de outra que a formou. A geração que formou os Z foi aquela do Woodstock e das "revoluções" dos anos 70. Eis o resultado. Para agravar ainda mais a situação, a própria situação político-econômica mundial está sendo estruturada para forçar as pessoas a não conseguirem ascender socialmente.

Ou seja, culpar apenas a própria geração Z por falhas nas quais ela não poderia prever, e programada para não perceber, é no mínimo desonesto. A geração Z é uma geração semi-escravizada, que não possui estabilidade suficiente para pensar em projetos maiores. Associa-se a pessoa da geração Z à imaturidade pelo seu amor à cultura pop, quando esta na verdade é uma fuga de um mundo escravizador para um mundo onde os valores e o esforço ainda são recompensados.

Enquanto a geração Z ainda pode ser considerada uma geração "inteligente", os millenials são conhecidos por sua notória burrice. Seguindo o raciocínio anterior, não significa que os millenials foram agraciados com uma ignorância sem precedentes, mas programados para terem suas capacidades intelectuais limitadas, e assim serem dominados sem perceberem os grilhões que carregam.

Esqueçam o idealismo de que tudo é apenas fruto do próprio esforço: se houve isso na sociedade, hoje em dia não existe mais. É muito mais fácil e conveniente capacitar uma pessoa da panelinha do que contratar alguém com talento mas que pensa diferente. A tendência é formar o máximo de pessoas com o mínimo de capacidade de raciocínio, sendo algumas como intelecto suficiente para manter a sociedade em ordem.

terça-feira, 6 de julho de 2021

É difícil lidar com gente honesta

Uma coisa que as pessoas ainda não perceberam é a dificuldade em lidar com alguém realmente honesto, sem pretensões de levar vantagem sobre ninguém, admitindo erros e derrotas caso justas forem. São pessoas que conhecem as regras e possuem valores a guardar e defender: algo tão raro hoje em dia, e tão deturpado pela sociedade, que pessoas honestas tornaram-se alvos a serem neutralizados, quando não destruídos.

Quando se tenta levar tudo no jeitinho, tende-se a criar laços de chantagem com outros espertalhões: o famoso rabo preso. Um protege o outro para não ser delatado, e assim o esquema de vantagens continuar. Já o honesto, por não ter esses laços, e não precisar deles para sobreviver, gera incômodos para quem precisa das irregularidades e dos "esqueminhas": afinal, podem ser descobertos e neutralizados legalmente a qualquer momento.

No final das contas, as pessoas no geral lidam com os desonestos de duas formas: ou pela imposição ou pela rendição. Nesta, a pessoa simplesmente aceita os termos da pessoa de valor para não sofrer maiores prejuízos em um conflito. Naquela, a pessoa utiliza da força (material ou não) para impedir que o honesto siga seu caminho e alcance seus objetivos.

Infelizmente, no mundo em que estamos, chega a ser normal que imponham restrições a pessoas honestas, sobretudo indiretamente, sem justificativas claras, para que não sejam desmontadas. No entanto, cabe ressaltar que se não há uma base moral racional em uma sociedade, e leis derivadas desta base, não é possível uma convivência saudável e duradoura, parecendo mais com aquelas ficções onde a sociedade é regida pelos "figurões", sem regras nem garantias.

Ou seja, uma base moral não é mera "frivolidade", como alguns acreditam. É a garantia de que as coisas estarão em ordem para o máximo de pessoas, independente da influência que possuam sobre o grupo. Sempre haverá jeitinhos, não se iluda: o problema é o nível de estrago causado e a quantidade de pessoas adeptas a querer levar vantagem sobre as outras pessoas.

terça-feira, 29 de junho de 2021

O protagonismo em Naruto


Estou finalmente assistindo à serie Naruto, algo no qual eu deveria ter feito antes, mas acredito que estou fazendo no momento certo. Este anime é um clássico no sentido literal da palavra: algo eterno de fácil entendimento para todos. É comum pensar que o clássico existe apenas nas "belas-artes": música, literatura, pintura, cinema, escultura, dança e arquitetura. No entanto, a própria variedade na expressão humana cria novos clássicos em novas áreas.

Existem clássicos entre os desenhos animados, em especial os desenhos animados japoneses (animes). É normal não ser feita essa associação, principalmente por se viver em uma época em que os clássicos não são mostrados como tais, mas como coisas distantes e incompreensíveis para a maioria das pessoas. Talvez eu já tenha comentado sobre antes, mas vale a pena observar novamente.

Um comentário na internet me chamou a atenção e me inspirou a escrever este post: Naruto só venceu tais e tais lutas por causa do seu protagonismo. No contexto, o autor do comentário quis dizer que Naruto só consegue conquistar seus objetivos por ser o protagonista do anime. Entretanto, é possível abrir o comentário a outras interpretações: 2. Naruto realmente conseguiu superar as adversidades de sua vida e conquistou o que sempre sonhou e 3. Naruto só conseguiu o que quis por já ter predisposição para tal.

Uma coisa boa de falar sobre Naruto é que não há aquele problema com spoilers, afinal a história é revirada ao avesso todos os dias na internet.

Talvez a primeira interpretação do comentário seja a mais rasa das três. O fato de ele ser protagonista não quer dizer exatamente que ele seja o maioral: vide outras ficções como Harry Potter, onde Hermione realmente faz as coisas acontecerem, ou mesmo na franquia The Legend of Zelda, em que chegam a achar que o Link é a Zelda por ser a figura principal de todos os jogos. A história de Naruto conta a superação de uma pessoa para alcançar seus sonhos.

Irei comentar da terceira interpretação: Naruto é filho do Quarto Hokage (líder) de sua vila, considerado um gênio. Ele possui dentro de si a mais poderosa besta de cauda (um tipo de espírito primordial), e capacidade energética para controlá-la. Foi treinado por alunos e pessoas próximas a seu pai, todos grandes ninjas reconhecidos. Ou seja, não haveria como sair deste caminho: ele seria grande quase que por osmose.

O próprio anime anula essa hipótese: Naruto foi rejeitado pela vila, por trazer dentro de si o ser que quase a destruiu. Ele mesmo não tinha muita habilidade e esperteza como seu pai, sendo subestimado constantemente, seja por conhecidos, seja por inimigos. Apenas ser o filho do Quarto Hokage não lhe deu nenhuma vantagem, já que o assunto era proibido de ser comentado.

A segunda hipótese é a que explica o real sentido de protagonismo: a pessoa que assumiu a vida nas próprias mãos e deu seu melhor, destacando-se por um mérito real e reconhecido por todos. No final das contas, Naruto sofreu (e superou) mais revezes do que muitos no anime: sozinho e rejeitado, teve apenas ele mesmo (e seu "bichinho de estimação" raivoso) para superar seus problemas e alcançar seu sonho de ser o líder de sua vida.

Ou seja, não foi o protagonismo que o fez conquistar o que desejava, mas ele tornou-se protagonista por conta de sua superação e de sua determinação. A história leva seu nome porque ele é importante, não por quererem "dar destaque". E é um personagem tão marcante que algumas pessoas ressentem-se dele profundamente, mesmo não sendo uma história "real". Note que a maior parte dos fãs do anime não tem Naruto como seu personagem favorito, preferindo, na maior parte das vezes, vilões ou antagonistas.

terça-feira, 22 de junho de 2021

O perigo do empoderamento feminino

Já comentei sobre empoderamento em outro post, mas acho que ficou um pouco solto. Então vamos pegar como exemplo o conhecido empoderamento feminino, a ideia de dar à mulher um suposto poder que ela supostamente não tem e assim ter uma vida melhor. Esse resumo singelo expõe a completa inutilidade de tal coisa: ajudar uma mulher a desenvolver a autoconfiança não é empoderamento, pelo menos não no atual sentido da palavra.

Tanto homens quanto mulheres precisam desenvolver o amor-próprio e a autoconfiança ao longo da vida, perante situações adversas e desfavoráveis, principalmente no atual momento. Ambos, amor-próprio e autoconfiança, baseiam-se na responsabilidade que a pessoa tem perante as próprias atitudes e escolhas, dando-lhe liberdade para trilhar o próprio caminho. O que não acontece com o empoderamento atual.

O tal do empoderamento baseia-se no erro do outro: a situação de uma pessoa é ruim porque outra pessoa o causa. Mulheres, então, sofreriam porque os homens as fazem sofrer; logo, deve-se combater os homens para superar este sofrimento, tornando leves divergências graves conflitos a serem vencidos, mas onde ambos saem perdendo.

Cria-se, então, não um espírito competitivo saudável, de buscar o melhor sempre, aprender com os erros e, principalmente, a trabalhar em equipe, mas um espírito orgulhoso, onde vencer a qualquer custo importa, mesmo que isso custe coisas realmente importantes, pois haveria algo transcendente nisso, e que outras pessoas seriam beneficiadas com tal atitude.

O empoderamento feminino deixa de lado o principal: a própria mulher. Esta não pode fazer suas escolhas, tomar as próprias atitudes, sem passar pelo tal crivo do empoderamento, pois qualquer coisa considerada "submissa" ao homem deve ser excluída sumariamente, forçando-o a concordar com a mulher mesmo ela estando errada.

Troca-se a submissão imaginária por uma submissão real mas invisível: não se comenta sobre a submissão do homem perante a mulher, ou isso é visto de forma positiva. Se houve, em algum momento, submissão feminina ao longo da História, inverter a polaridade não resolverá a situação, e não fará ninguém feliz.

No final das contas, as pessoas tendem a se isolar, pois não conseguem aceitar a opinião do outro, a visão de mundo do outro, às vezes nem mesmo a polidez alheia. Pessoas assim desunidas tornam-se vulneráveis a quaisquer pessoas ou grupos que queiram tomar o poder, pois resistências isoladas são bem mais fáceis de serem neutralizadas.

terça-feira, 15 de junho de 2021

O tal Novo Normal

Mais cedo ou mais tarde falaria sobre isso aqui. O assunto do momento é o novo padrão de normalidade existente por conta da pandemia. No entanto, esse "padrão de normalidade" apenas veio à tona: já existia há décadas, programado de forma sutil na mente das pessoas para pensarem e agirem desta forma, sem perceber os danos que isso causa.

No livro Ponerologia, o autor comenta sobre a paramoralidade, que seria um padrão moral doentio que toma conta de uma sociedade inteira, distorcendo conceitos morais básicos. É o que acontece hoje em dia: o novo normal se baseia numa moralidade doente. Ser honesto é necessário para que todos possam dar seu melhor e viver bem. Contudo, é algo complexo, sobretudo por envolver os interesses próprios de cada pessoa.

Ser honesto com o outro é necessário para que o outro seja honesto conosco, e ser punido por sua desonestidade. A atual paramoralidade relativiza esse conceito, tanto com a desonestidade aberta quanto com a condenação de supostas desonestidades - inócuas se forem analisados os casos concretos. "O importante é levar vantagem sempre" chega ao nível de se perder algo bom apenas para ver alguém também perder.

Repare que esta desonestidade é argumentada de forma intensa, apesar de não possuir base lógica nenhuma. Não adiantam argumentos lógicos: o outro simplesmente refuta por refutar. Não é mais questão de racionalidade: é questão da boa e velha subjetividade, onde se leva em consideração quem fala e não o que se fala.

Quando se passa a analisar quem falou ou fez do que a frase ou ato propriamente ditos, perde-se toda a noção de ética e moral: apenas a conveniência passa a importar. Uma pessoa está certa ou errada não por conta de racionalidade, mas se a questão irá gerar ganhos ou perdas a quem está avaliando. É comum proteger corruptos para que haja cumplicidade caso queira cometer algo considerado errado.

Acabou-se a troca de ideias. Você pode argumentar o quanto quiser, ou melhor, você deve ter o extremo cuidado, quase paranoico, ao falar com as pessoas, pois o que é dito pode gerar revezes nos quais outros não se importarão com sua situação, nem se a punição é proporcional ao que foi dito - afinal, pensa-se nas vantagens ganhas pelo ofendido e em estar, um dia, em seu lugar.

Aliás, a noção de vítima também mudou. Não é mais aquela pessoa ofendida que busca desagravo de sua situação, mas uma pessoa que busca tirar proveito de sua situação para ascender socialmente, de preferência destruindo a vida do suposto agressor, já que muitas vezes nem problema houve, mas "cava-se" qualquer coisa, dentro dos novos padrões de moralidade, para exigir retratação.

Enfim, perceba, o quanto antes, que este "novo normal" irá destruir a sociedade a partir da mente de cada indivíduo, mas não pense que haverá um caos de pessoas enlouquecidas na rua: tudo parecerá normal, organizado, tranquilo até. Entretanto, haverá a sensação de que algo não está certo, de que há algo "fora do lugar": com sorte, perceberá que as mentes foram totalmente dominadas em um novo padrão de pensamento, sem possibilidade de escapatória.

terça-feira, 8 de junho de 2021

A ilusão do direito de defesa

Depois de ouvir tantas reclamações de acusações injustas nas redes sociais, e analisando que as "contestações" que as plataformas recebem de nada resultam, e percebendo que isso ocorre em outras esferas da vida cotidiana, cheguei à conclusão de que o famoso "direito à ampla defesa e contraditório" tornou-se mera ilusão, algo da boca pra fora apenas para dizer que "a outra parte foi ouvida".

Preste atenção: as redes sociais "julgam" a torto e a direito. Todas as suas postagens não passam mais pelos crivos do absurdo (como crimes) mas pelos crivos ideológicos. Discordar de um grupo tornou-se o mesmo que desrespeitá-lo, ainda que não haja nenhuma ofensa propriamente dita. Pode-se até clicar no "discordo de sua decisão" ou "apresentar contestação": por mais que você escreva, e até apresente provas de sua argumentação, no final das contas, é como se aquilo fosse parar em um limbo e a decisão permanece a mesma.

Mesmo sem expor, as redes sociais acabam por obrigar seus participantes não só a dizer sobre o que elas querem, mas do jeito que elas querem. Você não precisa mais ser banido ou bloqueado: basta retirarem o alcance de suas postagens, chegando ao cúmulo de pessoas próximas terem que acessar seu conteúdo diretamente todos os dias. Esse tipo de coisa não existe com o feed de blog, mas isso é assunto para outro post.

O problema é quando esse tipo de postura sai da esfera virtual e passa a estar presente no cotidiano das pessoas. Reclamar de um produto ou serviço, ou mesmo de uma empresa, pode tornar-se uma celeuma por nada e ainda ter que ouvir o famoso "mas você está brigando só por isso?". Parece que o óbvio e o verdadeiro tornaram-se impropérios que proferi-los é um crime gravíssimo.

Lendo um livro incoerente, mas de grande sucesso, a autora parte da premissa de que é necessário dialogar com o contrário, entender seu ponto de vista, com exceção de determinadas pessoas, pois o que elas defendem é intolerável. No entanto, esta exceção nada mais é que a própria regra: pessoas que discordam da autora, tendo opiniões diversas das que ela defende, sem nada de ofensivo.

No final das contas, são pessoas que querem ser ouvidas a qualquer custo, mas se recusam a ouvir, principalmente quando vai além de sua própria visão de mundo. Tentam blindar-se em bolhas, sobretudo nas digitais, e buscam impedir aqueles que tentam navegar por elas. E talvez aquele verso de Fernando Pessoa que se tornou clichê faça todo o sentido: "navegar é preciso".

terça-feira, 1 de junho de 2021

Correlações Culturais

Esse é comentário de um trecho do capítulo cinco do Power vs. Force que acabei deixando de lado, achando que escreveria mais sobre. Revisei esse trecho baseado nos outros capítulos da própria obra.

Cerca de 84% da população mundial encontra-se abaixo do nível 200 de consciência, tanto é que a maior parte dos problemas da humanidade são reflexos deste baixo nível. Cerca de 8% da humanidade encontra-se acima de 400 (Razão), e 4% da população mundial está acima de 500 (Amor). Pouquíssimas estariam acima de 600 - à época da publicação da 1ª edição do livro, apenas 12 pessoas encontravam-se nesta faixa.

Se formos relacionar os níveis de consciência aos padrões sociais, abaixo de 200 estariam as sociedades primitivas, sendo que nas mais baixas estariam as sociedades nômades e primitivas. Na faixa do nível 200, começa a surgir uma estrutura semi-nômade, com um trabalho mais especializado. Já próximo a 300, surge o sedentarismo e o comércio.

Nos níveis acima de 300, o trabalho especializa-se e o ensino secundário torna-se comum. Conforme sobe-se a escala, a sociedade torna-se mais flexível, e o diálogo social amplia-se.

Em 400, surge a intelectualidade, a alta literatura, as classes profissionais, executivos e cientistas. Existe o interesse em formação intelectual, e surge a consciência política. Os empreendimentos buscam o bem-estar de toda a população, apesar de este não ser a força motriz da sociedade. Se há um salto no nível 200, outro maior existe em 500.

Sobrevivência sempre será o fator fundamental da sociedade, mas o Amor começa a tornar a vida mais colorida. Em 500 o altruísmo torna-se fator motivador, e a excelência faz parte do esforço humano. Este ambiente eleva o nível de consciência de uma sociedade por conta própria, assim como pessoas neste nível de consciência.

Conforme progride nos 500, as experiências espirituais tornam-se profundas, e surgem líderes inspiradores, cujo exemplo serve para todos.

Não se comenta sobre qual modelo político, nem sobre modelos econômicos. Isso é comentado no True vs. Falsehood, que calibra governos ao longo da História e analisa os partidos políticos americanos. Assim como a obra de Marx é calibrada em 130, os governos que seguiram suas ideias também são calibrados em níveis baixos - sobretudo quando há uma radicalização e se busca impor pela força e censura.

Por outro lado, o documento com maior calibragem é a Declaração de Independência dos Estados Unidos, calibrada em 700, por deixar claro que o objetivo da independência era permitir as liberdades fundamentais às pessoas, mesmo após tentativas de negociação com a Coroa britânica. Esta busca por valores elevados foi o que permitiu a supremacia norte-americana por décadas, levando a mensagem de liberdade e felicidade ao mundo.

terça-feira, 25 de maio de 2021

Corrupção cultural

Parece que os últimos tempos expôs uma das consequências mais graves do jeitinho brasileiro: a cultura de corrupção que existe na sociedade brasileira. Corrupção é algo tão inerente à sociedade brasileira que ser honesto tornou-se algo tão ruim que falar a verdade tornou-se algo ofensivo. Repare que, mesmo com fatos, a verdade é suprimida dos meios de comunicação, e mesmo do meio cultural.

O Brasil é um país burocrático por natureza. Há tantas regras para "evitar-se trambiques" que só através de trambiques é possível cumpri-las - como foi a União Soviética em seu apogeu. Em tempos de crise, a busca por dinheiro torna-se obsessiva a ponto da moralidade e da racionalidade serem atropeladas para "se dar bem". E essas são atropeladas de forma tal que é praticamente impossível apelar a elas para se trazer a ordem de volta.

A corrupção não está apenas na política, distante. Ela está em cada pessoa, em cada atitude que busca levar vantagem prejudicando abertamente outras pessoas - inclusive quando a pessoa critica supostos "jeitinhos" para eximir-se de sua própria culpa. Aprender a reconhecer os próprios erros e os danos reais destes é doloroso, mas é a partir daí que se pode pensar em uma mudança verdadeira.

Quanto àqueles que continuam a aproveitar-se da boa vontade alheia e a sugar a honestidade ainda existente, cabe combater o bom combate, de forma racional e honesta. Trapaças caem perante a verdade dos fatos e da exposição dos reais danos de um problema. No entanto, é necessário ter força (o que o Hawkins chama de poder) pois quem vive disso sabe se defender e atacar qualquer um que lhe tire a facilidade dolorosa.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Liberdade e escolhas

Este post será mais objetivo que os outros que escrevi sobre liberdade, pois antes de se refletir sobre a Liberdade em seu sentido mais profundo, pensando na própria existência, é necessário refletir sobre a liberdade cotidiana de poder falar, de poder escolher, de poder pensar. Percebo que há uma busca sutil, mas incessante, de se destruir toda e qualquer fonte de felicidade verdadeira, e a liberdade é uma dessas fontes.

Liberdade, no seu sentido prático, é o que permite que a vida seja vivida. Não há vida sem liberdade, por menor que esta seja. Achar que é possível viver sem liberdade é totalmente insano: a pessoa torna-se marionete de outrem, tudo torna-se falso, fingido. O grande ponto da vida é poder decidir, poder tomar a iniciativa por conta própria, algo que as pessoas têm aberto mão deliberadamente, sem perceber.

Enquanto o conceito de liberdade não for associado ao da própria vida, as pessoas abrirão mão de sua liberdade em nome de uma segurança ilusória, na maioria das vezes sem ter ideia do que está fazendo. A vida é feita de escolhas, e você é responsável por elas, sejam boas ou ruins. Por isso é tão confortável ceder a quaisquer pessoas que queiram controlar.

Obviamente, liberdade irrestrita é danosa como a ausência de liberdade, mas usam aquela como argumento para promover esta - repare bem isso. Liberdade de expressão é limitada no ponto em que o que é dito é considerado ofensivo a outra pessoa. Só que há uma diferença entre "ofensivo" e "danoso", sendo que na maioria das vezes, o "ofensivo" apenas causa danos à vaidade da pessoa. Limitar a expressão pelo "ofensivo" torna qualquer coisa dita passível de ser censurada.

Pode-se pensar que esse é um conceito subjetivo, mas não é. O que ocorre é que poucas pessoas ainda possuem um pensamento verdadeiramente racional intacto, e a maioria deixa-se levar pelos sentimentos e pelas paixões. Com isso, pessoas mal intencionadas propagam a ideia de que a "expressão deve ser limitada", mas a quê não explicam. Isso lembra o livro 1984 e o léxico sendo reduzido constantemente, para evitar que as pessoas pensassem, e assim evitar resistências ao regime.

Por mais que as escolhas sejam limitadas, as pessoas ainda devem decidir por si mesmas - e responder por tais escolhas. Apenas poucos sabem o que é melhor para os outros, e por realmente saberem, não interferem nas escolhas alheias: não lhes cabe ficar dando pitaco no livre-arbítrio alheio, somente se solicitado - e mesmo assim com reservas.

Só se percebe a importância da liberdade quando esta é perdida, e para encontrar a verdadeira Liberdade que comentei no outro post, é necessário conhecer muito bem a primeira. Desconhecer a liberdade básica da vida cotidiana é viver em um pesadelo disfarçado de sonho: algo está muito errado, mas como não se conhece outra alternativa, conforma-se com o que é oferecido.

terça-feira, 11 de maio de 2021

A Era do Palpite


A situação atual abriu precedente para as pessoas no geral darem palpite na vida alheia de forma cada vez mais invasiva, como se fossem evoluídas a ponto de saber o que é melhor para os outros. Curioso é que quanto mais se progride nos níveis de consciência, mais se respeita as "más" escolhas alheias - afinal, todos têm o direito de errar. Infelizmente, o limite para esse tipo de invasão foi rompido e não percebem o quão perigoso isso é.

É normal, e até saudável, dar sua opinião para outra pessoa - principalmente quando solicitado. A visão que outra pessoa possui de sua situação geralmente abarca ângulos não visíveis para nós. Pode-se então pensar em pais e professores nos processos de educação e de formação intelectual: visões de mundo são apresentadas para ampliarmos nossos horizontes e nos tornarmos pessoas melhores.

Sempre se buscou (pelo menos até certo ponto) respeitar o limite do outro, a famosa individualidade. O fato de como uma pessoa pinta o cabelo ou usa uma meia de cada cor não significa absolutamente nada, mesmo gerando os famosos preconceitos - sobre os quais ainda há muitos posts por fazer. No entanto, sempre houve a vontade de se ditar o que o outro deve fazer, mesmo nas coisas mais banais.

Deve haver um claro discernimento de quando intervir ou não, pois realmente há casos nos quais uma boa conversa é necessário - justamente os casos em que os palpiteiros não querem dar palpite (para ver o outro ter problemas, talvez). Quando algo pode afetar sua saúde, e mesmo sua sanidade, é necessário chegar, conversar, entender e agir.

O problema está sendo quando não é algo de grande monta a afetar o palpiteiro, mas a sensação de "dever cívico" criada por uma situação que fornece todo um suporte para a pessoa falar sem ao menos entender a realidade da própria vida - quanto mais a do outro. Talvez neste contexto a expressão "os incomodados que se mudem" poderia ser uma boa resposta.

É o apoio que os tiranos apreciam, pois a força de repressão pode ser direcionada em casos mais drásticos, enquanto que a própria população ocupa-se em "regular" a vida alheia. Tiranias apenas duram porque as pessoas que vivem nelas buscam uma forma de tirar vantagem, mesmo que para isso precisem prejudicar sem quaisquer justificativas.

terça-feira, 4 de maio de 2021

Como sobreviver em tempos difíceis parte 4

Seria burrice de minha parte esquecer de um ponto tão importante: o humor. Note que quando a situação começa a ficar triste, uma das primeiras coisas a ser "caçada" é o humor. Tudo fica ofensivo: de uma piada a um gracejo. Já falei aqui no blog que o politicamente correto é um veneno disfarçado de coisa boa, pois as pessoas tentam ser respeitosas, mas são criadas cada vez mais exigências para "ser educado".

Não deixe de rir, nunca. Tire graça da situação, sobretudo das mais absurdas. Da música "Ria do Fantasma" de My Little Pony ao feitiço "Riddikulus" da série de livros Harry Potter, rir do que quer se impor sobre nós através do medo é algo temido por aqueles que tentam amedrontar. Por isso distorcem tanto o conceito de humor, transformam em algo militante, imbecil, tiram a graça do negócio.

Perceba o quanto as coisas engraçadas tornaram-se "ofensivas": fobia disso, fobia daquilo, intolerância, discurso de ódio... Apenas sobre determinados assuntos, e de algumas formas apenas, você pode fazer graça - nem de longe isso é humor. Você pode pensar que há certas coisas realmente ofensivas, e não vou discordar.

No entanto, deve-se reaprender a discernir o que é ofensivo do que não é, e do que precisa ser realmente ofensivo... Rir do fantasma é necessário, mas o "fantasma" se ofende. Criaram fantasmas dos quais "devemos rir", mas nos proibiram de rir dos fantasmas reais. Se eu estava procurando há alguns anos o limite da zueira, eu finalmente o achei: quando sai da ofensa necessária e vai para a ofensa gratuita e desnecessária, e isso pede uma reflexão mais acurada.

Estão pintando esta ofensa gratuita como humor se for feita para determinadas pessoas, e considerando isso como o único tipo de humor válido. Pensando no que já foi escrito neste post, há muito mais, e melhores, formas de humor e troça possíveis, disponíveis, e saudáveis. Parar de rir dá uma sensação de endurecimento, como se a pessoa estivesse enferrujada, e quando se volta a dar risada, é como se as coisas voltassem a fluir normalmente.

terça-feira, 27 de abril de 2021

Como sobreviver em tempos difíceis parte 3

Acho que essa série de posts vai se estender um pouco mais. As ideias vêm em minha cabeça, baseado no que eu já escrevi aqui, seja sobre Reiki, sobre o livro Power vs. Force, as resenhas diversas e algumas reflexões. Vive-se uma guerra mental, para a qual ninguém está preparado e todos foram muito bem anestesiados sobre. Deve-se aprender como funciona a mente para utilizá-la ao seu favor, enquanto bombas mentais explodem por todos os lados.

Uma coisa que não comentei ainda é sobre empatia. Falei sobre respeitar as pessoas e ser gentil, isso é importante para desenvolver a própria serenidade e cuidar de si mesmo. Contudo, buscar entender a dificuldade que o outro passa pode não só ajudar a nós mesmos como também ajudar o outro a se entender.

Nessas épocas de dificuldade, cultivar a compaixão é fundamental, mas não se iluda: há pessoas mal intencionadas que se aproveitam da situação para não só tirar vantagem, mas para prejudicar deliberadamente outras pessoas, podendo estar, inclusive, ligadas à manutenção da situação, o que deve ser combatido, como falei na primeira parte.

Não abaixar a cabeça a absurdos é ter compaixão por aqueles que não podem fazê-lo, pelo motivo que for. O próprio silêncio abre espaço para que absurdos cresçam desproporcionalmente. Note que falar a verdade tornou-se tabu, com as piores desculpas possíveis: grosseria, falta de provas (mesmo quando estas abundam), sentir-se ofendido, entre outras baboseiras.

A verdade sempre deverá prevalecer, mesmo que lhe cause prejuízos - essa é a famosa integridade. Note que aqueles que tentam relativizar a verdade são aqueles que sempre tentam levar vantagem sobre as pessoas prejudicando-as - o que é totalmente diferente de você aproveitar uma situação para aprender e crescer.

A tríade platônica, no final das contas, pode servir de bússola para se orientar em tempos difíceis: o bom, o belo e o verdadeiro. O bom sempre será belo e verdadeiro, assim como o belo é bom e verdadeiro, e a verdade é boa e bela. Esses conceitos não são relativos, mas possuem tantos detalhes que podem tornar a regra confusa.

E como já deu para perceber, o contato com os clássicos é fundamental nesse período sombrio, nas mais diversas vertentes: música, filosofia, literatura, etc. Lembrando que os clássicos não são apenas obras antigas, mas são obras perenes: muitas obras antigas não deveriam ter a relevância que lhe atribuem, assim como muitas obras atuais são esquecidas por não terem "envelhecido o suficiente".

A característica principal de um clássico é a sua simplicidade: ele é feito para todos, de qualquer lugar e de qualquer época. São fáceis de serem entendidos, como uma música, uma pintura ou um livro. E quanto mais obras são absorvidas, mais fáceis outras se tornam de absorver. Fora que o contato com obras elevadas eleva o nível de consciência da pessoa.

terça-feira, 20 de abril de 2021

Como sobreviver em tempos difíceis parte 2

Achei que daria para escrever tudo em apenas um post, mas como o anterior alongou-se de forma inesperada, irei continuar minhas sugestões em outro post, agora com a dúvida se vou conseguir esgotar o assunto em apenas duas postagens. Fora que seria interessante detalhar algumas coisas do que estou sugerindo aqui, o que requer posts extras.

Não pense que me esqueci da religião - é que, em um primeiro momento, pensei em coisas mais práticas, mais cotidianas, e, infelizmente, falar de religião virou algo complexo. Na maioria das vezes, a experiência com o divino diverge da dogmática da instituição religiosa. A coisa fica mais complexa quando se está falando de uma época em que as coisas estão mais turvas do que o normal, e discernir uma real experiência da mera viagem na maionese torna-se um trabalho hercúleo.

É complicado falar sobre experiências religiosas válidas em uma época em que até os religiosos estão corrompendo as pessoas, deliberadamente ou não. Talvez isso explique por que eu não tenha falado disso antes. Isso requer uma reflexão maior por parte do leitor, o que não caberia em um post, seja pelo tamanho, seja pela polêmica.

Assim como falar sobre trabalho. Além de estar mais difícil arranjar um emprego, está mais difícil manter-se em um - com a impressão de que há uma ação deliberada para um desemprego em massa e uma crise econômica forçada. Continuar se esforçando, dar o melhor sempre, no máximo de circunstâncias possíveis - já que nem todas são possíveis - é uma sugestão quase óbvia também, se não fosse a observação de que, pelas circunstâncias já citadas, parece haver um movimento para enlouquecer as pessoas.

Começaram a aparecer dificuldades em lugares antes inexistentes, gerando uma sobrecarga de obrigações que tiram não só o tempo para pensar, mas a disposição para tal. Parar para pensar é necessário, mais do que nunca: refletir sobre os fatos, sobre o que deve ser feito, não se deixar levar pelo desespero. Sempre haverá uma saída, mas é necessário vê-la, senti-la.

Manter contato com pessoas queridas pode ser uma boa alternativa, se estas pessoas realmente lhe fazem bem. Notei que atualmente as pessoas se afastaram mais do convívio, não apenas pelas dificuldades, mas pela conveniência, o que pode ser útil para conhecer (de verdade) as pessoas que o rodeiam.

Sempre aproveite as circunstâncias ao seu favor. Cada situação difícil pode ser revertida em algo de útil e proveitoso, além do aprendizado. Não se sabe quando e o quanto as coisas vão piorar (mais ainda), ou mesmo se elas irão melhorar. Não adianta bater o pé e querer voltar no tempo, quando as coisas não eram tão ruins assim.

Por outro lado, todo desabafo é válido e necessário. Há horas em que só é necessário por pra fora, sem esquecer que há hora pra começar e hora pra terminar o desabafo: pode ser que haja um período de luto, mas este não deve ser estendido. Chore o que achar necessário, fique com a cara pra baixo o tempo que achar suficiente, mas isso precisa terminar e você precisa seguir em frente.

terça-feira, 13 de abril de 2021

Como sobreviver em tempos difíceis

Talvez eu possa fazer mais de um post sobre este assunto, talvez não, mas acho ser necessário escrever sobre, afinal é relativamente fácil escrever sobre os tempos sombrios em que nós vivemos, mas é difícil explicar como sobreviver a eles sem perder a sanidade. Percebo que algumas pessoas já se perderam e não têm consciência disso - pior, querem te enlouquecer também.

Basicamente, o ideal é se evitar fontes ruins e se aproximar de fontes boas, nos mais diversos aspectos. No entanto, como eu disse em outro post, a primeira situação é difícil, e mais difícil ainda é distinguir o que é realmente bom do que é realmente ruim. Inoculam padrões baixos de consciência nas coisas mais simples e mais corriqueiras.

Talvez a primeira, e mais simples, sugestão mais simples que eu dê aqui é de evitar as músicas da moda. Se não todas, a maioria delas, geralmente as que estão "na boca do povo". Suas letras remetem não a frivolidades, mas a coisas realmente ruins: inveja, deslealdade, orgulho. Andar com fones de ouvido na rua não é "frescura", mas se tornou um fator de sobrevivência.

Não vou falar aqui "ouça apenas música clássica", como alguns pensam com enfastio, mas não deixa de ser verdade: este tipo de música realmente é capaz de elevar a consciência e trazer paz ao coração. Músicas instrumentais no geral são boas alternativas, assim como as standards (aqui no Brasil conhecidas como "românticas"). Algumas trilhas sonoras de videogames podem se encaixar nesta categoria, sobretudo se a história do jogo for edificante.

Evitar pessoas tóxicas, minha segunda sugestão, não significa afastar-se delas, afinal podem ser pessoas importantes para sua vida. Converse o mínimo necessário, não concorde com o que ela diz logo de cara ("ah, eu não sabia disso, vou pesquisar mais sobre, obrigado"), nunca deixe de ser educado e respeitoso. E deixe seu limite bem claro.

Por falar de educação e respeito, por conta destes tempos, as pessoas têm sido muito grossas. Ser gentil (até para observar, é o quinto princípio do Reiki) não fará com que o outro o seja, mas lhe trará serenidade nestes tempos difíceis para lidar com as situações. Não há motivo para não ser gentil, o que não significa, de jeito nenhum, abaixar a cabeça perante absurdos. Absurdos devem ser combatidos dentro do que for possível, e você entendeu o que eu quis dizer.

Acredito que a maior parte da mídia hoje em dia esteja mais preocupada em enlouquecer as pessoas do que informá-las, ou seja, evitar a maior parte dos noticiários não é alienar-se do mundo, mas sim evitar carregar um peso maior do que se pode suportar em matéria de atratores. A maior parte dos noticiários são planejados para dar certo efeito nas pessoas, seja na escolha das matérias, seja na forma como estas são veiculadas.

Buscar meios alternativos de informação virou questão de sobrevivência mental. Ir à fonte da notícia deixou de ser trabalho exclusivo do jornalista para tornar-se atividade corriqueira para se saber o que realmente aconteceu, ou pelo menos para se ter outras versões do ocorrido, e aí sim formar um juízo verdadeiro sobre.

terça-feira, 6 de abril de 2021

Resolução

Finalmente chegamos ao último capítulo do Power vs. Force. Percebam duas coisas importantes: a primeira é que alguns capítulos já foram explicados em outros posts, só que sem especificar quais; a segunda é que vou fazer uma série de posts sobre cada nível de consciência, emendando com uma série de resenhas do livro Transcending the Levels of Consciousness, Transcendendo os Níveis de Consciência, no qual o autor vai descrever cada nível em específico.

Neste capítulo, Hawkins comenta que a ideia do livro era ser um tratado objetivo sobre moralidade para que as pessoas possam tomar decisões relativas às mais altas condutas de vida - a maior parte dos problemas de hoje em dia derivam da falta de diretrizes para tomar decisões. Absorver o conhecimento deste livro eleva, em média, 35 pontos da consciência do leitor.

Da década de 1980 até 2012, o nível de consciência médio da humanidade saltou de 190 para 204. Como eu já tinha comentado anteriormente, não acredito que tenha se dado pelo aumento do nível de consciência de um grande número de pessoas, mas a evolução de quem já estava em um nível mais elevado.

Uma recomendação que Hawkins dá neste capítulo é a de evitar o contato com coisas e pessoas calibradas abaixo de 200: praticamente tudo que nos rodeia. Um momento de afastamento para "desintoxicar" pode ser de grande ajuda, mas aprender a lidar com níveis inferiores é melhor ainda: é como uma vacina contra dissabores futuros, como o Efeito Matrix.

Não acredito ser possível aprender a discernir o verdadeiro do falso apenas evitando este. Como já escrevi em alguns posts sobre meditação, e assim como a meditação só é realmente efetiva quando você consegue levar este estado de tranquilidade mental para o cotidiano, você só consegue neutralizar de forma efetiva a falsidade quando aprende a lidar com ela.

Obviamente não estou dizendo para manter os mesmos hábitos e achar que vai conseguir mudar alguma coisa. É uma via de mão dupla: você troca seus hábitos negativos por hábitos positivos e melhora sua consciência, e conforme sua consciência evolui, os hábitos negativos são deixados de lado de forma natural e permanente.

Não é possível defender-se intelectualmente os campos atratores baixos. A partir do amor e da oração é possível desembaraçar-se desses campos, a salvação está dentro de cada pessoa. Superar o ego não é suprimi-lo, mas trabalhá-lo, transcendê-lo. Ele é a fonte do sofrimento por querer manter as coisas como estão, e além dos paradoxos é possível transcendê-lo. A pessoa pode optar não ser mais escravizado pelas trevas.

terça-feira, 30 de março de 2021

Em Busca da Verdade

No Capítulo 23, o penúltimo do livro Power vs. Force, é analisado o nível de consciência das principais religiões do mundo. Antes de começar a resenhar o capítulo, é necessário um esclarecimento: apesar de estarmos nos últimos capítulos do livro, este ainda possui três apêndices (A, B e C), um glossário e notas sobre o autor, biográficas e autobiográficas - não pretendo me estender sobre elas.

O estudo de Hawkins sobre religião deixa clara a diferença entre a instituição religiosa e a fé. Religiões que se "politizaram" tiveram grande queda no nível de consciência, surgindo ramos "religiosos" calibrados abaixo de 200. Religiões mais "espiritualizadas" tiveram uma queda menor. A queda se dá pela má interpretação do ensinamento religioso, ou a distorção deste ensinamento por conta de interesses mundanos.

Para pessoas em níveis mais baixos, a verdadeira experiência espiritual não passa de boatos ou, pior, de coisas malignas. As seitas fundamentalistas estão calibradas no mesmo nível que os grupos criminosos. Estas seitas proliferam-se porque as pessoas não têm critérios para distinguir o verdadeiro do falso: estes grupos acabam por prosperar dentro das grandes religiões, distorcendo ensinamentos e subvertendo suas intenções.

Aliás, as seitas não precisam ser religiosas, sendo o comunismo um grande exemplo - apesar de não ser este usado no livro. Não irei pegar o exemplo do Hawkins, mas ambos são praticamente iguais: antirreligiões que se baseiam em antidivindades, com grande poder destrutivo. Ambos espalharam suas armadilhas pelo meio cultural, sendo populares entre os jovens, gerando campos atratores principalmente pela música.

Estes campos destrutivos são patogênicos, gerando pontos de acupuntura "explodidos" e dessincronização dos hemisférios cerebrais. A pessoa fica em transe contínuo no qual é suscetível à sugestão violenta, propensas a destruições irracionais sem saber o motivo - sugestões pós-hipnóticas e inconscientes que persistem.

O corpo fica fraco, podendo haver uma inversão da resposta cinesiológica: ao invés de responder fraco à calibragem, o corpo responde forte, e vice-versa, tamanha intensidade de energia negativa, gerando subserviência além das forças de sua compreensão e danos permanentes ao organismo. Uma sociedade hipocritamente puritana encoraja uma constante sedução de perversão. Esta programação negativa atinge jovens e adultos, causando transtornos ao sistema de acupuntura.

O "certo" e o "errado" existe apenas em níveis de consciência mais baixos. O discernimento deve substituir o moralismo, que se torna insignificante no nível 500 e irrelevante em 600. A razão nunca forneceu ao homem uma moral sólida, levando do caos da ignorância a um labirinto intelectual igualmente desconcertante.

Como falei anteriormente, Hawkins afirma que o poder dos 15% acima dos 200 contrabalança o restante da população abaixo de 200, assim como um avatar de nível 1000 contrabalança a negatividade da humanidade inteira. Hawkins também fala das proporções de equilíbrio das pessoas em virtude de seus níveis de consciência:

  • um iluminado (nível 700) contrabalança 70 milhões de pessoas abaixo de 200;
  • uma pessoa no nível da Paz (600) contrabalança 10 milhões;
  • uma pessoa no nível do Amor (500) contrabalança 750 mil;
  • uma pessoa no nível da Razão (400) contrabalança 400 mil;
  • uma pessoa chegando à Disposição (300), contrabalança 90 mil.
  • Por fim, 12 indivíduos iluminados correspondem a um avatar de nível 1000. Se não fosse esse equilíbrio, a humanidade haveria se extinguido em sua própria negatividade.

Deve-se considerar, no entanto, as pessoas que possuem calibragem negativa, como dito anteriormente no post, e mesmo o que eu já comentei no blog. Pessoas de consciência negativa acabam por gerar mais problemas à humanidade do que pessoas pouco evoluídas.

A verdade, do ponto de vista social e comportamental, é um conjunto de princípios pelos quais as pessoas vivem, independente do que possam dizer que acreditam. Já a Verdade deriva sua validade das fontes últimas além da influência de qualquer campo de percepção localizado. Não representa personalidade nem opinião, e não varia com a condição do sujeito ou ambiente de teste.

A ignorância é dissipada na luz, a desonestidade não resiste à verdade. Assumir a responsabilidade pela verdade é elevar-se dos níveis inferiores para 200, o ponto crítico para o Poder e o ponto de partida para os níveis mais elevados. A coragem para enfrentar a Verdade eleva a pessoa para a Aceitação, nível 350. Ao superar a maioria dos problemas sociais do homem, eleva-se a 500, o nível do Amor.

Conhecer a própria fraqueza e as fraquezas humanas dá origem ao perdão e esta à compaixão. A compaixão é a porta para a Graça, para a realização final de quem somos e por que estamos aqui, e a fonte última de toda a existência.

terça-feira, 23 de março de 2021

Esforço Espiritual

Chegamos ao capítulo 22 do livro Power vs. Force. Como falei anteriormente, alguns capítulos já foram resenhados aqui sem referência direta, o que pode parecer confuso - e mesmo alguns tópicos de alguns capítulos. A última parte do livro - Significado - é a parte mais elevada, e a mais complicada, da obra como um todo.

É muito fácil falar dos níveis de consciência - estes serão abordados em postagens individuais para cada um, além dos resumos feitos. Difícil é buscar entender como esse processo se desenrola, tendo em vista que para quem está mais adiantado as coisas fluem com mais facilidade, o que não acontece para quem está começando - ou mesmo para aqueles que nem querem saber disso.

A pura consciência representa o poder infinito e a fonte de energia infinita de toda a existência. Dentro deste potencial, o não-manifesto manifesta-se através dos Grandes Avatares, calibrados em 1000 (limite de consciência neste planeta). Logo abaixo estão os instrutores iluminados que ensinam o caminho para a realização do Eu.

O Ser foi descrito pelos iluminados como infinito, sem forma, imutável, onipresente, não-manifesto-e-manifesto. Estudos sobre isso estão calibrados em 700, ou seja, lê-los pode ajudar a desenvolver a consciência. No nível 600, o pensamento comum cessa, a ilusão da separação desaparece, e surge um estado de Paz além de todo o entendimento, amor infinito e incondicional, além da consciência de que o não-manifesto é uno com o manifesto.

Os estados verdadeiramente espirituais começam em 500 (Amor), sendo aqueles conhecidos como santos calibrados entre 500 e 600. O nível de consciência elevado força o das pessoas em torno a elevar-se também, o que entre pessoas comuns gera desconforto (algo do qual comento continuamente no blog), mas para aqueles que buscam o desenvolvimento espiritual chega a ser angustiante afastar-se de pessoas evoluídas.

A dificuldade no processo evolutivo está em afastar-se de campos de energia inferiores, tão abundantes e partes importantes de nosso cotidiano. Sobretudo para níveis logo acima de 200, é necessário afastar-se de hábitos ligados aos níveis abaixo para poder continuar a se desenvolver. Por outro lado, enquanto a Razão (400) é invejável para quem está em 300, por exemplo, ela torna-se trivial para quem está acima de 500, sobretudo por possuir suas limitações.

Acredito que eu já tenha comentado em outro post que alguns gênios da humanidade "travaram" no nível 499, por não desenvolver a consciência espiritual. A Razão é o segundo grande divisor de águas dos níveis de consciência, o primeiro é a Coragem. Alguns cientistas foram lançados para além da Razão através dos próprios estudos.

O próprio livro Power vs. Force tem por objetivo não só ajudar aqueles a desenvolver sua consciência, mas também para explicar como funciona a mente de quem está além da Razão e da dogmática. São pessoas que não possuem "consciência", mas esta faz parte da vida delas.

terça-feira, 16 de março de 2021

Características da Consciência Pura

Dentro do capítulo 21, onde Hawkins fala sobre os estudos científicos a respeito da consciência, há uma descrição sobre a consciência pura. O capítulo, em resumo, comenta que não há estudos científicos sobre a consciência em si, sendo-a considerada mera função do cérebro, o que acaba por limitar a percepção diante de outras questões, como por exemplo a noção de vida após a morte.

A visão de consciência está ligada ao conceito jungiano de self. Quanto mais limitado este for, menor será seu parâmetro de experiência. Como explicado ao longo do livro, padrões limitados de consciência limitam o campo de experiência humana. Pobreza não é apenas um estado econômico, mas é fruto de uma autoimagem limitada, que gera a escassez de recursos.

É necessário algo maior para experimentar algo menor, como a mente experimenta o corpo. Dessa forma, os pensamentos não pensam por si mesmos - a consciência está além de todos os fenômenos e é fonte da experiência. Os pensamentos fluem pela consciência como os peixes pelo oceano: a existência do oceano é independente do peixe, assim como o conteúdo do mar não define a natureza da água.

A consciência ilumina o objeto - tanto é que toda a literatura a define como luz. Identificar-se com o conteúdo da consciência é apenas uma experiência limitada, enquanto que se identificar com a consciência é saber que o real self é ilimitado - uma condição para a iluminação. Uma característica da pura consciência é a intemporalidade da percepção: a consciência é experimentada além da forma e do tempo e vista em todos os lugares como igualmente presente.

A iluminação é um estado de unidade, onde não há divisão - a experiência da consciência é vista como algo além da mente, um estado de Sabedoria livre de pensamentos, completo, sem necessidade nem desejo, além da limitação de experimentar como algo meramente pessoal e individual.

Outra característica da consciência pura é a cessação do fluxo de pensamentos e sentimentos. Surge, então, uma presença de um poder ilimitado, além de compaixão e amor ilimitados, tornando-se um Self infinito. A consciência como Self é a culminação do processo de eliminar identificações limitadas. A iluminação é rara não pela dificuldade em alcançá-la, mas pela falta de interesse nas pessoas, afinal, quem quer ser iluminado?

terça-feira, 9 de março de 2021

A base de dados da consciência

A última parte do Power vs. Force, Significado, começa no capítulo 19, onde Hawkins faz reflexões mais profundas sobre os campos de consciência. A "base de dados de consciência", chamada assim pelo autor, já foi citada no post sobre empirismo, onde eu comentava sobre as pessoas conseguirem acessar informações de forma "inconsciente", por um processo dedutivo que está mais próximo ao download de conhecimentos diversos para a mente em Matrix do que um exercício de raciocínio.

Nessa base de dados haveria todo o conhecimento descoberto e por descobrir, podendo ser acessado de diversas formas, sendo que todas as pessoas estão ligadas a ele. Se formos pensar na teoria da realidade simulada, em que estaríamos em uma simulação programada exteriormente, faz todo o sentido estarmos ligado aos servidores em que o conhecimento possível de ser executado dentro da simulação estivesse alocado.

O paranormal torna-se possível por considerarmos como uma possibilidade de acesso a essa base de dados de uma forma alternativa. Hawkins lembra que preocupar-se com coisas não racionais faz com que as pessoas tropecem em suas próprias contradições e inconsistências lógicas (ou ilógicas): as constelações são conjuntos de estrelas que estão longínquas entre si, mas que do ponto de vista terrestre parecem estar no mesmo plano.

A causalidade ocorre de forma simultânea, não sequencial como é propagado por aí: a sequência é devido à observação dos fatos. Estes são ligados por uma espécie de campo, como o magnético, que inclui os eventos. Se não fosse a mente de observador, os eventos não seriam conectados. A consciência humana é o agente por onde um conceito inexistente é transformado em experiência manifesta. O que "aconteceu" na consciência de uma pessoa também permanece gravado na base de dados de todos.

As pessoas normais estão preocupadas em transformar o invisível em visível, do campo atrator para o nível sensorial. Alguns indivíduos extraordinários vivem com a mente neste campo atrator, e os que vivem no campo de pura consciência, para Hawkins, são os denominados místicos. Para estes, a origem de tudo é óbvia, e não há interesse em fazer as coisas visíveis, pois para elas já o são. São pessoas que criam coisas novas e transferem o gerenciamento para outras, como nas quatro estações.

Em um nível mais avançado, os místicos acreditam apenas na realidade invisível, e que o que chamamos de "realidade" não passa de "sonho" ou mesmo de uma "ilusão", como na teoria da realidade simulada. Não há o "real" nem o "não-real", mas apenas o que é. Existência sem forma não é fácil de se imaginar, mesmo sendo a realidade final.

A criação é algo contínuo, completo em sua incompletude. Não há uma sequência de fatos, mas um desdobramento de acontecimentos. A fonte de toda a vida e de toda a forma é maior que suas manifestações, e mesmo assim não se diferencia ou está separada. Logo, o tempo é um lugar de percepção de um holograma que já está completo - não há começo ou fim em um holograma. Os paradoxos dissolvem-se em um paradigma que inclui ambos os opostos, em que os opostos apenas são a localização do observador.

O Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, permanece além de ambos, inclui ambos e é uno com ambos. A existência é um estado em que a consciência é consciente de sua consciência e de sua expressão como tal. Só há uma verdade absoluta: todo o resto são semi-fatos gerados dos artifícios da limitada percepção. Em último caso, não existe dualidade ou não-dualidade: existe apenas percepção.

A percepção em si está além da consciência. O Absoluto é desconhecido por estar além do conhecimento, além da própria consciência. Os que relatam este estado de consciência não conseguem descrever, e acaba por não fazer sentido para quem não teve uma experiência neste sentido. Este é o verdadeiro estado de Realidade, que não é possível reconhecer, como uma resolução final da evolução da consciência até o ponto da autotranscendência.

terça-feira, 2 de março de 2021

Bem-Estar e o processo de doença

O capítulo 18 de Power vs. Force é praticamente uma continuação do capítulo anterior. Se antes Hawkins comentou sobre a saúde estar atrelada aos padrões energéticos, neste capítulo Hawkins comenta sobre como os padrões energéticos geram os problemas de saúde, encerrando a parte 2 do livro. Cabe ressaltar que outros capítulos foram tratados em outros posts deste blog, sem referência específica a quais o foram. Isso não significa que os próximos serão tratados individualmente.

Como comentado no post do capítulo anterior, emoções podem gerar problemas de saúde, dependendo a quais padrões atratores estão ligados. No documentário Quem somos nós, pesquisadores afirmam que as pessoas tendem a se viciar em neurotransmissores, buscando situações nas quais haja a liberação dessas substâncias, em especial situações negativas. Isso explicaria porque as pessoas, no geral, acabam por permanecer com os mesmos problemas e situações.

Uma leve variação no padrão energético pode resultar em um salto harmônico e evoluir o padrão inteiro. Com isso há o que é chamado de turbulência: um descontrole emocional temporário até um novo nível de homeostase ser atingido. Já pensamentos de baixo padrão atrator, se constantemente repetidos, manifestam-se em problemas de saúde.

O principal exemplo usado por Hawkins neste capítulo são os Alcoólicos Anônimos, cuja estratégia, criada pelo seu fundador, é justamente mudar por completo os padrões mentais de seus membros, permitindo que evoluam suas consciências e se afastem, em definitivo, do vício em álcool. Cada mudança radical é desorientadora, é necessário suportar o desconforto temporário do crescimento. A recuperação de qualquer doença requer disposição para explorar novos caminhos de busca de si e da vida. Nisso inclui a capacidade de suportar os medos internos quando seus sistemas de crenças forem abalados.

Maldade realmente torna as pessoas doentes. Cada pensamento rancoroso é um ataque à fisiologia do organismo, assim como cada risada o recupera. E cada piada nos lembra que a realidade é transcendente, além dos detalhes do cotidiano. Risada traz aceitação e liberdade, é uma ameaça à força e à intimidação: é difícil oprimir um povo com senso de humor. A falta de humor é sempre acompanhada pelo impulso de dominar e controlar, mesmo que seja com o objetivo de criar prosperidade e paz.

Uma cura só pode ocorrer pelos progressivos passos de elevação do propósito e do abandono da auto-decepção, para atingir uma nova claridade visual. Assim como um acidente é prenunciado por vários "pequenos passos" preparatórios. O processo de doença é evidência de que algo está errado no trabalho da mente - tratá-la apenas como um processo físico não corrige a origem da disfunção, sendo mais paliativa do que curativa.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Saúde Física e Poder

Indo ao capítulo 17 do livro Power vs. Force, Hawkins comenta sobre como os padrões atratores elevados estão ligados à saúde. A motivação de uma pessoa está ligada aos seus princípios, e o efeito desta ligação supera o relativo a causas psicológicas. Logo, quanto mais elevados são os princípios aos quais uma pessoa está alinhada, mais saudável ela é.

No entanto, eu tenho que observar que, dependendo do local onde uma pessoa ligada a altos padrões se encontre, ela pode vir a sofrer problemas de saúde devido ao excesso de caixa de baixo padrão. Como as pessoas no geral recusam-se a crescer e a ligar-se a estes padrões, é criada uma tensão entre um evoluído e massas de involuídos, onde o primeiro também sofre prejuízos.

Claro que uma pessoa evoluída tende a lidar com essa situação de forma mais serena e a se recuperar de forma mais rápida. Contudo, existe a falsa ideia de que uma pessoa evoluída é literalmente imune a qualquer mal que lhe seja dirigido. Não é bem assim: se um "ataque" for de pequena monta, obviamente os efeitos inexistirão. Só que, como a maioria dos "ataques" não são isolados, os efeitos são sentidos.

Voltando ao livro, Hawkins afirma que o sistema nervoso central possui capacidade de distinguir os níveis de padrões ao redor da pessoa. Se altos padrões energéticos geram saúde, baixos padrões geram doenças. Tratamentos energéticos buscam elevar esses padrões alojados no organismo para recuperar a saúde, como quiropraxia, acupuntura e reflexologia.

Para a recuperação de doenças, é necessário mudar o padrão de vida. Sem essa mudança de padrão, o problema certamente retornará. Grupos de autoajuda são prova disso: é necessário a pessoa decidir sinceramente que deseja mudar, e permitir que a mudança aconteça, por mais sofrimento que ela sinta.

Em medicina, é comum falar que o stress pode gerar diversos problemas de saúde. No entanto, a dificuldade está em encontrar a fonte deste stress, que geralmente é o próprio padrão de vida da pessoa. O que ativa o stress não são as situações da vida, mas as reações perante eles, que são baseadas nos princípios nos quais estamos alinhados, o que foi comentado no começo deste post.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Sobrevivendo ao sucesso

No Capítulo 16 do livro Power vs. Force, Hawkins comenta sobre o sucesso, que geralmente é associado a baixos padrões atratores. De forma geral, as pessoas associam sucesso a dinheiro e ao "poder", mais próximo ao conceito de Força do Hawkins do que ao próprio conceito de Poder desenvolvido ao longo do livro. O verdadeiro sucesso não está associado a apenas uma ou poucas realizações, mas a toda uma vida bem sucedida, que beneficia a todos que estão em volta.

A mídia no geral acaba por confundir sucesso com celebridade, sendo que esta acaba por corroer a saúde e o espírito das pessoas - o que explica tantos "famosos" que têm suas carreiras arruinadas, e mesmo suas vidas destruídas. Isso ocorre não por conta de dinheiro, mas por conta de um ego mal cuidado que acaba por se "viciar" na atenção e tratamento dispensados, querendo mais e mais, chegando a absurdos documentados todos os dias.

Hawkins diferencia um "pequeno ego", que seria nossa personalidade ordinária, suscetível a caprichos, e um "grande ego", que na psicanálise é chamado de self, que seria nossa personalidade superior, alinhada a princípios elevados. Pessoalmente, ambos são a mesma coisa: o ego só se eleva se é trabalhado para tal. A pessoa não deixa de ser ela mesma, mas traz à tona quem realmente é. Fazendo um paralelo com Kung Fu Panda 3, um mestre não é aquele que forma um aluno com elementos exclusivamente externos, mas aquele que consegue despertar e trabalhar o melhor de cada aluno.

Sucesso é muito mais uma responsabilidade do que um mérito. Quem o alcança acaba por ter a obrigação de ajudar outras pessoas a alcançarem-no também. Verdadeiras pessoas de sucesso são humildes e veem o fato como uma bênção em suas vidas, um privilégio que gera obrigações e responsabilidades com outras pessoas.

O verdadeiro sucesso pode ser explicado dentro do padrão de causalidade: enquanto que a maioria das pessoas veem como uma ação que gera uma reação, temendo perder o que conseguiu, a causalidade se dá em um campo atrator, no qual a pessoa está imersa, onde as coisas ocorrem simultaneamente. É um padrão de consciência, não apenas uma sequência de pensamentos, que flui como uma corrente elétrica: quanto mais forte ela for, mais forte será o campo e mais influenciará com a sua presença.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Genialidade e Criatividade

Continuando a escrever sobre o Power vs. Force, chegamos ao capítulo 15, sobre a Genialidade e o Poder da Criatividade. Já comentei sobre aqui no blog quando falei sobre empirismo, que, no fundo, nada mais é que uma forma de "baixar" informações pela mente. Informações estas que já existem nos campos atratores, mas que ainda não foram manifestadas na "realidade". O trabalho de pensar torna-se ponte entre o não-manifesto e o manifesto.

Um gênio é aquela pessoa que possui um estilo de consciência caracterizado pela habilidade de acesso a padrões atratores altamente elevados, geralmente associando sua genialidade a uma inspiração divina, que apresenta respostas e conceitos já prontos: grandes gênios da música não planejaram suas grandes obras, mas as tinham completas em suas mentes. Grandes ideias não são conceitualizadas, mas reveladas, de certa forma, como o koan na tradição Zen.

Todas as pessoas têm um potencial genial dentro de si, geralmente expresso por aquelas sacadas inesperadas que surgem em momentos específicos e que acabam por resolver situações mais complexas. Um gênio acaba por ter isso continuamente, em vários aspectos de sua vida, acabando por desenvolver múltiplos talentos. Quando um gênio traz um padrão elevado para o cotidiano, ele eleva a sociedade em que se encontra a um novo nível.

Gênios verdadeiros acabam por ter um estilo de vida excêntrico e uma visão de mundo diferenciada, por conta desse contato com padrões atratores mais elevados. Acontece que a grande maioria dos gênios não é reconhecida, seja por não serem aceitos como pessoas "normais", seja por suas ideias não serem reconhecidas em seu tempo - vindo, na maior parte das vezes, serem reconhecidas apenas postumamente.

Outro motivo pelo qual um verdadeiro gênio não é reconhecido é por nem sempre possuir um alto QI, o famoso quociente de inteligência. Claro que grandes físicos e matemáticos, por exemplo, acabam por precisar desta característica. Outra coisa é que o fluxo de trabalho de um gênio é de grande intensidade em apenas alguns momentos: quando a ideia surge em sua cabeça, o gênio trabalha por horas a fio para aproveitá-la com o máximo de detalhes, para depois aguardar o próximo insight.