terça-feira, 30 de março de 2021

Em Busca da Verdade

No Capítulo 23, o penúltimo do livro Power vs. Force, é analisado o nível de consciência das principais religiões do mundo. Antes de começar a resenhar o capítulo, é necessário um esclarecimento: apesar de estarmos nos últimos capítulos do livro, este ainda possui três apêndices (A, B e C), um glossário e notas sobre o autor, biográficas e autobiográficas - não pretendo me estender sobre elas.

O estudo de Hawkins sobre religião deixa clara a diferença entre a instituição religiosa e a fé. Religiões que se "politizaram" tiveram grande queda no nível de consciência, surgindo ramos "religiosos" calibrados abaixo de 200. Religiões mais "espiritualizadas" tiveram uma queda menor. A queda se dá pela má interpretação do ensinamento religioso, ou a distorção deste ensinamento por conta de interesses mundanos.

Para pessoas em níveis mais baixos, a verdadeira experiência espiritual não passa de boatos ou, pior, de coisas malignas. As seitas fundamentalistas estão calibradas no mesmo nível que os grupos criminosos. Estas seitas proliferam-se porque as pessoas não têm critérios para distinguir o verdadeiro do falso: estes grupos acabam por prosperar dentro das grandes religiões, distorcendo ensinamentos e subvertendo suas intenções.

Aliás, as seitas não precisam ser religiosas, sendo o comunismo um grande exemplo - apesar de não ser este usado no livro. Não irei pegar o exemplo do Hawkins, mas ambos são praticamente iguais: antirreligiões que se baseiam em antidivindades, com grande poder destrutivo. Ambos espalharam suas armadilhas pelo meio cultural, sendo populares entre os jovens, gerando campos atratores principalmente pela música.

Estes campos destrutivos são patogênicos, gerando pontos de acupuntura "explodidos" e dessincronização dos hemisférios cerebrais. A pessoa fica em transe contínuo no qual é suscetível à sugestão violenta, propensas a destruições irracionais sem saber o motivo - sugestões pós-hipnóticas e inconscientes que persistem.

O corpo fica fraco, podendo haver uma inversão da resposta cinesiológica: ao invés de responder fraco à calibragem, o corpo responde forte, e vice-versa, tamanha intensidade de energia negativa, gerando subserviência além das forças de sua compreensão e danos permanentes ao organismo. Uma sociedade hipocritamente puritana encoraja uma constante sedução de perversão. Esta programação negativa atinge jovens e adultos, causando transtornos ao sistema de acupuntura.

O "certo" e o "errado" existe apenas em níveis de consciência mais baixos. O discernimento deve substituir o moralismo, que se torna insignificante no nível 500 e irrelevante em 600. A razão nunca forneceu ao homem uma moral sólida, levando do caos da ignorância a um labirinto intelectual igualmente desconcertante.

Como falei anteriormente, Hawkins afirma que o poder dos 15% acima dos 200 contrabalança o restante da população abaixo de 200, assim como um avatar de nível 1000 contrabalança a negatividade da humanidade inteira. Hawkins também fala das proporções de equilíbrio das pessoas em virtude de seus níveis de consciência:

  • um iluminado (nível 700) contrabalança 70 milhões de pessoas abaixo de 200;
  • uma pessoa no nível da Paz (600) contrabalança 10 milhões;
  • uma pessoa no nível do Amor (500) contrabalança 750 mil;
  • uma pessoa no nível da Razão (400) contrabalança 400 mil;
  • uma pessoa chegando à Disposição (300), contrabalança 90 mil.
  • Por fim, 12 indivíduos iluminados correspondem a um avatar de nível 1000. Se não fosse esse equilíbrio, a humanidade haveria se extinguido em sua própria negatividade.

Deve-se considerar, no entanto, as pessoas que possuem calibragem negativa, como dito anteriormente no post, e mesmo o que eu já comentei no blog. Pessoas de consciência negativa acabam por gerar mais problemas à humanidade do que pessoas pouco evoluídas.

A verdade, do ponto de vista social e comportamental, é um conjunto de princípios pelos quais as pessoas vivem, independente do que possam dizer que acreditam. Já a Verdade deriva sua validade das fontes últimas além da influência de qualquer campo de percepção localizado. Não representa personalidade nem opinião, e não varia com a condição do sujeito ou ambiente de teste.

A ignorância é dissipada na luz, a desonestidade não resiste à verdade. Assumir a responsabilidade pela verdade é elevar-se dos níveis inferiores para 200, o ponto crítico para o Poder e o ponto de partida para os níveis mais elevados. A coragem para enfrentar a Verdade eleva a pessoa para a Aceitação, nível 350. Ao superar a maioria dos problemas sociais do homem, eleva-se a 500, o nível do Amor.

Conhecer a própria fraqueza e as fraquezas humanas dá origem ao perdão e esta à compaixão. A compaixão é a porta para a Graça, para a realização final de quem somos e por que estamos aqui, e a fonte última de toda a existência.

terça-feira, 23 de março de 2021

Esforço Espiritual

Chegamos ao capítulo 22 do livro Power vs. Force. Como falei anteriormente, alguns capítulos já foram resenhados aqui sem referência direta, o que pode parecer confuso - e mesmo alguns tópicos de alguns capítulos. A última parte do livro - Significado - é a parte mais elevada, e a mais complicada, da obra como um todo.

É muito fácil falar dos níveis de consciência - estes serão abordados em postagens individuais para cada um, além dos resumos feitos. Difícil é buscar entender como esse processo se desenrola, tendo em vista que para quem está mais adiantado as coisas fluem com mais facilidade, o que não acontece para quem está começando - ou mesmo para aqueles que nem querem saber disso.

A pura consciência representa o poder infinito e a fonte de energia infinita de toda a existência. Dentro deste potencial, o não-manifesto manifesta-se através dos Grandes Avatares, calibrados em 1000 (limite de consciência neste planeta). Logo abaixo estão os instrutores iluminados que ensinam o caminho para a realização do Eu.

O Ser foi descrito pelos iluminados como infinito, sem forma, imutável, onipresente, não-manifesto-e-manifesto. Estudos sobre isso estão calibrados em 700, ou seja, lê-los pode ajudar a desenvolver a consciência. No nível 600, o pensamento comum cessa, a ilusão da separação desaparece, e surge um estado de Paz além de todo o entendimento, amor infinito e incondicional, além da consciência de que o não-manifesto é uno com o manifesto.

Os estados verdadeiramente espirituais começam em 500 (Amor), sendo aqueles conhecidos como santos calibrados entre 500 e 600. O nível de consciência elevado força o das pessoas em torno a elevar-se também, o que entre pessoas comuns gera desconforto (algo do qual comento continuamente no blog), mas para aqueles que buscam o desenvolvimento espiritual chega a ser angustiante afastar-se de pessoas evoluídas.

A dificuldade no processo evolutivo está em afastar-se de campos de energia inferiores, tão abundantes e partes importantes de nosso cotidiano. Sobretudo para níveis logo acima de 200, é necessário afastar-se de hábitos ligados aos níveis abaixo para poder continuar a se desenvolver. Por outro lado, enquanto a Razão (400) é invejável para quem está em 300, por exemplo, ela torna-se trivial para quem está acima de 500, sobretudo por possuir suas limitações.

Acredito que eu já tenha comentado em outro post que alguns gênios da humanidade "travaram" no nível 499, por não desenvolver a consciência espiritual. A Razão é o segundo grande divisor de águas dos níveis de consciência, o primeiro é a Coragem. Alguns cientistas foram lançados para além da Razão através dos próprios estudos.

O próprio livro Power vs. Force tem por objetivo não só ajudar aqueles a desenvolver sua consciência, mas também para explicar como funciona a mente de quem está além da Razão e da dogmática. São pessoas que não possuem "consciência", mas esta faz parte da vida delas.

terça-feira, 16 de março de 2021

Características da Consciência Pura

Dentro do capítulo 21, onde Hawkins fala sobre os estudos científicos a respeito da consciência, há uma descrição sobre a consciência pura. O capítulo, em resumo, comenta que não há estudos científicos sobre a consciência em si, sendo-a considerada mera função do cérebro, o que acaba por limitar a percepção diante de outras questões, como por exemplo a noção de vida após a morte.

A visão de consciência está ligada ao conceito jungiano de self. Quanto mais limitado este for, menor será seu parâmetro de experiência. Como explicado ao longo do livro, padrões limitados de consciência limitam o campo de experiência humana. Pobreza não é apenas um estado econômico, mas é fruto de uma autoimagem limitada, que gera a escassez de recursos.

É necessário algo maior para experimentar algo menor, como a mente experimenta o corpo. Dessa forma, os pensamentos não pensam por si mesmos - a consciência está além de todos os fenômenos e é fonte da experiência. Os pensamentos fluem pela consciência como os peixes pelo oceano: a existência do oceano é independente do peixe, assim como o conteúdo do mar não define a natureza da água.

A consciência ilumina o objeto - tanto é que toda a literatura a define como luz. Identificar-se com o conteúdo da consciência é apenas uma experiência limitada, enquanto que se identificar com a consciência é saber que o real self é ilimitado - uma condição para a iluminação. Uma característica da pura consciência é a intemporalidade da percepção: a consciência é experimentada além da forma e do tempo e vista em todos os lugares como igualmente presente.

A iluminação é um estado de unidade, onde não há divisão - a experiência da consciência é vista como algo além da mente, um estado de Sabedoria livre de pensamentos, completo, sem necessidade nem desejo, além da limitação de experimentar como algo meramente pessoal e individual.

Outra característica da consciência pura é a cessação do fluxo de pensamentos e sentimentos. Surge, então, uma presença de um poder ilimitado, além de compaixão e amor ilimitados, tornando-se um Self infinito. A consciência como Self é a culminação do processo de eliminar identificações limitadas. A iluminação é rara não pela dificuldade em alcançá-la, mas pela falta de interesse nas pessoas, afinal, quem quer ser iluminado?

terça-feira, 9 de março de 2021

A base de dados da consciência

A última parte do Power vs. Force, Significado, começa no capítulo 19, onde Hawkins faz reflexões mais profundas sobre os campos de consciência. A "base de dados de consciência", chamada assim pelo autor, já foi citada no post sobre empirismo, onde eu comentava sobre as pessoas conseguirem acessar informações de forma "inconsciente", por um processo dedutivo que está mais próximo ao download de conhecimentos diversos para a mente em Matrix do que um exercício de raciocínio.

Nessa base de dados haveria todo o conhecimento descoberto e por descobrir, podendo ser acessado de diversas formas, sendo que todas as pessoas estão ligadas a ele. Se formos pensar na teoria da realidade simulada, em que estaríamos em uma simulação programada exteriormente, faz todo o sentido estarmos ligado aos servidores em que o conhecimento possível de ser executado dentro da simulação estivesse alocado.

O paranormal torna-se possível por considerarmos como uma possibilidade de acesso a essa base de dados de uma forma alternativa. Hawkins lembra que preocupar-se com coisas não racionais faz com que as pessoas tropecem em suas próprias contradições e inconsistências lógicas (ou ilógicas): as constelações são conjuntos de estrelas que estão longínquas entre si, mas que do ponto de vista terrestre parecem estar no mesmo plano.

A causalidade ocorre de forma simultânea, não sequencial como é propagado por aí: a sequência é devido à observação dos fatos. Estes são ligados por uma espécie de campo, como o magnético, que inclui os eventos. Se não fosse a mente de observador, os eventos não seriam conectados. A consciência humana é o agente por onde um conceito inexistente é transformado em experiência manifesta. O que "aconteceu" na consciência de uma pessoa também permanece gravado na base de dados de todos.

As pessoas normais estão preocupadas em transformar o invisível em visível, do campo atrator para o nível sensorial. Alguns indivíduos extraordinários vivem com a mente neste campo atrator, e os que vivem no campo de pura consciência, para Hawkins, são os denominados místicos. Para estes, a origem de tudo é óbvia, e não há interesse em fazer as coisas visíveis, pois para elas já o são. São pessoas que criam coisas novas e transferem o gerenciamento para outras, como nas quatro estações.

Em um nível mais avançado, os místicos acreditam apenas na realidade invisível, e que o que chamamos de "realidade" não passa de "sonho" ou mesmo de uma "ilusão", como na teoria da realidade simulada. Não há o "real" nem o "não-real", mas apenas o que é. Existência sem forma não é fácil de se imaginar, mesmo sendo a realidade final.

A criação é algo contínuo, completo em sua incompletude. Não há uma sequência de fatos, mas um desdobramento de acontecimentos. A fonte de toda a vida e de toda a forma é maior que suas manifestações, e mesmo assim não se diferencia ou está separada. Logo, o tempo é um lugar de percepção de um holograma que já está completo - não há começo ou fim em um holograma. Os paradoxos dissolvem-se em um paradigma que inclui ambos os opostos, em que os opostos apenas são a localização do observador.

O Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, permanece além de ambos, inclui ambos e é uno com ambos. A existência é um estado em que a consciência é consciente de sua consciência e de sua expressão como tal. Só há uma verdade absoluta: todo o resto são semi-fatos gerados dos artifícios da limitada percepção. Em último caso, não existe dualidade ou não-dualidade: existe apenas percepção.

A percepção em si está além da consciência. O Absoluto é desconhecido por estar além do conhecimento, além da própria consciência. Os que relatam este estado de consciência não conseguem descrever, e acaba por não fazer sentido para quem não teve uma experiência neste sentido. Este é o verdadeiro estado de Realidade, que não é possível reconhecer, como uma resolução final da evolução da consciência até o ponto da autotranscendência.

terça-feira, 2 de março de 2021

Bem-Estar e o processo de doença

O capítulo 18 de Power vs. Force é praticamente uma continuação do capítulo anterior. Se antes Hawkins comentou sobre a saúde estar atrelada aos padrões energéticos, neste capítulo Hawkins comenta sobre como os padrões energéticos geram os problemas de saúde, encerrando a parte 2 do livro. Cabe ressaltar que outros capítulos foram tratados em outros posts deste blog, sem referência específica a quais o foram. Isso não significa que os próximos serão tratados individualmente.

Como comentado no post do capítulo anterior, emoções podem gerar problemas de saúde, dependendo a quais padrões atratores estão ligados. No documentário Quem somos nós, pesquisadores afirmam que as pessoas tendem a se viciar em neurotransmissores, buscando situações nas quais haja a liberação dessas substâncias, em especial situações negativas. Isso explicaria porque as pessoas, no geral, acabam por permanecer com os mesmos problemas e situações.

Uma leve variação no padrão energético pode resultar em um salto harmônico e evoluir o padrão inteiro. Com isso há o que é chamado de turbulência: um descontrole emocional temporário até um novo nível de homeostase ser atingido. Já pensamentos de baixo padrão atrator, se constantemente repetidos, manifestam-se em problemas de saúde.

O principal exemplo usado por Hawkins neste capítulo são os Alcoólicos Anônimos, cuja estratégia, criada pelo seu fundador, é justamente mudar por completo os padrões mentais de seus membros, permitindo que evoluam suas consciências e se afastem, em definitivo, do vício em álcool. Cada mudança radical é desorientadora, é necessário suportar o desconforto temporário do crescimento. A recuperação de qualquer doença requer disposição para explorar novos caminhos de busca de si e da vida. Nisso inclui a capacidade de suportar os medos internos quando seus sistemas de crenças forem abalados.

Maldade realmente torna as pessoas doentes. Cada pensamento rancoroso é um ataque à fisiologia do organismo, assim como cada risada o recupera. E cada piada nos lembra que a realidade é transcendente, além dos detalhes do cotidiano. Risada traz aceitação e liberdade, é uma ameaça à força e à intimidação: é difícil oprimir um povo com senso de humor. A falta de humor é sempre acompanhada pelo impulso de dominar e controlar, mesmo que seja com o objetivo de criar prosperidade e paz.

Uma cura só pode ocorrer pelos progressivos passos de elevação do propósito e do abandono da auto-decepção, para atingir uma nova claridade visual. Assim como um acidente é prenunciado por vários "pequenos passos" preparatórios. O processo de doença é evidência de que algo está errado no trabalho da mente - tratá-la apenas como um processo físico não corrige a origem da disfunção, sendo mais paliativa do que curativa.