terça-feira, 9 de março de 2021

A base de dados da consciência

A última parte do Power vs. Force, Significado, começa no capítulo 19, onde Hawkins faz reflexões mais profundas sobre os campos de consciência. A "base de dados de consciência", chamada assim pelo autor, já foi citada no post sobre empirismo, onde eu comentava sobre as pessoas conseguirem acessar informações de forma "inconsciente", por um processo dedutivo que está mais próximo ao download de conhecimentos diversos para a mente em Matrix do que um exercício de raciocínio.

Nessa base de dados haveria todo o conhecimento descoberto e por descobrir, podendo ser acessado de diversas formas, sendo que todas as pessoas estão ligadas a ele. Se formos pensar na teoria da realidade simulada, em que estaríamos em uma simulação programada exteriormente, faz todo o sentido estarmos ligado aos servidores em que o conhecimento possível de ser executado dentro da simulação estivesse alocado.

O paranormal torna-se possível por considerarmos como uma possibilidade de acesso a essa base de dados de uma forma alternativa. Hawkins lembra que preocupar-se com coisas não racionais faz com que as pessoas tropecem em suas próprias contradições e inconsistências lógicas (ou ilógicas): as constelações são conjuntos de estrelas que estão longínquas entre si, mas que do ponto de vista terrestre parecem estar no mesmo plano.

A causalidade ocorre de forma simultânea, não sequencial como é propagado por aí: a sequência é devido à observação dos fatos. Estes são ligados por uma espécie de campo, como o magnético, que inclui os eventos. Se não fosse a mente de observador, os eventos não seriam conectados. A consciência humana é o agente por onde um conceito inexistente é transformado em experiência manifesta. O que "aconteceu" na consciência de uma pessoa também permanece gravado na base de dados de todos.

As pessoas normais estão preocupadas em transformar o invisível em visível, do campo atrator para o nível sensorial. Alguns indivíduos extraordinários vivem com a mente neste campo atrator, e os que vivem no campo de pura consciência, para Hawkins, são os denominados místicos. Para estes, a origem de tudo é óbvia, e não há interesse em fazer as coisas visíveis, pois para elas já o são. São pessoas que criam coisas novas e transferem o gerenciamento para outras, como nas quatro estações.

Em um nível mais avançado, os místicos acreditam apenas na realidade invisível, e que o que chamamos de "realidade" não passa de "sonho" ou mesmo de uma "ilusão", como na teoria da realidade simulada. Não há o "real" nem o "não-real", mas apenas o que é. Existência sem forma não é fácil de se imaginar, mesmo sendo a realidade final.

A criação é algo contínuo, completo em sua incompletude. Não há uma sequência de fatos, mas um desdobramento de acontecimentos. A fonte de toda a vida e de toda a forma é maior que suas manifestações, e mesmo assim não se diferencia ou está separada. Logo, o tempo é um lugar de percepção de um holograma que já está completo - não há começo ou fim em um holograma. Os paradoxos dissolvem-se em um paradigma que inclui ambos os opostos, em que os opostos apenas são a localização do observador.

O Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, permanece além de ambos, inclui ambos e é uno com ambos. A existência é um estado em que a consciência é consciente de sua consciência e de sua expressão como tal. Só há uma verdade absoluta: todo o resto são semi-fatos gerados dos artifícios da limitada percepção. Em último caso, não existe dualidade ou não-dualidade: existe apenas percepção.

A percepção em si está além da consciência. O Absoluto é desconhecido por estar além do conhecimento, além da própria consciência. Os que relatam este estado de consciência não conseguem descrever, e acaba por não fazer sentido para quem não teve uma experiência neste sentido. Este é o verdadeiro estado de Realidade, que não é possível reconhecer, como uma resolução final da evolução da consciência até o ponto da autotranscendência.

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