terça-feira, 25 de maio de 2021

Corrupção cultural

Parece que os últimos tempos expôs uma das consequências mais graves do jeitinho brasileiro: a cultura de corrupção que existe na sociedade brasileira. Corrupção é algo tão inerente à sociedade brasileira que ser honesto tornou-se algo tão ruim que falar a verdade tornou-se algo ofensivo. Repare que, mesmo com fatos, a verdade é suprimida dos meios de comunicação, e mesmo do meio cultural.

O Brasil é um país burocrático por natureza. Há tantas regras para "evitar-se trambiques" que só através de trambiques é possível cumpri-las - como foi a União Soviética em seu apogeu. Em tempos de crise, a busca por dinheiro torna-se obsessiva a ponto da moralidade e da racionalidade serem atropeladas para "se dar bem". E essas são atropeladas de forma tal que é praticamente impossível apelar a elas para se trazer a ordem de volta.

A corrupção não está apenas na política, distante. Ela está em cada pessoa, em cada atitude que busca levar vantagem prejudicando abertamente outras pessoas - inclusive quando a pessoa critica supostos "jeitinhos" para eximir-se de sua própria culpa. Aprender a reconhecer os próprios erros e os danos reais destes é doloroso, mas é a partir daí que se pode pensar em uma mudança verdadeira.

Quanto àqueles que continuam a aproveitar-se da boa vontade alheia e a sugar a honestidade ainda existente, cabe combater o bom combate, de forma racional e honesta. Trapaças caem perante a verdade dos fatos e da exposição dos reais danos de um problema. No entanto, é necessário ter força (o que o Hawkins chama de poder) pois quem vive disso sabe se defender e atacar qualquer um que lhe tire a facilidade dolorosa.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Liberdade e escolhas

Este post será mais objetivo que os outros que escrevi sobre liberdade, pois antes de se refletir sobre a Liberdade em seu sentido mais profundo, pensando na própria existência, é necessário refletir sobre a liberdade cotidiana de poder falar, de poder escolher, de poder pensar. Percebo que há uma busca sutil, mas incessante, de se destruir toda e qualquer fonte de felicidade verdadeira, e a liberdade é uma dessas fontes.

Liberdade, no seu sentido prático, é o que permite que a vida seja vivida. Não há vida sem liberdade, por menor que esta seja. Achar que é possível viver sem liberdade é totalmente insano: a pessoa torna-se marionete de outrem, tudo torna-se falso, fingido. O grande ponto da vida é poder decidir, poder tomar a iniciativa por conta própria, algo que as pessoas têm aberto mão deliberadamente, sem perceber.

Enquanto o conceito de liberdade não for associado ao da própria vida, as pessoas abrirão mão de sua liberdade em nome de uma segurança ilusória, na maioria das vezes sem ter ideia do que está fazendo. A vida é feita de escolhas, e você é responsável por elas, sejam boas ou ruins. Por isso é tão confortável ceder a quaisquer pessoas que queiram controlar.

Obviamente, liberdade irrestrita é danosa como a ausência de liberdade, mas usam aquela como argumento para promover esta - repare bem isso. Liberdade de expressão é limitada no ponto em que o que é dito é considerado ofensivo a outra pessoa. Só que há uma diferença entre "ofensivo" e "danoso", sendo que na maioria das vezes, o "ofensivo" apenas causa danos à vaidade da pessoa. Limitar a expressão pelo "ofensivo" torna qualquer coisa dita passível de ser censurada.

Pode-se pensar que esse é um conceito subjetivo, mas não é. O que ocorre é que poucas pessoas ainda possuem um pensamento verdadeiramente racional intacto, e a maioria deixa-se levar pelos sentimentos e pelas paixões. Com isso, pessoas mal intencionadas propagam a ideia de que a "expressão deve ser limitada", mas a quê não explicam. Isso lembra o livro 1984 e o léxico sendo reduzido constantemente, para evitar que as pessoas pensassem, e assim evitar resistências ao regime.

Por mais que as escolhas sejam limitadas, as pessoas ainda devem decidir por si mesmas - e responder por tais escolhas. Apenas poucos sabem o que é melhor para os outros, e por realmente saberem, não interferem nas escolhas alheias: não lhes cabe ficar dando pitaco no livre-arbítrio alheio, somente se solicitado - e mesmo assim com reservas.

Só se percebe a importância da liberdade quando esta é perdida, e para encontrar a verdadeira Liberdade que comentei no outro post, é necessário conhecer muito bem a primeira. Desconhecer a liberdade básica da vida cotidiana é viver em um pesadelo disfarçado de sonho: algo está muito errado, mas como não se conhece outra alternativa, conforma-se com o que é oferecido.

terça-feira, 11 de maio de 2021

A Era do Palpite


A situação atual abriu precedente para as pessoas no geral darem palpite na vida alheia de forma cada vez mais invasiva, como se fossem evoluídas a ponto de saber o que é melhor para os outros. Curioso é que quanto mais se progride nos níveis de consciência, mais se respeita as "más" escolhas alheias - afinal, todos têm o direito de errar. Infelizmente, o limite para esse tipo de invasão foi rompido e não percebem o quão perigoso isso é.

É normal, e até saudável, dar sua opinião para outra pessoa - principalmente quando solicitado. A visão que outra pessoa possui de sua situação geralmente abarca ângulos não visíveis para nós. Pode-se então pensar em pais e professores nos processos de educação e de formação intelectual: visões de mundo são apresentadas para ampliarmos nossos horizontes e nos tornarmos pessoas melhores.

Sempre se buscou (pelo menos até certo ponto) respeitar o limite do outro, a famosa individualidade. O fato de como uma pessoa pinta o cabelo ou usa uma meia de cada cor não significa absolutamente nada, mesmo gerando os famosos preconceitos - sobre os quais ainda há muitos posts por fazer. No entanto, sempre houve a vontade de se ditar o que o outro deve fazer, mesmo nas coisas mais banais.

Deve haver um claro discernimento de quando intervir ou não, pois realmente há casos nos quais uma boa conversa é necessário - justamente os casos em que os palpiteiros não querem dar palpite (para ver o outro ter problemas, talvez). Quando algo pode afetar sua saúde, e mesmo sua sanidade, é necessário chegar, conversar, entender e agir.

O problema está sendo quando não é algo de grande monta a afetar o palpiteiro, mas a sensação de "dever cívico" criada por uma situação que fornece todo um suporte para a pessoa falar sem ao menos entender a realidade da própria vida - quanto mais a do outro. Talvez neste contexto a expressão "os incomodados que se mudem" poderia ser uma boa resposta.

É o apoio que os tiranos apreciam, pois a força de repressão pode ser direcionada em casos mais drásticos, enquanto que a própria população ocupa-se em "regular" a vida alheia. Tiranias apenas duram porque as pessoas que vivem nelas buscam uma forma de tirar vantagem, mesmo que para isso precisem prejudicar sem quaisquer justificativas.

terça-feira, 4 de maio de 2021

Como sobreviver em tempos difíceis parte 4

Seria burrice de minha parte esquecer de um ponto tão importante: o humor. Note que quando a situação começa a ficar triste, uma das primeiras coisas a ser "caçada" é o humor. Tudo fica ofensivo: de uma piada a um gracejo. Já falei aqui no blog que o politicamente correto é um veneno disfarçado de coisa boa, pois as pessoas tentam ser respeitosas, mas são criadas cada vez mais exigências para "ser educado".

Não deixe de rir, nunca. Tire graça da situação, sobretudo das mais absurdas. Da música "Ria do Fantasma" de My Little Pony ao feitiço "Riddikulus" da série de livros Harry Potter, rir do que quer se impor sobre nós através do medo é algo temido por aqueles que tentam amedrontar. Por isso distorcem tanto o conceito de humor, transformam em algo militante, imbecil, tiram a graça do negócio.

Perceba o quanto as coisas engraçadas tornaram-se "ofensivas": fobia disso, fobia daquilo, intolerância, discurso de ódio... Apenas sobre determinados assuntos, e de algumas formas apenas, você pode fazer graça - nem de longe isso é humor. Você pode pensar que há certas coisas realmente ofensivas, e não vou discordar.

No entanto, deve-se reaprender a discernir o que é ofensivo do que não é, e do que precisa ser realmente ofensivo... Rir do fantasma é necessário, mas o "fantasma" se ofende. Criaram fantasmas dos quais "devemos rir", mas nos proibiram de rir dos fantasmas reais. Se eu estava procurando há alguns anos o limite da zueira, eu finalmente o achei: quando sai da ofensa necessária e vai para a ofensa gratuita e desnecessária, e isso pede uma reflexão mais acurada.

Estão pintando esta ofensa gratuita como humor se for feita para determinadas pessoas, e considerando isso como o único tipo de humor válido. Pensando no que já foi escrito neste post, há muito mais, e melhores, formas de humor e troça possíveis, disponíveis, e saudáveis. Parar de rir dá uma sensação de endurecimento, como se a pessoa estivesse enferrujada, e quando se volta a dar risada, é como se as coisas voltassem a fluir normalmente.