terça-feira, 22 de junho de 2021

O perigo do empoderamento feminino

Já comentei sobre empoderamento em outro post, mas acho que ficou um pouco solto. Então vamos pegar como exemplo o conhecido empoderamento feminino, a ideia de dar à mulher um suposto poder que ela supostamente não tem e assim ter uma vida melhor. Esse resumo singelo expõe a completa inutilidade de tal coisa: ajudar uma mulher a desenvolver a autoconfiança não é empoderamento, pelo menos não no atual sentido da palavra.

Tanto homens quanto mulheres precisam desenvolver o amor-próprio e a autoconfiança ao longo da vida, perante situações adversas e desfavoráveis, principalmente no atual momento. Ambos, amor-próprio e autoconfiança, baseiam-se na responsabilidade que a pessoa tem perante as próprias atitudes e escolhas, dando-lhe liberdade para trilhar o próprio caminho. O que não acontece com o empoderamento atual.

O tal do empoderamento baseia-se no erro do outro: a situação de uma pessoa é ruim porque outra pessoa o causa. Mulheres, então, sofreriam porque os homens as fazem sofrer; logo, deve-se combater os homens para superar este sofrimento, tornando leves divergências graves conflitos a serem vencidos, mas onde ambos saem perdendo.

Cria-se, então, não um espírito competitivo saudável, de buscar o melhor sempre, aprender com os erros e, principalmente, a trabalhar em equipe, mas um espírito orgulhoso, onde vencer a qualquer custo importa, mesmo que isso custe coisas realmente importantes, pois haveria algo transcendente nisso, e que outras pessoas seriam beneficiadas com tal atitude.

O empoderamento feminino deixa de lado o principal: a própria mulher. Esta não pode fazer suas escolhas, tomar as próprias atitudes, sem passar pelo tal crivo do empoderamento, pois qualquer coisa considerada "submissa" ao homem deve ser excluída sumariamente, forçando-o a concordar com a mulher mesmo ela estando errada.

Troca-se a submissão imaginária por uma submissão real mas invisível: não se comenta sobre a submissão do homem perante a mulher, ou isso é visto de forma positiva. Se houve, em algum momento, submissão feminina ao longo da História, inverter a polaridade não resolverá a situação, e não fará ninguém feliz.

No final das contas, as pessoas tendem a se isolar, pois não conseguem aceitar a opinião do outro, a visão de mundo do outro, às vezes nem mesmo a polidez alheia. Pessoas assim desunidas tornam-se vulneráveis a quaisquer pessoas ou grupos que queiram tomar o poder, pois resistências isoladas são bem mais fáceis de serem neutralizadas.

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