terça-feira, 27 de julho de 2021

Resposta Zero e a Falta de Motivação

É praticamente impossível fazer qualquer coisa sem um retorno, seja ele positivo ou negativo. A motivação vem principalmente do feedback dos nossos projetos, logo a ausência de retorno é fatal a qualquer ideia posta em prática, pois ele não te dá nenhuma ideia de qual caminho seguir ou de qual iniciativa tomar, como uma grande barreira invisível e intransponível.

Um feedback negativo, por mais pesado que seja, ainda serve de pista para dar continuidade ao projeto, sobretudo quando se dedica àquilo o máximo de tempo e atenção possível: grandes empresários faliram diversas vezes antes de acertar o alvo. Hoje em dia, isso nem é mais possível, pois caso você falhe surgirão programas assistenciais para te prender definitivamente em uma situação de miséria.

Nem tudo depende da gente, dando a impressão de que quando é necessária a ação de outra pessoa nada dá certo. Hawkins aponta que o nível 200 é a mudança da consciência de projetar a culpa no outro para assumir as próprias responsabilidades, mas à medida que se avança, percebe-se que nossa ação pode gerar nenhum resultado se outras pessoas assim o quiserem - sobretudo se tiverem poder e influência.

Hawkins comenta sobre o balanceamento entre pessoas com níveis de consciência altos e multidões com consciência abaixo de 200. Como já comentei sobre, há pessoas com níveis de consciência negativos que acabam por anular pessoas de mesmo nível mas positivo. No final das contas, quanto mais evoluído você é, menos a sociedade te aceita e tenta te neutralizar, como disse anteriormente: a pessoa de nível mais elevado tende a puxar para cima quem está ao seu redor, o que gera desconforto, principalmente para aqueles abaixo de 200.

É possível haver motivação mesmo na ausência de feedback, mas é um esforço para o insucesso. Você faz para proveito próprio, sem interesse nenhum de que aquilo vá pra frente, e até torcendo para que aquilo não "estoure" e gere dissabores futuros. Afinal, quando acabar a vontade de seguir o projeto particular, é só apagá-lo ou simplesmente deixá-lo de lado, sem precisar dar satisfação a ninguém.

Pode-se pensar que isso contradiz a ideia do potencial acerolático que comentei no blog. Na verdade, eu já havia comentado no potencial acerolático que se o ambiente for desfavorável, a árvore crescerá com dificuldades. Para a árvore da acerola influenciar o ambiente, antes de tudo ela deverá crescer em um ambiente favorável, algo difícil de se encontrar hoje em dia.

terça-feira, 20 de julho de 2021

O problema dos especialistas

Devo ter comentado, há algum tempo atrás, da diferença entre o amador e o profissional: o amador faz algo por paixão àquilo, enquanto que o profissional tem uma "certificação reconhecida" na área, o que não significa que este seja melhor que aquele, muitas vezes acontecendo justamente o contrário. No entanto, nessa dificuldade em se reconhecer o potencial das pessoas, foram criadas barreiras chamadas de especialização: apenas especialistas podem falar sobre o assunto, por mais conhecimento que se tenha sobre.

Até algum tempo atrás, realmente alguns conhecimentos estavam acessíveis apenas àqueles que buscavam uma formação, digamos, "formal". Porém, hoje em dia é fácil adquirir conhecimentos específicos e densos sobre qualquer assunto, tornando-se muitas vezes mais "especialista" que os ditos "especialistas", mas sem transmitir "confiança" sobre o conhecimento que possui. Confiança que se confunde com a arrogância em aceitar a experiência que o outro possui.

Não apenas na academia, mas em todas as áreas profissionais aprender por conta tornou-se uma "perda de tempo": de nada adianta saber tal assunto se não será ouvido, se seu conhecimento e sua experiência não serão levados em consideração, muito menos ser respeitado pelo que sabe. Dá-se mais importância para quem ostenta papéis, mas vazio por dentro, utilizando-se de certificações para compensar algo que não se tem.

Para piorar, mesmo entre as especializações há hierarquias: não adianta ser formado em lugar tal, ou com professor fulano. Tem que ser o lugar aceito por aquela pessoa, se não é inútil. Ou, para afundar de vez a situação, se a pessoa tiver a certificação da moda, mas não servir aos interesses, é tão inútil quanto, ou mesmo considerado um corrompido irremediável. Ainda lembrei dos obstáculos intransponíveis para tais especializações: nunca é o suficiente, você nunca está pronto.

Como na questão da meritocracia, a chave está em aceitar o conhecimento e a experiência alheia: certificações deveriam ser meras formalidades para confirmar algo que já existe. Colocar esse conhecimento à prova é a melhor forma de expressar sua qualidade, independente das pessoas. Por mais que panelinhas sejam ambientes seguros para pequenos grupos, elas destroçam a sociedade como um todo, evitando trocas que permitiriam o crescimento de todos.

terça-feira, 13 de julho de 2021

A Geração Z não falhou

Antes de tudo, um esclarecimento: engana-se quem diz que a geração Z refere-se aos nascidos na virada do milênio. A "famosa" geração Z refere-se aos nascidos nos anos 90, em um ambiente de fim da Guerra Fria, onde o mundo deixa de ser bipolar e uma suposta "liberdade" passa a reinar. Já os millenials são os nascidos na Virada do Milênio, chegando a soar óbvio ter que explicar essa diferença que está passando batido.

Pois bem, há alguns comentários na internet, em vídeos e em posts, de que essa geração Z, hoje por volta dos 30 anos, não teria alcançado o "sucesso na vida" como as gerações anteriores: formado uma família, adquirido um imóvel, conquistado estabilidade profissional. Muitos da citada geração moram de aluguel, quando não moram com os pais, ainda estão procurando "a metade da laranja", e mesmo o "emprego dos sonhos".

Comparando dessa forma, realmente a geração Z deixa a desejar. Contudo, a situação é muito mais complexa: a formação de uma geração depende de outra que a formou. A geração que formou os Z foi aquela do Woodstock e das "revoluções" dos anos 70. Eis o resultado. Para agravar ainda mais a situação, a própria situação político-econômica mundial está sendo estruturada para forçar as pessoas a não conseguirem ascender socialmente.

Ou seja, culpar apenas a própria geração Z por falhas nas quais ela não poderia prever, e programada para não perceber, é no mínimo desonesto. A geração Z é uma geração semi-escravizada, que não possui estabilidade suficiente para pensar em projetos maiores. Associa-se a pessoa da geração Z à imaturidade pelo seu amor à cultura pop, quando esta na verdade é uma fuga de um mundo escravizador para um mundo onde os valores e o esforço ainda são recompensados.

Enquanto a geração Z ainda pode ser considerada uma geração "inteligente", os millenials são conhecidos por sua notória burrice. Seguindo o raciocínio anterior, não significa que os millenials foram agraciados com uma ignorância sem precedentes, mas programados para terem suas capacidades intelectuais limitadas, e assim serem dominados sem perceberem os grilhões que carregam.

Esqueçam o idealismo de que tudo é apenas fruto do próprio esforço: se houve isso na sociedade, hoje em dia não existe mais. É muito mais fácil e conveniente capacitar uma pessoa da panelinha do que contratar alguém com talento mas que pensa diferente. A tendência é formar o máximo de pessoas com o mínimo de capacidade de raciocínio, sendo algumas como intelecto suficiente para manter a sociedade em ordem.

terça-feira, 6 de julho de 2021

É difícil lidar com gente honesta

Uma coisa que as pessoas ainda não perceberam é a dificuldade em lidar com alguém realmente honesto, sem pretensões de levar vantagem sobre ninguém, admitindo erros e derrotas caso justas forem. São pessoas que conhecem as regras e possuem valores a guardar e defender: algo tão raro hoje em dia, e tão deturpado pela sociedade, que pessoas honestas tornaram-se alvos a serem neutralizados, quando não destruídos.

Quando se tenta levar tudo no jeitinho, tende-se a criar laços de chantagem com outros espertalhões: o famoso rabo preso. Um protege o outro para não ser delatado, e assim o esquema de vantagens continuar. Já o honesto, por não ter esses laços, e não precisar deles para sobreviver, gera incômodos para quem precisa das irregularidades e dos "esqueminhas": afinal, podem ser descobertos e neutralizados legalmente a qualquer momento.

No final das contas, as pessoas no geral lidam com os desonestos de duas formas: ou pela imposição ou pela rendição. Nesta, a pessoa simplesmente aceita os termos da pessoa de valor para não sofrer maiores prejuízos em um conflito. Naquela, a pessoa utiliza da força (material ou não) para impedir que o honesto siga seu caminho e alcance seus objetivos.

Infelizmente, no mundo em que estamos, chega a ser normal que imponham restrições a pessoas honestas, sobretudo indiretamente, sem justificativas claras, para que não sejam desmontadas. No entanto, cabe ressaltar que se não há uma base moral racional em uma sociedade, e leis derivadas desta base, não é possível uma convivência saudável e duradoura, parecendo mais com aquelas ficções onde a sociedade é regida pelos "figurões", sem regras nem garantias.

Ou seja, uma base moral não é mera "frivolidade", como alguns acreditam. É a garantia de que as coisas estarão em ordem para o máximo de pessoas, independente da influência que possuam sobre o grupo. Sempre haverá jeitinhos, não se iluda: o problema é o nível de estrago causado e a quantidade de pessoas adeptas a querer levar vantagem sobre as outras pessoas.