terça-feira, 20 de julho de 2021

O problema dos especialistas

Devo ter comentado, há algum tempo atrás, da diferença entre o amador e o profissional: o amador faz algo por paixão àquilo, enquanto que o profissional tem uma "certificação reconhecida" na área, o que não significa que este seja melhor que aquele, muitas vezes acontecendo justamente o contrário. No entanto, nessa dificuldade em se reconhecer o potencial das pessoas, foram criadas barreiras chamadas de especialização: apenas especialistas podem falar sobre o assunto, por mais conhecimento que se tenha sobre.

Até algum tempo atrás, realmente alguns conhecimentos estavam acessíveis apenas àqueles que buscavam uma formação, digamos, "formal". Porém, hoje em dia é fácil adquirir conhecimentos específicos e densos sobre qualquer assunto, tornando-se muitas vezes mais "especialista" que os ditos "especialistas", mas sem transmitir "confiança" sobre o conhecimento que possui. Confiança que se confunde com a arrogância em aceitar a experiência que o outro possui.

Não apenas na academia, mas em todas as áreas profissionais aprender por conta tornou-se uma "perda de tempo": de nada adianta saber tal assunto se não será ouvido, se seu conhecimento e sua experiência não serão levados em consideração, muito menos ser respeitado pelo que sabe. Dá-se mais importância para quem ostenta papéis, mas vazio por dentro, utilizando-se de certificações para compensar algo que não se tem.

Para piorar, mesmo entre as especializações há hierarquias: não adianta ser formado em lugar tal, ou com professor fulano. Tem que ser o lugar aceito por aquela pessoa, se não é inútil. Ou, para afundar de vez a situação, se a pessoa tiver a certificação da moda, mas não servir aos interesses, é tão inútil quanto, ou mesmo considerado um corrompido irremediável. Ainda lembrei dos obstáculos intransponíveis para tais especializações: nunca é o suficiente, você nunca está pronto.

Como na questão da meritocracia, a chave está em aceitar o conhecimento e a experiência alheia: certificações deveriam ser meras formalidades para confirmar algo que já existe. Colocar esse conhecimento à prova é a melhor forma de expressar sua qualidade, independente das pessoas. Por mais que panelinhas sejam ambientes seguros para pequenos grupos, elas destroçam a sociedade como um todo, evitando trocas que permitiriam o crescimento de todos.

terça-feira, 13 de julho de 2021

A Geração Z não falhou

Antes de tudo, um esclarecimento: engana-se quem diz que a geração Z refere-se aos nascidos na virada do milênio. A "famosa" geração Z refere-se aos nascidos nos anos 90, em um ambiente de fim da Guerra Fria, onde o mundo deixa de ser bipolar e uma suposta "liberdade" passa a reinar. Já os millenials são os nascidos na Virada do Milênio, chegando a soar óbvio ter que explicar essa diferença que está passando batido.

Pois bem, há alguns comentários na internet, em vídeos e em posts, de que essa geração Z, hoje por volta dos 30 anos, não teria alcançado o "sucesso na vida" como as gerações anteriores: formado uma família, adquirido um imóvel, conquistado estabilidade profissional. Muitos da citada geração moram de aluguel, quando não moram com os pais, ainda estão procurando "a metade da laranja", e mesmo o "emprego dos sonhos".

Comparando dessa forma, realmente a geração Z deixa a desejar. Contudo, a situação é muito mais complexa: a formação de uma geração depende de outra que a formou. A geração que formou os Z foi aquela do Woodstock e das "revoluções" dos anos 70. Eis o resultado. Para agravar ainda mais a situação, a própria situação político-econômica mundial está sendo estruturada para forçar as pessoas a não conseguirem ascender socialmente.

Ou seja, culpar apenas a própria geração Z por falhas nas quais ela não poderia prever, e programada para não perceber, é no mínimo desonesto. A geração Z é uma geração semi-escravizada, que não possui estabilidade suficiente para pensar em projetos maiores. Associa-se a pessoa da geração Z à imaturidade pelo seu amor à cultura pop, quando esta na verdade é uma fuga de um mundo escravizador para um mundo onde os valores e o esforço ainda são recompensados.

Enquanto a geração Z ainda pode ser considerada uma geração "inteligente", os millenials são conhecidos por sua notória burrice. Seguindo o raciocínio anterior, não significa que os millenials foram agraciados com uma ignorância sem precedentes, mas programados para terem suas capacidades intelectuais limitadas, e assim serem dominados sem perceberem os grilhões que carregam.

Esqueçam o idealismo de que tudo é apenas fruto do próprio esforço: se houve isso na sociedade, hoje em dia não existe mais. É muito mais fácil e conveniente capacitar uma pessoa da panelinha do que contratar alguém com talento mas que pensa diferente. A tendência é formar o máximo de pessoas com o mínimo de capacidade de raciocínio, sendo algumas como intelecto suficiente para manter a sociedade em ordem.

terça-feira, 6 de julho de 2021

É difícil lidar com gente honesta

Uma coisa que as pessoas ainda não perceberam é a dificuldade em lidar com alguém realmente honesto, sem pretensões de levar vantagem sobre ninguém, admitindo erros e derrotas caso justas forem. São pessoas que conhecem as regras e possuem valores a guardar e defender: algo tão raro hoje em dia, e tão deturpado pela sociedade, que pessoas honestas tornaram-se alvos a serem neutralizados, quando não destruídos.

Quando se tenta levar tudo no jeitinho, tende-se a criar laços de chantagem com outros espertalhões: o famoso rabo preso. Um protege o outro para não ser delatado, e assim o esquema de vantagens continuar. Já o honesto, por não ter esses laços, e não precisar deles para sobreviver, gera incômodos para quem precisa das irregularidades e dos "esqueminhas": afinal, podem ser descobertos e neutralizados legalmente a qualquer momento.

No final das contas, as pessoas no geral lidam com os desonestos de duas formas: ou pela imposição ou pela rendição. Nesta, a pessoa simplesmente aceita os termos da pessoa de valor para não sofrer maiores prejuízos em um conflito. Naquela, a pessoa utiliza da força (material ou não) para impedir que o honesto siga seu caminho e alcance seus objetivos.

Infelizmente, no mundo em que estamos, chega a ser normal que imponham restrições a pessoas honestas, sobretudo indiretamente, sem justificativas claras, para que não sejam desmontadas. No entanto, cabe ressaltar que se não há uma base moral racional em uma sociedade, e leis derivadas desta base, não é possível uma convivência saudável e duradoura, parecendo mais com aquelas ficções onde a sociedade é regida pelos "figurões", sem regras nem garantias.

Ou seja, uma base moral não é mera "frivolidade", como alguns acreditam. É a garantia de que as coisas estarão em ordem para o máximo de pessoas, independente da influência que possuam sobre o grupo. Sempre haverá jeitinhos, não se iluda: o problema é o nível de estrago causado e a quantidade de pessoas adeptas a querer levar vantagem sobre as outras pessoas.