terça-feira, 28 de setembro de 2021

O Capitalismo não é selvagem, mas as pessoas sim

Não existe um sistema político-econômico perfeito, tendo em vista que as pessoas não o são. Tudo tende à entropia, ao caos, sobretudo se não houver um esforço genuíno em vista do crescimento e da ordem (cosmos - de onde surgiu a palavra cosmética). Acredito que pessoas evoluídas podem viver bem em qualquer sistema político, pois se pensaria no outro sem fins egoísticos. O grande problema desses sistemas é o desejo de poder escondido sob uma aparência de ordem - ou mesmo de harmonia.

É praticamente impossível pensar nisso sem pensar no clichezão do que foi o Socialismo no século XX: tirania e miséria em nome de uma pretensa igualdade. Este nunca foi o objetivo, e nunca será, vide países socialistas, em situação de miséria extrema ou em vias de. Nem é necessário lembrar-se de uma de suas mutações, o progressismo, que é a perseguição ferrenha a pensamentos divergentes, chegando à irracionalidades que não são questionadas por pavor dos perseguidores.

Como historiadora, devo esclarecer algumas coisas: Capitalismo não é sistema político, e sim um sistema econômico, onde as trocas se dão por uso de uma moeda - representante simbólico de determinado valor. Este sistema de trocas é possível na maioria dos sistemas políticos, dos mais democráticos aos mais tirânicos. Lembre-se de que nos regimes nazi-fascistas havia comércio e consumo, controlados pelos governos através de monopólios e oligopólios.

Avançando no tempo, vendo as pessoas falarem que o "Capitalismo é ruim" e que "consumir é ruim", volto pro começo do post: o problema não está no sistema de trocas, mas em quem os opera. Querer economizar a qualquer custo gera tanto prejuízo quanto um comprador compulsivo. Infelizmente, em busca de uma qualidade de vida melhor, é necessário ganhar mais e mais dinheiro, pois se torna cada vez mais difícil, para não dizer impossível, ter uma vida confortável com o que se ganha.

Hoje em dia é comum a pessoa ter uma segunda ou terceira ocupação para pagar as contas, geralmente ligadas às áreas de comércio e serviços, o que gera uma saturação nesse meio, sobretudo na internet. Tanta gente querendo vender na internet que fica praticamente impossível encontrar pessoas querendo apenas se divertir, fazer o que gosta sem pensar em dinheiro. Qualquer coisa ficou monetizável: de conselhos de vida até como gerenciar a própria casa.

Por um aspecto, isso não é ruim. É essa liberdade de iniciativa que faz as pessoas crescerem e a sociedade como um todo de quebra. Deve haver espaço para escolhas e responsabilidade para com elas. Por isso um regime mais liberal é mais racional e preferível a uma tirania: as pessoas tomando suas próprias decisões e respondendo por elas é muito mais saudável do que alguém "em cima" ordenando o que deve ser feito ou não - a menos que o interesse seja justamente que as pessoas sejam manipuladas.

O lado ruim é que quando um meio econômico está saturado, a qualidade oferecida despenca, o que é surpreendente, pois a tendência é que quanto maior a concorrência, melhor a qualidade para se manter no mercado. Não, busca-se vencer a concorrência não pela qualidade, mas pela quantidade: um serviço perde valor pela quantidade de profissionais disponíveis para tal, em sua maioria desqualificados para cumpri-lo com excelência.

Isso sinaliza algo importante: se apenas um determinado nicho está sendo buscado como uma atividade econômica complementar, é porque os outros nichos estão bloqueados para atuação. Não digo saturados, pois não há excesso de profissionais, mas porque há um domínio de grupos e pessoas que não permitem a livre concorrência em seus meios. Por que em alguns meios há livre iniciativa, concorrência entre profissionais, enquanto em outros há uma estagnação ensurdecedora? O que está realmente acontecendo?

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