terça-feira, 30 de novembro de 2021

Godzilla vs. Kong

Esse filme possui uma mensagem implícita muito interessante: o projeto de dominação do mundo por um indivíduo ou grupo. Por mais que a luta entre os dois titãs seja o grande chamativo que levou milhares de pessoas aos cinemas, a história do filme passa longe por esse embate, que é mera parte do enredo. Ao contrário de ser mais um longa que busca distorcer a realidade, Godzilla vs. Kong a expõe claramente, para quem quiser percebê-la.

É conhecido de alguns grupos o termo metacapitalista, uma pessoa que possui tanto dinheiro que busca controlar a sociedade através dele. Longe de ser uma teoria da conspiração, é notória a ação de metacapitalistas em nossa sociedade manipulando governos e implantando políticas de forma indireta, em especial através de ONGs. Como é tudo "comprado", força popular nenhuma consegue sobrepor-se aos seus objetivos - preste atenção ao que ocorre nas redes sociais hoje em dia.

No filme, as manobras obscuras da Apex Cibernética são denunciadas por um infiltrado através de seu podcast, que lembra as atuais mídias alternativas, tão desacreditadas e perseguidas, mas determinadas em mostrar a verdade que tentam a todo custo esconder. Não é um meio de comunicação para muitos, mas para os que realmente entendem o que está acontecendo - e, sobretudo, os que podem fazer alguma coisa, como a filha de um dos diretores da empresa.

O CEO da Apex tem um sonho em mente: desenvolver uma arma capaz de vencer Godzilla. Para isso, usa a antiga rivalidade com o King Kong como cortina de fumaça. Os telespectadores sabem disso porque o filme mostra a situação de forma ampla, mas imagine para as pessoas que foram iludidas pelo jogo de narrativas - conforme notícias veiculadas pela grande mídia do filme.

Enquanto Godzilla circunda a Apex em busca do que o ameaça, King Kong é levado a um local onde estaria a fonte de poder dos titãs, sob o pretexto de encontrarem um novo lar para ele - contendo o combustível necessário para funcionamento do Mecha Godzilla, o grande projeto da Apex, um robô semelhante não só em formato e tamanho, mas com a capacidade de liberar a mesma energia na mesma intensidade.

A rivalidade entre Godzilla e Kong é fundamental para sucesso do plano do CEO: ambos os titãs enfraquecidos não seriam páreos para sua criação. Aí vem a parte importante: vencer Godzilla era apenas o começo. O que fazer com uma arma tão poderosa assim depois? O filme não conta, nem expõe, mas chama a atenção: algo que poderia vencer Godzilla poderia subjulgar o mundo inteiro, pois nenhuma tecnologia seria capaz de fazer frente.

O Mecha Godzilla é derrotado pelo trabalho em equipe: não apenas dos titãs, mas daqueles que ouviram a mensagem do podcast e foram atrás da Verdade. Isso requer uma coragem e um desprendimento quase impossíveis hoje em dia, o que acaba por paralisar a maior parte das pessoas que tem interesse real em fazer algo. Contudo, só de essas ideias não pararem de circular é um motivo de alívio.

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Pensando além das ideologias


Cheguei à conclusão de que ideologia é algo ruim, independente de qual seja. A ideologia acaba por criar um padrão mental de base irracional, distorcendo a visão da realidade e fazendo com o que a pessoa tome decisões erradas, baseadas em uma tentativa inútil de mudança, tendo em vista que se baseia em algo inexistente como padrão.

Eu precisava falar isso, pois ideologia não possui posição política, ao contrário do que imaginam. Simplesmente pode aparecer em qualquer lugar, de qualquer forma, podendo, no final das contas, ser útil para aqueles que buscam reverter o processo, ou seja, abrir mão de uma mentalidade ideológica, consequentemente revolucionária, e buscar a realidade e a Verdade.

Não é possível mudança sem perceber o que realmente acontece. Interessante falar sobre após de dizer que a realidade é uma simulação. Acho que já comentei sobre, mas irei comentar novamente para reforçar: não adianta só saber disso, mas é necessário viver através disso, ter consciência. É um processo muito mais complexo que meramente eu escrever aqui. E buscar a realidade da simulação é parte do processo de desenvolvimento da consciência.

A ideologia faz o processo inverso em relação à realidade: ao invés de a pessoa definir seu caminho dentro do que percebe, ela tenta impor sobre a realidade aquilo que acha que sente. Considera o que é certo apenas aquilo que compartilha de sua visão de mundo distorcida e limitada, sem apurar o que realmente acontece. As conclusões equivocadas que surgem disso possuem resultados desastrosos, que tentam ser remendados com mais ideologia, gerando novos resultados desastrosos.

A mente das pessoas tende a criar ideologias como uma forma de criar respostas prontas para as diversas situações. Sair da situação de automatismo é necessário para não cair na armadilha ideológica, mesmo que isso acabe por gerar algumas situações desconfortáveis: a maioria das pessoas não sabe que é possível viver sem uma ideologia, inclusive podendo concordar ou discordar de ideias de correntes de pensamento diversas.

terça-feira, 9 de novembro de 2021

O importante é competir?

Quem nunca ouviu aquele chavão "não importa se ganhar ou perder, o importante é competir"? A ideia de que o importante é participar e se esforçar, independente do resultado, pode esconder algo terrível: e quem nunca ganhou nada, nem no par ou ímpar? Por mais que devamos nos comparar apenas com nós mesmos, a comparação com o outro pode ser saudável, quando ajuda a enxergarmos melhor.

Hoje em dia não há mais competição: todos são vencedores. No entanto, se todos são vencedores, qual o valor do esforço? Se a pessoa fizer qualquer coisa, ela será premiada, abrindo espaço para qualquer coisa ser considerada válida. Se só perder é ruim, só ganhar também o é: ainda mais quando não há a disputa, a comparação.

Aí que está o ponto de central de toda e qualquer competição: a comparação entre esforços, seja da pessoa com ela mesma, seja dela com outras pessoas. É o reconhecimento do esforço, da disciplina, do mérito, da criatividade, entre outros tantos valores. Por isso uma competição justa é benéfica, e quaisquer trapaças são combatidas.

É normal pensar em competições esportivas, mas isso pode ser levado para todos os aspectos da vida: pessoal, profissional, social. O importante não é a vitória, mas o reconhecimento do esforço, principalmente pela pessoa (geralmente o mais difícil). É difícil esse reconhecimento só com derrotas ou revezes: aquele "mas eu consegui tal coisa" nem sempre ajuda, às vezes mais atrapalhando.

O gostinho de vitória pode ajudar a nos sentir um pouco mais normais - não superiores, ao contrário do que pensam. A obsessão por vencer todos conhecem e sabem que é ruim, mas e aquele que faz questão de não se esforçar e ostenta suas derrotas? Também é ruim, tão ruim quanto, mas este acaba por ser mais consolado que criticado, ou incentivado a esforçar-se mais.

Nunca pensei que uma vitória pudesse despertar sentimentos de humildade e gratidão tão intensos. Agradecer aos concorrentes, aos apoiadores, a si mesmo. A sensação de poder seguir em frente com segurança e confiança de que está sempre fazendo o melhor possível, mesmo que haja revezes ou mesmo derrotas.