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Mostrando postagens de 2022

Simplesmente herói

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Herói é aquele que transcende a experiência humana, é aquele que vai além. Ele abre o caminho para que as outras pessoas prossigam, às vezes ao custo de si mesmo. Contudo, o herói não deixa de ser uma pessoa comum, com sua rotina, seus medos, seus sonhos, com um diferencial: ele toma atitude na hora necessária. Necessária por ser aquele momento em que algo deve ser feito, para não ser hipocritamente lamentado depois. Isso que transcende a experiência humana da sua rotina e que hoje em dia tem sido mais solapado que o normal. As pessoas são condenadas por tomar atitude, principalmente se aquela atitude muda o status quo ou traz a realidade à tona. A imagem de um super-herói humanizado faz parte dessa estratégia: apreciar seus defeitos (ou mesmo criar distúrbios) em detrimento de seu caráter e de suas realizações faz com que as pessoas tornem-se cada vez mais medíocres, e a vida mais sem-graça. Deve-se entender uma coisa: nem sempre o herói sabe o que está fazendo. Ele apenas faz, p

O Altruísmo é Egoísta

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Ao contrário da maior parte dos comunicadores, não sou daquelas pessoas que "desligam o firewall " alheio para transmitir uma mensagem. Eu prefiro que uma pessoa rejeite um argumento meu pela pura rejeição (refuto porque refuto) do que aceite bovinamente o que eu digo. E acredito que as pessoas deveriam aprender a manter o firewall ativo e vigilante para evitar que ideias indesejadas alojem-se na cabeça e criem raízes. O que eu quero dizer neste post nada tem a ver com aquela furada de que tudo é relativo . Depender de contexto, ou mesmo de ponto de vista, não significa relativizar. Relativizar é distorcer fatos para tirar proveito daquilo. Quando se analisa algo em seu devido contexto, a conclusão pode ser diferente do esperável, até mesmo desagradável. Mas é a concreta e correta. Quando eu digo que o altruísmo é egoísta é pelos dois conceitos estarem a tal ponto ligados que podem ser considerados uma coisa só. Como o Yin e o Yang do Taoismo, nos quais um tem o outro den

Precisamos de mais Sword Art Online

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Eu não gostaria de fazer uma análise desse tipo em relação ao anime, mas alguns aspectos da série inteira chamam atenção suficiente a respeito: é o anime mais avesso ao Feminismo que eu já vi - o que é muito bom, por sinal. Essa análise vai partir do Progressive, cujo primeiro filme da série estava nos cinemas (com previsão de lançamento de continuação), e fazer ligações com as outras temporadas, com os spoilers que eu considerar necessários. A Asuna é uma menina normal - por isso tão odiada, talvez. Filha de uma grande executiva, que quer que siga seus passos a qualquer custo. Asuna é esforçada, mas não é reconhecida pela mãe. Suas notas são boas, mas ela não é a melhor aluna da escola. No entanto, ela é popular e tem boas amigas. Asuna vai parar no SAO após um convite feito pela sua colega Mito, a melhor aluna da escola e uma grande jogadora. Durante o jogo, Asuna quer comprar roupas bonitas, tomar banho de banheira, comer os pratos saborosos dos restaurantes. Ao pensar assim, com

Poliana é sua inveja!

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Estou há alguns dias ouvindo pessoas aleatórias falarem da tal Poliana , que é um tipo de pessoa que só vê coisa boa em tudo, não há tristeza em nada, que é uma iludida etc. Essa conceitualização é acompanhada do conselho de que se deve olhar para o lado negativo da vida, que problemas existem, que nem tudo são sorrisos, ou seja: uma vida feliz é mera ilusão. No entanto, eu não conheço nenhuma pessoa assim - e acho que você não conhece nenhuma também. Em compensação, eu conheço muitas pessoas (muitas mesmo) que só sabem olhar para seus problemas, que não veem graça em nada, que tudo é negativo. Será que a ideia da Poliana não é apenas uma tentativa de tornar as pessoas mais tristes, que possa estar partindo de alguém que não suporta a felicidade alheia? Essas pessoas consideradas iludidas são, na verdade, pessoas que não se deixaram levar pelo sofrimento. Elas sabem que existem problemas, mas escolheram não se lamentar e viver a vida - e serem felizes. Problemas e contratempos são

A Vida Intelectual

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Acredito eu que a maioria dos leitores deste livro o conheceram pela recomendação do Olavo de Carvalho - uma excelente recomendação, aliás. Um livro simples, para todos lerem: um clássico na definição de Mortimer Adler. O livro de A. D. Sertillanges constitui-se de recomendações para aqueles que desejam desenvolver uma vida intelectual. Antes de tudo, a vida intelectual não desemboca, necessariamente, em uma produção a ser publicada: o erudito vale-se do estudo para tornar-se uma pessoa melhor - e assim tornar melhor a vida de quem está a sua volta. Este é um ponto importante: o intelectual deve, primeiramente, desenvolver-se como pessoa, pois assim estará aberto para encontrar a Verdade. Sem uma base moral, o estudo torna-se vazio, ou pior, sujeito a interesses escusos, causando mais males do que benesses. As primeiras recomendações do autor são voltadas à saúde e ao cotidiano do estudante: boa alimentação, exercícios físicos, prática religiosa, reservar um horário específico do dia

O problema da nota de participação

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É tão comum a nota de participação nos cursos que poucos acabam refletindo sobre seu real objetivo. São aqueles pontinhos que aprovam um aluno ruim, mas "que participa", e reprovam o bom aluno, mas desafeto do professor (isso é mais comum do que se pensa). Em ambiente escolar, é um recurso usado para "tentar disciplinar" alunos considerados "rebeldes". Já no ambiente acadêmico, é usado de forma sutil, de forma a favorecer e desfavorecer deliberadamente afetos e desafetos de bolsas de estudo e mesmo para a conclusão do próprio curso. Como disse nos posts sobre o livro Emburrecimento Programado, o que é ensinado na escola realmente é um padrão de comportamento a ser seguido pela sociedade, sendo um dos pontos a necessidade de esperar a boa vontade de um "superior" para reconhecer seu mérito. Será o "mestre", seja ele professor ou especialista, que irá dizer que você está apto ou não, que poderá seguir ou não, mesmo que seus critérios n

12 Regras para a Vida

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O principal livro do psicólogo e professor universitário Jordan Peterson é um autêntico livro de autoajuda. Com informações técnicas em uma linguagem simples, exemplificadas através do cotidiano e da cultura, é um livro que busca orientar as pessoas em sua rotina. Ao contrário do que se imagina ao ler o título do livro pela primeira vez, não é um livro receita de bolo , como a maioria dos livros de autoajuda. São normas, não para que a vida não se torne uma bagunça, mas para que a pessoa saiba agir quando tudo virar de pernas pro ar. O autor não é um militante político, apesar de admirado por ativistas conservadores, mas possui ideias firmes que incomodam sobretudo progressistas - e esses conflitos que o tornaram famoso nas redes sociais. Dentre os vídeos mais populares estão uma entrevista na qual a entrevistadora feminista entra em contradição, alunos que não aceitam o fato de ele não utilizar o dialeto não-binário, uma conversa na qual ele manda um ativista arrumar o próprio quarto

As Sete Lições Ensinadas na Escola

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Continuando a resenhar o livro Emburrecimento Programado, neste post irei comentar a parte mais popular do livro: as Sete Lições que seriam realmente ensinadas na escola, o que estaria por trás das matérias e comportamentos transmitidos aos alunos. De acordo com o autor, a escola obrigatória transmite um padrão de comportamento para que as pessoas possam submeter-se a uma estrutura sem possibilidade de reagir ou de buscar alternativas. 1- Confusão: As lições escolares não são ensinadas de forma encadeada, lógica. São literalmente jogadas aos alunos de forma dispersa mas em quantidade: coisas das quais nunca verão na vida, mesmo se forem trabalhar com aquela área do conhecimento. No final das contas, o aluno sai com jargões formados sobre aquele assunto, não com um conhecimento sobre. O aluno aprende diversas fórmulas matemáticas, mas nada sobre seus princípios. 2- Posição de Classe: O contexto do livro é a escolarização compulsória americana, onde os alunos são separados por rendi

Emburrecimento Programado

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Eu já havia comentado no blog que a geração atual foi programada para a escravidão : pessoas altamente especializadas em uma área mas que não conseguem viver a própria vida. Nesses dias encontrei o livro Emburrecimento Programado, que comenta como a escola foi estruturada para formar escravos, e não pessoas livres como o vulgo acredita. Interessante notar que este livro compara a escolarização antes e depois da Guerra Civil americana, ou seja, antes mesmo de se pensar em marxismo cultural ou na própria Escola de Frankfurt. O livro em si é confuso para as pessoas arraigadas no padrão esquerda-direita: o autor propõe uma "revolução educacional", onde a estrutura escolar atual é destruída por inteiro para dar lugar a uma nova. A própria vida do autor, John Taylor Gatto, não é lá uma vida exemplar: quando criança, chegou a ser preso umas três vezes. Fora que o autor não culpa diretamente a ideologia progressista por essa escravidão em série: pode-se dizer que o inimigo agora é

Podres de Mimados

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Surpreendi-me positivamente com este livro do Theodore Dalrymple. Lembro-me de ter tentado ler Em Defesa do Preconceito e parado por ter achado o livro destemperado : técnico demais para um leigo e leigo demais para um técnico. Podres de Mimados, contudo, está na medida certa: de fácil leitura para um leigo com informações importantes para profissionais da área. Finalmente um autor que busca localizar a origem de uma sociedade tão birrenta: Dalrymple aponta o excesso do Romantismo como responsável pelo excesso de sentimentalismo na sociedade atual. Depois do excesso de "racionalismo" promovido pelo Iluminismo e pela Revolução Francesa - entenda isso como algo negativo - o Romantismo surge como um questionamento do excesso de racionalidade, ganhando força ao longo do século XX. Não se pode esquecer, também, do mito do bom selvagem de Rousseau: mito pois não possui fundamentação nenhuma, se bem que até os mitos têm alguma. Rousseau simplesmente disse que as pessoas eram boas

Paulo Freire e os "contatinhos"

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Estudando (mais uma vez!) a vida e obra de Paulo Freire (pra que isso, meu Deus?), percebe-se que sua ascensão nos círculos intelectuais deu-se não pelo mérito de seu trabalho, já que sua obra ainda não havia sido consolidada, mas um projeto que teria "dado certo", mas pelos "contatinhos": pessoas que, em altos cargos públicos e políticos, deram-lhe não só oportunidades, mas construíram a imagem de grande intelectual cristão de esquerda. A parte principal de sua obra, que começa a ser escrita após a experiência de Angicos, é fraca. A única "inovação", se é que pode ser chamada assim, é a introdução da ideologia política no processo de formação intelectual do aluno - algo bem-recebido pelo movimento progressista em todo o mundo, rendendo-lhe prêmios não pelo valor educacional, mas pelo serviço prestado à causa. Uma simples pesquisa mostra que a teoria pedagógica de Paulo Freire é um amálgama de teóricos consagrados e, muitas vezes, sem as devidas referên