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Mostrando postagens de 2022

Os Caça-Fantasmas (1984, 1989, 2021)

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Pode-se estranhar por que não está referenciado o filme de 2016, e o motivo é simples: este busca anular o que ocorreu nos filmes anteriores, tentando direcionar a história para uma perspectiva revolucionária, algo que os primeiros tentaram combater. O filme de 2021, apesar da aparência de remake , já que possui a mesma história, vem complementar a trilogia, com cores pesadas e dramáticas. Caça-Fantasmas (sem o artigo, o de 2016) falhou. A geração seguinte a dos anos 1980 falhou em lutar pela liberdade, acomodada pelo mundo confortável após tantos fantasmas aprisionados, chegando ao ponto de desacreditar na existência destes e menosprezar o trabalho d'Os Caça Fantasmas da geração anterior. O que chama a atenção no filme mais recente não é a atualização dos efeitos especiais, mas sim o tom dramático que a história tem. Não é mais aquele filme bem humorado de cientistas excêntricos pesquisando sobre espectros, mas um filme dramático no qual a humanidade está em risco sem pessoas

Shazam! (2019)

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Shazam é um filme que merece atenção. Não irei comentar sobre a história nos quadrinhos, ou quão próximas são ambas as versões, mas como Shazam é um herói de verdade. Apesar de ser apenas um garoto de 14 anos, desastrado e sem noção, ele foi escolhido para herdar um poder ancestral por conta da pureza do seu coração: a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a resistência de Atlas, os raios de Zeus, a coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio. Todo esse poder para combater os Sete Pecados Capitais, que podem lançar a humanidade no caos e na barbárie. Pode-se até pensar no anime Nanatsu no Taizai, mas a temática de Shazam lembra uma história medieval conhecida como A Guerra dos Vícios conta as Virtudes, copiada em diversos mosteiros, com um estilo que hoje é conhecido por gore : as Virtudes lutam contra os Vícios em combates mortais, narrados (e ilustrados) com riqueza de detalhes - aqueles que não irei citar aqui. Não sei se o autor de Shazam conheceu essa história, mas não d

Por que eu não tenho YouTube

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Vira e mexe algum leitor (de longa data ou não) me pergunta por que não tenho um canal no YouTube. A facilidade que as pessoas têm para ouvir e (às vezes) ver os vídeos é proporcional à dificuldade que o dono do canal pode ter para criá-los. Não é de agora que deixei de lado essa ideia estapafúrdia, mas como esta pergunta é recorrente, melhor escrever (ou desenhar) o motivo. Se você não tem rios de dinheiro para contratar uma produtora para gravar e editar os vídeos por você (o que de quebra joga a relevância do canal lá pra cima), você terá que gastar tempo (e dinheiro) para gravar os vídeos. O planejamento que ensinei sobre os temas abordados em um blog, assim como a plataforma em que ele será publicado, estende-se também, no caso de vídeo, da forma que ele será gravado. Dependendo do caso, você terá que gastar em uma boa câmera e em um bom microfone, com a real possibilidade de não receber um mínimo tostão. Não existem editores de vídeo bons e gratuitos: o que existem são platafo

Mulheres que Correm com os Lobos - 15: Encerramento

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Eu analisei o livro partindo do conceito de Feminismo como movimento político-ideológico. Entretanto, pode-se concluir que Mulheres que Correm com os Lobos é um livro que mostra o Feminismo como uma seita de mulheres que busca dominar a sociedade. Seria uma espécie de sociedade secreta baseada em religiões antigas (ou no que dizem ser religiões antigas), com ritos, valores e divindades. A maior parte dos seus membros são de baixa hierarquia, não tendo nenhuma noção do que ocorre lá dentro (ou lá embaixo). Só assim para entender a imagem da Mulher Selvagem que Pinkola Estés apresenta no livro. Não é de um arquétipo, é ampla demais para tal, além das associações constantes com entidades de cultos antigos. Com a mente confusa, pelas histórias e pelos floreios, a mente da leitora é reprogramada para buscar essa imagem como estilo de vida, como resposta a anseios (reais ou inseridos), tornando a Mulher Selvagem uma divindade de um culto ideológico. Isso também explicaria por que feminist

Mulheres que Correm com os Lobos - 14: Bibliografia

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Como a própria autora diz, a Bibliografia não é apenas uma lista de livros utilizados para elaboração da obra, como também uma lista de livros recomendados para a leitora que tiver interesse em se aprofundar na causa feminista e ambientalista. A Bibliografia pode ajudar a descobrir de onde vem a maior parte das citações sem referência presentes na obra, mas como eu disse anteriormente, isso seria trabalho para outro livro, requerendo talvez anos de pesquisa. Alguns livros estavam disponíveis em português à época e mais alguns foram traduzidos posteriormente. Há livros esgotados - e que não estão disponíveis nem em versão digital - e alguns clássicos, tanto literários quanto religiosos. Pinkola Estés sugere a combinação da análise das obras da Bibliografia com obras de Filosofia, como as de Kant, Kierkegaard e Mencken, mas eu tenho uma ideia melhor: analisar as obras mais populares para ter uma melhor ideia da base utilizada pela autora. Os livros de literatura são em grande parte do

Mulheres que Correm com os Lobos - 13: O que as histórias realmente querem dizer

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Olhando Mulheres que Correm com os Lobos de uma perspectiva feminista, como dito anteriormente, vê-se que a obra é um manual de formação de militância. No entanto, é um tipo de militância sutil, que não tem consciência de que atua por uma causa ideológica, o que pode ser chamado de idiota útil , segundo Gramsci. Decidi então mostrar o que a autora quer dizer (ou programar) com as histórias apresentadas, apesar dos floreios e dos recursos motivacionais, além de fazer alguns comentários sobre. La Loba: quebra da ordem natural, ressurreição sem intervenção divina. Começar a aceitar ideias absurdas. Em histórias onde há um "retorno à vida" provocado sem motivação divina, quem a promove é um ser maléfico, com intuito corrompido. Barba-Azul: questionar tudo que vem dos homens, a ponto de gerar a discórdia. Homens apenas podem ser aceitos se submissos à mulher. Nessa história, a mulher tenta negar a cumplicidade que possui com o marido e no final utiliza seus irmãos para sair d

Mulheres que Correm com os Lobos - 12: La Llorona

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A outra vez que eu ouvi falar da Chorona, fora o livro em análise, foi no seriado Chaves, em um episódio onde comentavam sobre assombrações. Ela é o equivalente hispânico do Velho do Saco: uma pessoa que leva embora crianças mal comportadas. No entanto, a história de La Llorona vai além de uma sequestradora, e Pinkola Estés tenta colocá-la dentro dos princípios feministas a todo custo. De acordo com a autora, La Llorona é uma moça que teria aceitado casar-se com um homem que estava perdidamente apaixonado por ela e tiveram dois filhos. Depois de um tempo, ele anuncia que precisa voltar para a Espanha e que levaria os filhos junto para terem uma vida melhor. A moça não aceita e se joga num rio com as crianças. Ao chegar ao Céu, o porteiro (acredito que seja S. Pedro) diz que ela está perdoada, mas para entrar precisaria trazer as almas dos filhos, perdidas no fundo do rio. A lição que ficaria é a de que as crianças não poderiam ficar até tarde brincando fora de casa: La Llorona poderi

Mulheres que Correm com os Lobos - 11: Sapatinhos Vermelhos

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Há algumas histórias que chamam atenção no Mulheres que Correm com os Lobos, mesmo que o objetivo seja apenas a reprogramação da mente da leitora para a causa feminista: Sapatinhos Vermelhos e La Llorona. Eu poderia comentar sobre A Donzela sem Mãos, mas em resumo é uma história na qual dá-se a entender como um ciclo de formação feminista no qual a leitora abre mão de seus valores para abraçar a causa, ou sobre Pele de Foca, em uma narrativa semelhante, só que abandonando filho e marido ao invés dos pais. Sapatinhos Vermelhos, da forma que a autora narra, é chocante. Não conheço outras versões para confrontar, além de ter conhecido essa história por este livro. O subterfúgio de "pesquisar histórias" e contar o que considera conveniente deixa claro o propósito manipulador das histórias contadas, ainda mais quando Pinkola Estés faz observações sobre valores e elementos cristãos. Esta história parece mais forçar o firewall da leitora do que trazer elementos de análise. Em re

Mulheres que Correm com os Lobos - 10: Os Lobos

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Os lobos são um dos elementos de menor importância do livro, apesar de serem parte do título deste. Tanto é que em meus rascunhos foi deixado para o final, apenas antes dos esboços sobre bibliografia e encerramento dessa série de posts. Por mais que a obra leve seu nome, o lobo no livro é muito mais um símbolo do que uma reflexão em si. Tanto é que a deusa de Pinkola Estés é a Mulher Selvagem, não a Mulher Loba - e La Loba é algo secundário, mero epíteto. A autora faz algumas analogias com os lobos ao longo da obra. Informa que conviveu com eles ao longo da vida e estudou sobre seu comportamento. Contudo, ao longo das páginas isso não se apresenta: o que Pinkola Estés fala sobre lobos, poderia ser sobre leões, tigres, até aves ou mesmo, para esculachar, baratas. A autora não cita um estudo científico sobre lobos, nem mesmo algum que tenha sido publicado por ela. A alcateia de Pinkola Estés é uma tribo utópica de seres humanos convivendo harmoniosamente em um paraíso socialista. Diz

Mulheres que Correm com os Lobos - 9: Sobre a Raiva e o Direcionamento

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Não irei me deter no que a autora do livro define por raiva e por perdão. Esse será o gancho para uma outra reflexão da qual esta se deriva. Percebi que escrevi muito sobre o livro, mas ainda há pontos importantes a serem analisados. Um deles é o que pode ser chamado de conveniência do movimento, deturpando valores e reprogramando a mente da leitora para a causa feminista. Como disse anteriormente, as histórias servem apenas para desligar o firewall das leitoras e assim conseguir reprogramar suas mentes de forma mais fácil. No caso da raiva, fica patente que o problema não está na raiva em si, mas no direcionamento que é dado. Pinkola Estés faz um elogio à raiva, como um mestre que provoca as mudanças necessárias para a pessoa. Quem conhece o blog sabe o que eu já disse sobre o nível de consciência da Raiva (150) e da necessidade de superá-la. Sentir raiva não é bom, devendo a pessoa transcendê-la para atingir níveis mais altos de consciência. O próprio Hawkins fala que é possível

Mulheres que Correm com os Lobos - 8: Aparência e Beleza

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Esse é um dos pontos nos quais as críticas do Feminismo mais falham: para algumas, não existe padrão de beleza, como se o autocuidado sistematizado fosse algo instintivo da mulher; outras fogem do assunto, subestimando a profundidade e as reais consequências da aparência na vida feminina. Ao contrário do que todas elas imaginam, essa é uma das bases da militância feminista, que atrai mulheres do mundo todo e acaba por sustentar o movimento. A situação é simples: existe um padrão de beleza no qual a mulher que não se encaixa é considerada inferior. As excluídas insatisfeitas tornam-se presa fácil do Feminismo, que acaba por destruir toda e qualquer referência de higiene e autocuidado. É necessário discutir sobre, pois apenas caçoar e ignorar dá mais força ao movimento, que literalmente reprograma a mulher sobre o assunto, sendo uma tarefa hercúlea a reversão. No livro Mulheres que Correm com os Lobos, a autora Clarissa Pinkola Estés busca diluir a noção de beleza na linha do "to

Mulheres que Correm com os Lobos - 7: Referências Problemáticas

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Ficou claro ao longo dos posts até agora que a autora não se preocupa com as referências e citações que utiliza. Logo no começo da obra, é de se estranhar as afirmações sem ao menos informar suas origens, como se tivessem sido concluídas pela própria autora. Como já dito anteriormente, boa parte das afirmações são de outras obras, como O Segundo Sexo de Simone de Beauvoir. Para uma pesquisadora Ph. D., a ausência de referências e citações é no mínimo suspeita, para não dizer desonesta. Quando são obras literárias de seu meio cultural, os autores são apresentados e a quais livros pertencem, além de estarem na Bibliografia. Fora disso, há problemas com obras consagradas e até mesmo com etimologias das palavras utilizadas. Alguns exemplos para ilustrar são importantes. Informa a autora que a monja e mística cristã Sta. Hildegarda de Bingen afirmou em sua obra que "a alma é uma pena ao sopro de Deus". Nas notas, consta que foi consultado um manuscrito na Alemanha. No entanto, a

Mulheres que Correm com os Lobos - 6: O Cristianismo

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Como disse anteriormente, a autora chama o Cristianismo de nova religião e de religião artificial como formas de depreciá-lo. Apesar de no começo a obra a autora fazer críticas sutis e até mesmo indiretas, aos poucos essas críticas vão ficando mais duras. Ao final, dá-se a entender que o Cristianismo é culpado por todos os problemas, atuais ou não, concluindo-se que o retorno ao passado idílico da sociedade matriarcal (com sua religião matrifocal), comentado no post anterior, é a solução. A questão é que o Cristianismo trouxe um fator até então pouco trabalhado em sociedades antigas: a transcendência. Ser cristão é transcender este mundo e seguir o que o Pai ensinou, com todas as perseguições e revezes, sem ceder pela fé. Ao contrário do que pensam, não é jogar os problemas para um futuro, ou ficar de braços cruzados esperando um milagre, mas ter a fé de que a boa conduta na Terra permitirá alcançar a glória dos Céus. Não existe transcendência alguma no livro. É a ideia de que tudo d

Mulheres que Correm com os Lobos - 5: O Tal do Matriarcado

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Não se pode deixar de falar de Mulher Selvagem sem falar sobre o matriarcado. Esta é uma forma de organização social, existente até os dias de hoje, mas que se encontram mais idealizações do que informações históricas e/ou arqueológicas. Existe um debate atual, desastrado na minha opinião, sobre existir ou não esse tipo de organização. Como a maior parte dos trabalhos sobre o assunto tem por objetivo propagandear sobre uma sociedade perfeita, a própria existência de sociedades assim é posta em dúvida. O principal argumento da inexistência do matriarcado, defendido por alguns pesquisadores de certa envergadura intelectual, é a ausência de fontes. Com pesquisas que mais idealizam do que apresentam a realidade, que acabam por ser refutadas décadas depois, realmente fica difícil de acreditar que existam sociedades matriarcais até hoje. E se deve ressaltar que esses questionadores também são orientados ideologicamente, o que complica ainda mais a situação. Sociedades matriarcais sempre e

Mulheres que Correm com os Lobos - 4: A Mulher Selvagem

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Talvez pareça estranho só agora falar sobre a Mulher Selvagem, que pode ser chamada de principal personagem do livro, a estrela do show . Mulheres que Correm com os Lobos propõe-se a apresentar o que é considerado por arquétipo inerente a todas as mulheres. No entanto, só de ler novamente esta afirmação nota-se que é falha, pois um arquétipo faz parte do inconsciente coletivo de todas as pessoas, homens e mulheres. A definição de Mulher Selvagem vai além do arquétipo, e ganha mais características ao longo da obra do que o simples padrão de personalidade dos arquétipos, como um ser que ganha vida e personalidade no interior da mente humana, um software mental. Contudo, não consigo deixar de pensar também na ideia de divindade, tendo em vista que o livro comenta sobre uma suposta religião matrifocal de uma sociedade matriarcal que teria existido na Antiguidade. Quando um conceito é ampliado exageradamente, torna-se impossível a crítica, pois ele nunca é aquilo que pode ser considerad

Mulheres que Correm com os Lobos - 3: Sobre Contos de Fadas

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Cabe nesse post uma observação importante: a definição de contos de fadas. Para esta análise, baseei-me no livro Árvore e Folha, de J. R. R. Tolkien. Na primeira parte do livro, Sobre Histórias de Fadas, Tolkien apresenta o que são os contos de fadas, analisando as coletâneas existentes em sua época e explicando que a maior parte delas não possui contos de fadas legítimos. Na segunda parte, é apresentado um conto de fadas de exemplo - de autoria do próprio Tolkien. Boa parte do que hoje é chamado de conto de fadas nada mais é do que uma história popular, passada pelas gerações, sofrendo alterações, e mesmo adulterações em alguns casos. No livro Mulheres que Correm com os Lobos, a autora não busca uma versão original, ou a versão mais antiga preservada, como uma das características dos contos de fadas, mas sim a criação de uma "versão original", com elementos que a autora considera oriundos de antigas religiões - anteriores ao Cristianismo -, chamados de "esqueletos&qu

Mulheres que Correm com os Lobos - 2: Como Funciona

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O livro baseia-se em uma pretensa análise de "contos de fadas" e histórias populares, de origem do leste europeu e do meio-oeste norte-americano, sob o ponto de vista da psicanálise junguiana. A autora afirma ser psicanalista especializada nessas histórias, informando que tem por trabalho pesquisar e analisar as diferentes versões destas histórias para uso em terapia. No entanto, é bom ressaltar que as histórias são meios pelos quais são desligados os firewalls das leitoras, tornando a reprogramação fácil, profunda e de difícil reversão. Ao envolver-se com estes contos, o canal empático aberto permite que novas ideias sejam programadas, anulando, ou mesmo deletando, partes da programação original da leitora, de forma a direcioná-la a uma visão de mundo revolucionária. As histórias em si pouco têm valor, com exceção de três: Sapatinhos Vermelhos, La Llorona e A Donzela sem Mãos. As duas primeiras serão analisadas em postagens separadas, por conta da "pancada mental&qu

Mulheres que Correm com os Lobos - 1: Uma Introdução

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Este é o primeiro de uma série de posts que vou fazer para analisar o livro Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarissa Pinkola Estés. Foi um dos meus livros favoritos da minha adolescência, e decidi analisá-lo depois de cerca de quinze anos. Surpreendi-me negativamente, pois o livro é uma verdadeira lavagem cerebral, assim como me surpreendi positivamente, já que consegui superar isso e passei a ver essas falhas. Não irei me estender em detalhes sobre a autora, baseando-me apenas no que ela declara em seu livro. Afinal, é uma obra que tem por público-alvo adolescentes e donas de casa de meia-idade, dois públicos que não se preocupam com mais informações do que as da obra em si. Fora que, além do trabalho enorme em fazer esta análise, ficaram muitos detalhes em aberto, o que tornaria seu aprofundamento um trabalho de anos. Logo aviso que irei utilizar o termo leitora e correlatos no feminino, pois, como disse antes, a obra é voltada para o público feminino, fora que conheci pouquí

Simplesmente herói

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Herói é aquele que transcende a experiência humana, é aquele que vai além. Ele abre o caminho para que as outras pessoas prossigam, às vezes ao custo de si mesmo. Contudo, o herói não deixa de ser uma pessoa comum, com sua rotina, seus medos, seus sonhos, com um diferencial: ele toma atitude na hora necessária. Necessária por ser aquele momento em que algo deve ser feito, para não ser hipocritamente lamentado depois. Isso que transcende a experiência humana da sua rotina e que hoje em dia tem sido mais solapado que o normal. As pessoas são condenadas por tomar atitude, principalmente se aquela atitude muda o status quo ou traz a realidade à tona. A imagem de um super-herói humanizado faz parte dessa estratégia: apreciar seus defeitos (ou mesmo criar distúrbios) em detrimento de seu caráter e de suas realizações faz com que as pessoas tornem-se cada vez mais medíocres, e a vida mais sem-graça. Deve-se entender uma coisa: nem sempre o herói sabe o que está fazendo. Ele apenas faz, p

O Altruísmo é Egoísta

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Ao contrário da maior parte dos comunicadores, não sou daquelas pessoas que "desligam o firewall " alheio para transmitir uma mensagem. Eu prefiro que uma pessoa rejeite um argumento meu pela pura rejeição (refuto porque refuto) do que aceite bovinamente o que eu digo. E acredito que as pessoas deveriam aprender a manter o firewall ativo e vigilante para evitar que ideias indesejadas alojem-se na cabeça e criem raízes. O que eu quero dizer neste post nada tem a ver com aquela furada de que tudo é relativo . Depender de contexto, ou mesmo de ponto de vista, não significa relativizar. Relativizar é distorcer fatos para tirar proveito daquilo. Quando se analisa algo em seu devido contexto, a conclusão pode ser diferente do esperável, até mesmo desagradável. Mas é a concreta e correta. Quando eu digo que o altruísmo é egoísta é pelos dois conceitos estarem a tal ponto ligados que podem ser considerados uma coisa só. Como o Yin e o Yang do Taoismo, nos quais um tem o outro den

Precisamos de mais Sword Art Online

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Eu não gostaria de fazer uma análise desse tipo em relação ao anime, mas alguns aspectos da série inteira chamam atenção suficiente a respeito: é o anime mais avesso ao Feminismo que eu já vi - o que é muito bom, por sinal. Essa análise vai partir do Progressive, cujo primeiro filme da série estava nos cinemas (com previsão de lançamento de continuação), e fazer ligações com as outras temporadas, com os spoilers que eu considerar necessários. A Asuna é uma menina normal - por isso tão odiada, talvez. Filha de uma grande executiva, que quer que siga seus passos a qualquer custo. Asuna é esforçada, mas não é reconhecida pela mãe. Suas notas são boas, mas ela não é a melhor aluna da escola. No entanto, ela é popular e tem boas amigas. Asuna vai parar no SAO após um convite feito pela sua colega Mito, a melhor aluna da escola e uma grande jogadora. Durante o jogo, Asuna quer comprar roupas bonitas, tomar banho de banheira, comer os pratos saborosos dos restaurantes. Ao pensar assim, com

Poliana é sua inveja!

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Estou há alguns dias ouvindo pessoas aleatórias falarem da tal Poliana , que é um tipo de pessoa que só vê coisa boa em tudo, não há tristeza em nada, que é uma iludida etc. Essa conceitualização é acompanhada do conselho de que se deve olhar para o lado negativo da vida, que problemas existem, que nem tudo são sorrisos, ou seja: uma vida feliz é mera ilusão. No entanto, eu não conheço nenhuma pessoa assim - e acho que você não conhece nenhuma também. Em compensação, eu conheço muitas pessoas (muitas mesmo) que só sabem olhar para seus problemas, que não veem graça em nada, que tudo é negativo. Será que a ideia da Poliana não é apenas uma tentativa de tornar as pessoas mais tristes, que possa estar partindo de alguém que não suporta a felicidade alheia? Essas pessoas consideradas iludidas são, na verdade, pessoas que não se deixaram levar pelo sofrimento. Elas sabem que existem problemas, mas escolheram não se lamentar e viver a vida - e serem felizes. Problemas e contratempos são

A Vida Intelectual

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Acredito eu que a maioria dos leitores deste livro o conheceram pela recomendação do Olavo de Carvalho - uma excelente recomendação, aliás. Um livro simples, para todos lerem: um clássico na definição de Mortimer Adler. O livro de A. D. Sertillanges constitui-se de recomendações para aqueles que desejam desenvolver uma vida intelectual. Antes de tudo, a vida intelectual não desemboca, necessariamente, em uma produção a ser publicada: o erudito vale-se do estudo para tornar-se uma pessoa melhor - e assim tornar melhor a vida de quem está a sua volta. Este é um ponto importante: o intelectual deve, primeiramente, desenvolver-se como pessoa, pois assim estará aberto para encontrar a Verdade. Sem uma base moral, o estudo torna-se vazio, ou pior, sujeito a interesses escusos, causando mais males do que benesses. As primeiras recomendações do autor são voltadas à saúde e ao cotidiano do estudante: boa alimentação, exercícios físicos, prática religiosa, reservar um horário específico do dia

O problema da nota de participação

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É tão comum a nota de participação nos cursos que poucos acabam refletindo sobre seu real objetivo. São aqueles pontinhos que aprovam um aluno ruim, mas "que participa", e reprovam o bom aluno, mas desafeto do professor (isso é mais comum do que se pensa). Em ambiente escolar, é um recurso usado para "tentar disciplinar" alunos considerados "rebeldes". Já no ambiente acadêmico, é usado de forma sutil, de forma a favorecer e desfavorecer deliberadamente afetos e desafetos de bolsas de estudo e mesmo para a conclusão do próprio curso. Como disse nos posts sobre o livro Emburrecimento Programado, o que é ensinado na escola realmente é um padrão de comportamento a ser seguido pela sociedade, sendo um dos pontos a necessidade de esperar a boa vontade de um "superior" para reconhecer seu mérito. Será o "mestre", seja ele professor ou especialista, que irá dizer que você está apto ou não, que poderá seguir ou não, mesmo que seus critérios n

12 Regras para a Vida

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O principal livro do psicólogo e professor universitário Jordan Peterson é um autêntico livro de autoajuda. Com informações técnicas em uma linguagem simples, exemplificadas através do cotidiano e da cultura, é um livro que busca orientar as pessoas em sua rotina. Ao contrário do que se imagina ao ler o título do livro pela primeira vez, não é um livro receita de bolo , como a maioria dos livros de autoajuda. São normas, não para que a vida não se torne uma bagunça, mas para que a pessoa saiba agir quando tudo virar de pernas pro ar. O autor não é um militante político, apesar de admirado por ativistas conservadores, mas possui ideias firmes que incomodam sobretudo progressistas - e esses conflitos que o tornaram famoso nas redes sociais. Dentre os vídeos mais populares estão uma entrevista na qual a entrevistadora feminista entra em contradição, alunos que não aceitam o fato de ele não utilizar o dialeto não-binário, uma conversa na qual ele manda um ativista arrumar o próprio quarto

As Sete Lições Ensinadas na Escola

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Continuando a resenhar o livro Emburrecimento Programado, neste post irei comentar a parte mais popular do livro: as Sete Lições que seriam realmente ensinadas na escola, o que estaria por trás das matérias e comportamentos transmitidos aos alunos. De acordo com o autor, a escola obrigatória transmite um padrão de comportamento para que as pessoas possam submeter-se a uma estrutura sem possibilidade de reagir ou de buscar alternativas. 1- Confusão: As lições escolares não são ensinadas de forma encadeada, lógica. São literalmente jogadas aos alunos de forma dispersa mas em quantidade: coisas das quais nunca verão na vida, mesmo se forem trabalhar com aquela área do conhecimento. No final das contas, o aluno sai com jargões formados sobre aquele assunto, não com um conhecimento sobre. O aluno aprende diversas fórmulas matemáticas, mas nada sobre seus princípios. 2- Posição de Classe: O contexto do livro é a escolarização compulsória americana, onde os alunos são separados por rendi

Emburrecimento Programado

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Eu já havia comentado no blog que a geração atual foi programada para a escravidão : pessoas altamente especializadas em uma área mas que não conseguem viver a própria vida. Nesses dias encontrei o livro Emburrecimento Programado, que comenta como a escola foi estruturada para formar escravos, e não pessoas livres como o vulgo acredita. Interessante notar que este livro compara a escolarização antes e depois da Guerra Civil americana, ou seja, antes mesmo de se pensar em marxismo cultural ou na própria Escola de Frankfurt. O livro em si é confuso para as pessoas arraigadas no padrão esquerda-direita: o autor propõe uma "revolução educacional", onde a estrutura escolar atual é destruída por inteiro para dar lugar a uma nova. A própria vida do autor, John Taylor Gatto, não é lá uma vida exemplar: quando criança, chegou a ser preso umas três vezes. Fora que o autor não culpa diretamente a ideologia progressista por essa escravidão em série: pode-se dizer que o inimigo agora é