As Sete Lições Ensinadas na Escola

Continuando a resenhar o livro Emburrecimento Programado, neste post irei comentar a parte mais popular do livro: as Sete Lições que seriam realmente ensinadas na escola, o que estaria por trás das matérias e comportamentos transmitidos aos alunos. De acordo com o autor, a escola obrigatória transmite um padrão de comportamento para que as pessoas possam submeter-se a uma estrutura sem possibilidade de reagir ou de buscar alternativas.

1- Confusão:

As lições escolares não são ensinadas de forma encadeada, lógica. São literalmente jogadas aos alunos de forma dispersa mas em quantidade: coisas das quais nunca verão na vida, mesmo se forem trabalhar com aquela área do conhecimento. No final das contas, o aluno sai com jargões formados sobre aquele assunto, não com um conhecimento sobre. O aluno aprende diversas fórmulas matemáticas, mas nada sobre seus princípios.

2- Posição de Classe:

O contexto do livro é a escolarização compulsória americana, onde os alunos são separados por rendimento, ou seja, há as salas dos alunos inteligentes e dos não tão inteligentes assim. Pode fazer sentido num primeiro momento, mas o problema está na estagnação do aluno: ao entrar em uma classe, dela não sairá mais, mesmo se o seu rendimento aumente ou diminua.

Por mais que se esforce, e se torne um bom aluno, permanecerá o rótulo de aluno ruim ou razoável por toda a vida escolar, e será tratado dessa forma. Para piorar, a classificação escolar é levada em consideração pelas universidades para aceitar ou rejeitar o ingresso de um aluno, e também levada em conta no mercado de trabalho, como uma casta indiana. Ou seja, na escola o aluno aprende que tem uma posição social fixa, e que nunca poderá sair dela.

3- Indiferença:

Não importa quanto o aluno goste daquela aula, ao bater o sinal ele deverá guardar os livros e cadernos e pegar os correspondentes da outra aula. Contudo, não poderá exprimir o quanto a aula anterior estava boa, mas que a aula atual é a melhor aula a qual ele já assistiu. A vida será assim: a cada sinal, a pessoa terá de mudar completamente a atitude, largar tudo o que está fazendo para começar algo completamente diferente.

É comum reclamarem hoje em dia que os jovens são dispersos, que não possuem foco para realizar suas tarefas, seja tentando fazer várias ao mesmo tempo, seja começando uma após a outra sem concluir nenhuma. Isso não é mera natureza da geração, mas sim um comportamento que foi sistematizado anos a fio no ambiente escolar.

4- Dependência emocional:

Os alunos são programados para dependerem emocionalmente de seus superiores, principalmente dos professores - dar presentes a estes pode não ser apenas mera gratidão, mas uma forma de tentar aplacar sua fúria na hora de dar uma nota ruim. Por mais que acreditem que "a matéria é isso e ponto, principalmente em exatas", o professor sempre encontra uma brecha para reduzir a nota de um desafeto.

Essa dependência é estendida para inspetores de alunos, coordenadores e diretores. Uma frase fora de contexto, assim como uma atitude mal vista, pode resultar de uma advertência a uma expulsão mais pelo humor da direção do que pelo fato em si. Isso arrebenta a autoconfiança do aluno, tornando-o suscetível a perseguições não só na vida escolar como na vida adulta.

Note que isso também acontece em meio acadêmico. Muitos pensam que ao ingressar na Universidade esse tipo de coisa não irá ocorrer, mas acaba por acontecer de forma mais sutil e muito mais sórdida: principalmente na área de Humanas, onde o professor sempre tem um argumento contra o aluno, sem direito a recurso. Isso ocorre para que haja o favorecimento de certos alunos em detrimento de outros, não por conta do conhecimento acumulado, mas daqueles que aprenderam as lições deste post.

5- Dependência intelectual:

Essa lição também continua no ensino acadêmico, mas voltemos à escola. O aluno nunca saberá o bastante, ficando dependente da opinião de um "superior", o famoso especialista. Sempre haverá alguém mais inteligente que irá ditar o que o outro deve fazer, ou não fazer. E se deve esperar esta instrução, sem tomar atitude por conta própria.

6- Autoestima provisória:

Pessoas autoconfiantes são difíceis de serem controladas, logo é necessário acabar com sua autoestima já na idade escolar. O sistema de notas e avaliações é utilizado para abalar a autoestima dos alunos através de notas dadas subjetivamente (nota de comportamento, pontos na média, etc.). Posso dizer que o bullying é utilizado pelas escolas para manter os alunos sob controle, pois em geral os bullies são mais facilmente controlados do que suas vítimas.

7- Não é possível esconder-se:

Qual é o grande recurso utilizado no 1984? O monitoramento onipresente - nem se pode dizer constante, pois a sensação de vigilância é tal que não se pode pensar que em algum momento a pessoa não é monitorada. A vigilância faz com que as pessoas mudem seu comportamento e até seus pensamentos. É impossível vigiar uma pessoa o tempo todo, mas quando que a pessoa não é vigiada?

Na escola, os alunos são monitorados constantemente, não porque podem aprontar a qualquer momento, mas para que não possam cultivar sua individualidade e autoconfiança perante as adversidades. Por isso as idas ao banheiro são controladas, assim como a frequência às aulas. Não se pode deixar o aluno ter momentos de liberdade - apenas em horários e condições específicos.

As lições de casa são um exemplo da tentativa de onipotência da escolarização compulsória: em casa você não terá tempo para suas coisas, pois precisa continuar dedicando-se à escola. Mesma coisa em relação aos trabalhos escolares. O objetivo é que o aluno continue a repetir os mesmos comportamentos aprendidos em sala de aula fora do ambiente escolar.

Por fim...

Através dessas sete lições fica claro que o objetivo do ensino obrigatório é formar multidões de pessoas submissas, sem autoestima nem autoconfiança, sujeitas a qualquer pessoa que seja intitulada de "especialista". Mesmo que algumas pessoas queiram quebrar esse ciclo vicioso, terão de esforçar-se primeiramente para desenvolver o foco e a disciplina que a escola não ensinou, ou não conseguirão persistir e se libertar dessa prisão mental.

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