12 Regras para a Vida

O principal livro do psicólogo e professor universitário Jordan Peterson é um autêntico livro de autoajuda. Com informações técnicas em uma linguagem simples, exemplificadas através do cotidiano e da cultura, é um livro que busca orientar as pessoas em sua rotina. Ao contrário do que se imagina ao ler o título do livro pela primeira vez, não é um livro receita de bolo, como a maioria dos livros de autoajuda. São normas, não para que a vida não se torne uma bagunça, mas para que a pessoa saiba agir quando tudo virar de pernas pro ar.

O autor não é um militante político, apesar de admirado por ativistas conservadores, mas possui ideias firmes que incomodam sobretudo progressistas - e esses conflitos que o tornaram famoso nas redes sociais. Dentre os vídeos mais populares estão uma entrevista na qual a entrevistadora feminista entra em contradição, alunos que não aceitam o fato de ele não utilizar o dialeto não-binário, uma conversa na qual ele manda um ativista arrumar o próprio quarto antes de querer mudar o mundo e outra conversa na qual prova que as grandes vítimas da sociedade são os homens, e não as mulheres.

Apesar disso, o livro raramente toca nesses assuntos, tão em voga hoje em dia. Pode-se dizer que Peterson é um livre-pensador, que conhece o mundo, a ponto de não se deixar levar por nenhuma ideologia - algo tão necessário e considerado extremamente perigoso ultimamente. A base das 12 Regras (irei utilizar a forma na qual foi redigido o título) é a capacidade do ser humano de ser destrutivo a ponto de por em risco a existência da humanidade em nome de um ideal.

Regras são necessárias, pois elas limitam e, dessa forma, ordenam parte do caos existente e é um apoio em caso de imprevistos. Com tantas leis absurdas na atualidade, falar que regras são necessárias chega a ser incômodo, mas, como o próprio autor afirma, em outras palavras, é necessário dizer sim a algumas regras para ter-se firmeza na hora de dizer não a outras, e assim evitar o totalitarismo.

Com a relatividade do certo e errado, o único fator moral existente é um tipo niilista de tolerância. Deve-se tolerar tudo, aceitar tudo (sem questionamento, diferente da Aceitação como consciência), sendo que qualquer discordância é vista como inaceitável, devendo ser imediatamente destruída. O relativismo moral abre caminho para ideologias totalitárias por estas apresentarem-se como detentoras de todas as respostas - e as pessoas continuam a buscar respostas para sua vida.

O livro propõe regras para que as pessoas possam fixar e hierarquizar seus valores, e dessa forma desenvolver uma vida íntegra, harmonizando ordem e caos. Felicidade não é ausência de sofrimento, é aprender a aceitá-lo, permitindo que coisas melhores venham. Isso dá sentido à vida, diferente do que é pregado hoje em dia - isso sem entrar no debate ideológico diretamente.

Eu havia pensado em escrever sobre cada regra, mas elas são autoexplicáveis, aumentando a complexidade pouco a pouco (com exceção da sexta, que é mais simples do que a quinta ou a sétima). É questão de ler o livro e refletir sobre - há citações de obras literárias, assim como referências a artigos científicos. Como disse anteriormente, o livro não é uma receita de bolo: não é ler e mudar de vida num passe de mágica, como muitos querem, mas ler e passar a aceitar as dificuldades como parte de um processo maior.

Acredito que já tenha dado a entender que o livro não faz ativismo político, e mesmo a crítica à ideologia é feita de forma racional, sem ser o foco da obra. O autor mostra que a ausência de propósito e de valores abre caminho para que qualquer ideologia imponha-se sobre a sociedade, criando um regime totalitário, cujo caminho de saída é longo e doloroso, podendo ocorrer algo pior durante o percurso.

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