Mulheres que Correm com os Lobos - 8: Aparência e Beleza

Esse é um dos pontos nos quais as críticas do Feminismo mais falham: para algumas, não existe padrão de beleza, como se o autocuidado sistematizado fosse algo instintivo da mulher; outras fogem do assunto, subestimando a profundidade e as reais consequências da aparência na vida feminina. Ao contrário do que todas elas imaginam, essa é uma das bases da militância feminista, que atrai mulheres do mundo todo e acaba por sustentar o movimento.

A situação é simples: existe um padrão de beleza no qual a mulher que não se encaixa é considerada inferior. As excluídas insatisfeitas tornam-se presa fácil do Feminismo, que acaba por destruir toda e qualquer referência de higiene e autocuidado. É necessário discutir sobre, pois apenas caçoar e ignorar dá mais força ao movimento, que literalmente reprograma a mulher sobre o assunto, sendo uma tarefa hercúlea a reversão.

No livro Mulheres que Correm com os Lobos, a autora Clarissa Pinkola Estés busca diluir a noção de beleza na linha do "todo mundo é bonito do seu jeito" e que "as mulheres deveriam se valorizar pelo que são, não tentar esconder sua verdadeira aparência". No entanto, a noção de feminino delicado é esquecida, sendo valorizado o grotesco e mesmo o mal cuidado. Há trechos no final do livro nos quais apresentam de forma positiva a ausência de higiene pessoal, como um afastamento da sociedade necessário de tempos em tempos.

Pinkola Estés apresenta o corpo como belo por ser corpo, independente do cuidado dispensado, ou seja, se a mulher não tem o mínimo cuidado consigo mesma, continua sendo bela mesmo assim, o que pode soar bonito num primeiro momento, mas tem uma consequência nefasta: as pessoas começam a se afastar de mulher, a sentir repugnância, e ao invés desta perceber seu erro, acredita estar no caminho certo por ir contra a sociedade.

Sempre haverá padrões de beleza, em alguns casos necessários para um bom convívio social. Aparência é algo instintivo: entre os animais há rejeição por conta de aparência, inclusive em relação à prole. Não é possível mudar a visão de mundo das pessoas de uma só vez, algo que as feministas almejam, como todo revolucionário - inclusive esta ideia está presente no Mulheres. As pessoas sempre pensarão dentro desses padrões, e cabe às mulheres não tentar mudá-las, mas entendê-las, e mesmo tirar o melhor proveito disso.

O autocuidado é importante a nível pessoal, e não deve ser visto como algo ideológico ou mesmo político. Se uma pessoa não consegue se cuidar de forma amorosa, ela precisa de ajuda urgente, pois há um problema sério aí. Fora isso, ter seu estilo de vida, sua forma de vestir e mesmo de pensar, é da própria pessoa e deve ser trabalhado e desenvolvido, com a devida responsabilidade a ser assumida - algo no qual as feministas rejeitam de forma categórica.

É trágico ouvir de uma feminista querer vestir-se da forma que lhe aprouver mas não querer ouvir comentários sobre. Dependendo do contexto, a vestimenta estará inadequada sim, em outros contextos, não há o que fazer, pois as pessoas são preconceituosas. Já as críticas do Feminismo deverão trabalhar os próprios preconceitos sobre e desenvolver tolerância ao que consideram diferente ou mesmo inadequado - como não usar maquiagem ou alisar o cabelo, como exemplo.

Como afirma Jordan Peterson em 12 Regras para a Vida, a cultura é algo opressor, mas não para ser subvertido, e sim para ser transcendido. A cultura é o que é porque coloca ordem entre as pessoas e não as afunda no caos - o que não significa que seja algo estático que não pode ser mudado. Por outro lado, Pinkola Estés fala também de cultura como algo opressor, mas para ser destruído, não evoluído.

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