Mulheres que Correm com os Lobos - 14: Bibliografia

Como a própria autora diz, a Bibliografia não é apenas uma lista de livros utilizados para elaboração da obra, como também uma lista de livros recomendados para a leitora que tiver interesse em se aprofundar na causa feminista e ambientalista. A Bibliografia pode ajudar a descobrir de onde vem a maior parte das citações sem referência presentes na obra, mas como eu disse anteriormente, isso seria trabalho para outro livro, requerendo talvez anos de pesquisa.

Alguns livros estavam disponíveis em português à época e mais alguns foram traduzidos posteriormente. Há livros esgotados - e que não estão disponíveis nem em versão digital - e alguns clássicos, tanto literários quanto religiosos. Pinkola Estés sugere a combinação da análise das obras da Bibliografia com obras de Filosofia, como as de Kant, Kierkegaard e Mencken, mas eu tenho uma ideia melhor: analisar as obras mais populares para ter uma melhor ideia da base utilizada pela autora.

Os livros de literatura são em grande parte do circuito alternativo americano, onde Clarissa estabeleceu seu nicho de mercado. São livros inclusive citados ao longo do Mulheres, com a curiosa característica de que estão com as devidas referências. Há alguns clássicos, como A Cor Púrpura de Alice Walker e Folhas de Relva de Walt Whitman. No entanto, essas obras apenas endossam a tese defendida no Mulheres, sendo um reforço para o imaginário programado pelo livro.

Dois grandes clássicos feministas estão na Bibliografia: O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, e A Mística Feminina, de Betty Friedan. São livros pertencentes ao que é conhecido por Segunda Onda feminista, cuja bandeira era o questionamento de valores e da vida cotidiana. Ambos os livros questionam e criticam valores até então proeminentes na sociedade ocidental, como padrões de beleza e afazeres domésticos, mas é bom ressaltar que o tipo de pensamento revolucionário dessas obras faz parte da conhecida Escola de Frankfurt, sendo, digamos, adaptado à causa feminista.

Na parte de livros religiosos há os cristãos e os não-cristãos. Estes são o Bhagavad Gita, parte do épico hindu Mahabarata, o Tao Te Ching, base do que acabou por tornar-se a religião Taoista, e um livro da wiccana Starhawk, conhecida pela obra A Dança Cósmica das Feiticeiras. Os livros cristãos são sobre polêmicas em torno de Nossa Senhora e suas aparições, como Nossa Senhora de Guadalupe e Nossa Senhora de Medjugorje.

Apenas com essa apresentação, dá-se a entender como Pinkola Estés vê as religiões. Em resumo, compilando com o dito em outros posts: há as "religiões naturais", que seriam cultos ligados às estações do ano e aos fenômenos da natureza, onde religiões como Budismo e Hinduísmo fazem parte - mesmo tendo por dogmática o conceito de reencarnação e vida além deste mundo. Já o Cristianismo é rotulado de "nova religião" ou mesmo de "religião artificial", considerado "culpado" pelos males existentes na sociedade.

Não tem como dizer que Mulheres que Correm com os Lobos não é um livro feminista. Além dos citados livros feministas, incluindo também o Memórias de uma Moça Bem-Comportada de Simone de Beauvoir, há obras editadas em editoras feministas, fora citações no Mulheres sobre movimentos feministas como o NOW e o Women's Alliance. Neste caso, Pinkola Estés chama de "movimento das mulheres" e não entra em maiores detalhes.

Por fim, há também livros de História sobre matriarcado e cultos femininos na Antiguidade. Acho estranho quando alguns historiadores comentam a inexistência de provas de culturas matriarcais, quando feministas (e até não-feministas) escreveram uma extensa bibliografia sobre, como comentado anteriormente. Não posso dizer aqui até que ponto são obras honestas ou apenas panfletos ideológicos, cabendo aos leitores a pesquisa e a reflexão apurada a respeito.

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