Mulheres que Correm com os Lobos - 15: Encerramento

Eu analisei o livro partindo do conceito de Feminismo como movimento político-ideológico. Entretanto, pode-se concluir que Mulheres que Correm com os Lobos é um livro que mostra o Feminismo como uma seita de mulheres que busca dominar a sociedade. Seria uma espécie de sociedade secreta baseada em religiões antigas (ou no que dizem ser religiões antigas), com ritos, valores e divindades. A maior parte dos seus membros são de baixa hierarquia, não tendo nenhuma noção do que ocorre lá dentro (ou lá embaixo).

Só assim para entender a imagem da Mulher Selvagem que Pinkola Estés apresenta no livro. Não é de um arquétipo, é ampla demais para tal, além das associações constantes com entidades de cultos antigos. Com a mente confusa, pelas histórias e pelos floreios, a mente da leitora é reprogramada para buscar essa imagem como estilo de vida, como resposta a anseios (reais ou inseridos), tornando a Mulher Selvagem uma divindade de um culto ideológico.

Isso também explicaria por que feministas não auxiliam mulheres que não são do movimento, e mesmo entre feministas, não são todas que recebem apoio direto. Não faz sentido um movimento que diz defender mulheres não aceitar que estas o critiquem - de maneira alguma - a ponto de perseguir divergências. É elementar proteger o movimento de quaisquer coisas que possam destruí-lo - sobretudo de dentro. Também é elementar direcionar todo e qualquer pensamento para a causa, dissipando ou neutralizando o que for contrário.

Por isso o processo criativo que a autora defende está longe de cuidar da casa e dos filhos. Mesmo cuidar de um jardim pode ser útil para a causa. Sempre que Pinkola Estés fala de criatividade, fala em pintar, escrever, dançar. Uma casa limpa traz serenidade, mas o tempo gasto para limpar poderia ser utilizado num coletivo ambientalista. Ser como lobo para a autora é viver em um grupo harmônico que busca apenas se preservar, de preferência conquistando mais e mais territórios.

O ambientalismo entra como um movimento complementar ao feminista, dando toques rústicos a este. Uma nova mentalidade requer um novo modo de vida, como novos hábitos de alimentação, de vestimenta, de escolhas - uma reprogramação total. Por isso movimentos do chamado Progressismo são autônomos mas ao mesmo tempo convergentes em determinadas questões, para que não tenham força suficiente contra si mesmos em caso de divergências.

Finalmente termino este estudo. Foram meses de leitura, mais meses de rascunhos para chegar neste trabalho finalizado. É como se eu trabalhasse em mim ideias que ficaram enraizadas por anos, cortando o que faz mal para deixar crescer o que é bom. Deixo então meu principal aprendizado sobre tudo isso: cortar a raiz do mal é fundamental, mas para alcançá-la é necessário primeiro cortar os galhos mais finos, depois os mais grossos, para assim chegar a tal raiz (ou raízes) e, principalmente, não deixar mais crescer novamente.

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