Mulheres que Correm com os Lobos - 13: O que as histórias realmente querem dizer

Olhando Mulheres que Correm com os Lobos de uma perspectiva feminista, como dito anteriormente, vê-se que a obra é um manual de formação de militância. No entanto, é um tipo de militância sutil, que não tem consciência de que atua por uma causa ideológica, o que pode ser chamado de idiota útil, segundo Gramsci. Decidi então mostrar o que a autora quer dizer (ou programar) com as histórias apresentadas, apesar dos floreios e dos recursos motivacionais, além de fazer alguns comentários sobre.

La Loba: quebra da ordem natural, ressurreição sem intervenção divina. Começar a aceitar ideias absurdas. Em histórias onde há um "retorno à vida" provocado sem motivação divina, quem a promove é um ser maléfico, com intuito corrompido.

Barba-Azul: questionar tudo que vem dos homens, a ponto de gerar a discórdia. Homens apenas podem ser aceitos se submissos à mulher. Nessa história, a mulher tenta negar a cumplicidade que possui com o marido e no final utiliza seus irmãos para sair da situação - e ficar com toda a fortuna.

Vasalisa: obedecer à hierarquia do movimento, sem tentar tirar o lugar de ninguém. Não é a feminista que consegue as coisas, mas sim o movimento (o que vem de fora). Para a autora, não foi a pureza e a integridade de Vasalisa que a salvou na história, mas um suposto poder ancestral vindo de sua boneca e de Baba Yaga.

Manawee: homens são como animais: devem ser domesticados para serem leais e dóceis às mulheres. A impressão que fica é a de que as irmãs gostavam mais do cachorro do que do rapaz.

Mulher-Esqueleto: aceitar o tenebroso e o grotesco como coisas boas. Relativização da aparência - o grotesco deve ser aceito como belo. Afinal, um esqueleto correndo atrás de você é tão romântico...

O Patinho Feio: buscar por quem te entende/aceita sem buscar entender o outro. Quem segue o movimento nunca está errado, mas sim quem o critica. Que mãe é essa que expulsa o próprio filho por não aguentar queixas por mera aparência?

Sapatinhos Vermelhos: como dito em outro post, não aceitar a ordem, muito menos qualquer princípio cristão. É uma ode à vida miserável que os ambientalistas tanto pregam: passe fome e viva de farrapos que será feliz.

Pele de foca: mulheres podem quebrar acordos e faltar com a palavra, pois sempre será "culpa" dos homens. Pelo movimento, abrir mão da família e dos filhos. Repare que os laços familiares praticamente inexistem, prevalecendo os laços tribais (a mulher que prioriza as focas do que o próprio filho).

La Llorona: absurdos pela causa são moralmente válidos. São essas atitudes extremas que expõem o conceito de família para a autora, que está muito mais ligado ao movimento do que ao que a própria mulher tem por família.

Menina dos Fósforos: não acreditar em transcendência nem na Eternidade. A Eternidade é a esperança de dias melhores. Ceifar isso direciona todos os esforços para o aqui e agora, tornando a pessoa frágil e manipulável.

Urso da Meia-Lua: para mim, parece mais uma história que explica para a mulher como ser paciente e benevolente com o marido. No entanto, pode ser entendida como a leitora deve ser devotada ao movimento, acentuando ainda mais a visão negativa dos homens.

A Mulher dos Cabelos de Ouro: homens são potencialmente perigosos, dominadores e destruidores. Tem-se a impressão de que apenas homens são vingativos, enquanto isso na verdade é uma constante humana.

A Donzela sem Mãos: o ciclo completo de iniciação feminista. Rejeitar a família e seus valores, buscar o grotesco como libertação, mexer com coisas das quais não conhece realmente, blindar-se de opiniões divergentes, defender a todo custo a causa.

Não estou aqui para dizer que esse livro deva ser censurado, ou que as pessoas não devam lê-lo. O que eu quero dizer é que as pessoas o leiam com consciência, que busquem ter uma base intelectual antes de ler - ou pelo menos pesquisar ponto a ponto do que não entendeu, ou mesmo o que acha que entendeu. Não só com este livro, mas com outros, feministas ou não, de autoajuda ou não.

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