Mulheres que Correm com os Lobos - 5: O Tal do Matriarcado

Não se pode deixar de falar de Mulher Selvagem sem falar sobre o matriarcado. Esta é uma forma de organização social, existente até os dias de hoje, mas que se encontram mais idealizações do que informações históricas e/ou arqueológicas. Existe um debate atual, desastrado na minha opinião, sobre existir ou não esse tipo de organização. Como a maior parte dos trabalhos sobre o assunto tem por objetivo propagandear sobre uma sociedade perfeita, a própria existência de sociedades assim é posta em dúvida.

O principal argumento da inexistência do matriarcado, defendido por alguns pesquisadores de certa envergadura intelectual, é a ausência de fontes. Com pesquisas que mais idealizam do que apresentam a realidade, que acabam por ser refutadas décadas depois, realmente fica difícil de acreditar que existam sociedades matriarcais até hoje. E se deve ressaltar que esses questionadores também são orientados ideologicamente, o que complica ainda mais a situação.

Sociedades matriarcais sempre existiram, com seus problemas e revezes - como em toda sociedade. O problema está na idealização dessas socidades, lançadas em um passado remoto, inacessível para a maior parte dos estudiosos, e que seu suposto fim tenha ocorrido por conta de um declínio da sociedade humana. Isso dá a força que o movimento feminista (e o Progressismo como um todo) precisa para inculcar a ideia de que é possível a criação de uma sociedade em moldes revolucionários - como se sociedades matriarcais e patriarcais não coexistissem até hoje.

O próprio livro Mulheres que Correm com os Lobos comenta de religiões antigas nas quais as deusas teriam proeminência sobre os deuses, mas sem comentar quais sociedades eram (e mesmo as fontes de pesquisa). E aí entra a crítica ao Cristianismo, chamado de nova religião pela autora do livro - que também o chama de "religião artificial", por possuir uma visão transcendente, além dos fenômenos da natureza, e da própria noção de masculino e feminino.

No final das contas, é um problema mais teórico do que prático. É o problema de apresentar fatos sem passar qualquer verniz ideológico. Como dito no post anterior, a ideia é inculcar na cabeça das leitoras a possibilidade (e a missão, por assim dizer) de construir uma sociedade revolucionária, na qual mulheres terão o controle de tudo - mas não qualquer mulher, que fique bem claro, apenas aquelas pertencentes ao movimento.

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