Precisamos de mais Sword Art Online

Eu não gostaria de fazer uma análise desse tipo em relação ao anime, mas alguns aspectos da série inteira chamam atenção suficiente a respeito: é o anime mais avesso ao Feminismo que eu já vi - o que é muito bom, por sinal. Essa análise vai partir do Progressive, cujo primeiro filme da série estava nos cinemas (com previsão de lançamento de continuação), e fazer ligações com as outras temporadas, com os spoilers que eu considerar necessários.

A Asuna é uma menina normal - por isso tão odiada, talvez. Filha de uma grande executiva, que quer que siga seus passos a qualquer custo. Asuna é esforçada, mas não é reconhecida pela mãe. Suas notas são boas, mas ela não é a melhor aluna da escola. No entanto, ela é popular e tem boas amigas. Asuna vai parar no SAO após um convite feito pela sua colega Mito, a melhor aluna da escola e uma grande jogadora.

Durante o jogo, Asuna quer comprar roupas bonitas, tomar banho de banheira, comer os pratos saborosos dos restaurantes. Ao pensar assim, como não lembrar das feministas bradando que isso são futilidades, que as mulheres devem competir com os homens de igual pra igual - no trabalho, na escola, no jogo, no esporte. E perceba como a Asuna perde ao brilho ao tentar se tornar uma mulher independente...

A protagonista admira Mito, independente e cheia de atitude. Tanta atitude a ponto de deixar Asuna na mão, achando que fosse morrer para os monstros do jogo - afinal, ela precisa seguir em frente e vencer o jogo para voltar pra casa. Exatamente como o Feminismo prega: mulheres devem ser independentes e competitivas ao ponto de serem agressivas e desleais. Não existe sororidade feminina, apenas jogo de interesses.

Mas homens sabem o que é honra, o que é manter a palavra, o que é ir até o fim por algo a ponto de perder a própria vida - ao longo da História sempre fizeram isso. E Kirito é um homem de verdade - por isso tão odiado, talvez. Kirito defendeu a Asuna até o final, mesmo sem conhecê-la no começo - e dedicou sua vida a estar com ela até o fim. E ela fez o mesmo - assim são os casais de verdade.

Foi Kirito que mostrou para Asuna que ela poderia se divertir ao longo dos andares - banheiras maiores e restaurantes com pratos mais saborosos. Ela mesma desenvolve habilidade de culinária máxima ao longo do jogo - algo que parece fútil à primeira vista, mas importante em um jogo que reproduz os statuses de fome e sede.

A trairagem da Mito foi perdoada, mas não esquecida: cada uma seguiu seu caminho. Asuna foi atrás de seu propósito, que não era ser a melhor jogadora de Sword Art Online, com certeza. A mãe de Asuna aceitou a contragosto Kirito - em uma imersão no ALfhein Online, anos mais tarde - depois de perceber que sua filha era mais parecida com a avó do que com ela mesma - e que não seria uma grande executiva, mas uma dona de casa e mãe de família.

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