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Mostrando postagens de Junho, 2022

Mulheres que Correm com os Lobos - 4: A Mulher Selvagem

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Talvez pareça estranho só agora falar sobre a Mulher Selvagem, que pode ser chamada de principal personagem do livro, a estrela do show . Mulheres que Correm com os Lobos propõe-se a apresentar o que é considerado por arquétipo inerente a todas as mulheres. No entanto, só de ler novamente esta afirmação nota-se que é falha, pois um arquétipo faz parte do inconsciente coletivo de todas as pessoas, homens e mulheres. A definição de Mulher Selvagem vai além do arquétipo, e ganha mais características ao longo da obra do que o simples padrão de personalidade dos arquétipos, como um ser que ganha vida e personalidade no interior da mente humana, um software mental. Contudo, não consigo deixar de pensar também na ideia de divindade, tendo em vista que o livro comenta sobre uma suposta religião matrifocal de uma sociedade matriarcal que teria existido na Antiguidade. Quando um conceito é ampliado exageradamente, torna-se impossível a crítica, pois ele nunca é aquilo que pode ser considerad

Mulheres que Correm com os Lobos - 3: Sobre Contos de Fadas

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Cabe nesse post uma observação importante: a definição de contos de fadas. Para esta análise, baseei-me no livro Árvore e Folha, de J. R. R. Tolkien. Na primeira parte do livro, Sobre Histórias de Fadas, Tolkien apresenta o que são os contos de fadas, analisando as coletâneas existentes em sua época e explicando que a maior parte delas não possui contos de fadas legítimos. Na segunda parte, é apresentado um conto de fadas de exemplo - de autoria do próprio Tolkien. Boa parte do que hoje é chamado de conto de fadas nada mais é do que uma história popular, passada pelas gerações, sofrendo alterações, e mesmo adulterações em alguns casos. No livro Mulheres que Correm com os Lobos, a autora não busca uma versão original, ou a versão mais antiga preservada, como uma das características dos contos de fadas, mas sim a criação de uma "versão original", com elementos que a autora considera oriundos de antigas religiões - anteriores ao Cristianismo -, chamados de "esqueletos&qu

Mulheres que Correm com os Lobos - 2: Como Funciona

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O livro baseia-se em uma pretensa análise de "contos de fadas" e histórias populares, de origem do leste europeu e do meio-oeste norte-americano, sob o ponto de vista da psicanálise junguiana. A autora afirma ser psicanalista especializada nessas histórias, informando que tem por trabalho pesquisar e analisar as diferentes versões destas histórias para uso em terapia. No entanto, é bom ressaltar que as histórias são meios pelos quais são desligados os firewalls das leitoras, tornando a reprogramação fácil, profunda e de difícil reversão. Ao envolver-se com estes contos, o canal empático aberto permite que novas ideias sejam programadas, anulando, ou mesmo deletando, partes da programação original da leitora, de forma a direcioná-la a uma visão de mundo revolucionária. As histórias em si pouco têm valor, com exceção de três: Sapatinhos Vermelhos, La Llorona e A Donzela sem Mãos. As duas primeiras serão analisadas em postagens separadas, por conta da "pancada mental&qu