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Mostrando postagens de agosto, 2022

Mulheres que Correm com os Lobos - 14: Bibliografia

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Como a própria autora diz, a Bibliografia não é apenas uma lista de livros utilizados para elaboração da obra, como também uma lista de livros recomendados para a leitora que tiver interesse em se aprofundar na causa feminista e ambientalista. A Bibliografia pode ajudar a descobrir de onde vem a maior parte das citações sem referência presentes na obra, mas como eu disse anteriormente, isso seria trabalho para outro livro, requerendo talvez anos de pesquisa. Alguns livros estavam disponíveis em português à época e mais alguns foram traduzidos posteriormente. Há livros esgotados - e que não estão disponíveis nem em versão digital - e alguns clássicos, tanto literários quanto religiosos. Pinkola Estés sugere a combinação da análise das obras da Bibliografia com obras de Filosofia, como as de Kant, Kierkegaard e Mencken, mas eu tenho uma ideia melhor: analisar as obras mais populares para ter uma melhor ideia da base utilizada pela autora. Os livros de literatura são em grande parte do

Mulheres que Correm com os Lobos - 13: O que as histórias realmente querem dizer

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Olhando Mulheres que Correm com os Lobos de uma perspectiva feminista, como dito anteriormente, vê-se que a obra é um manual de formação de militância. No entanto, é um tipo de militância sutil, que não tem consciência de que atua por uma causa ideológica, o que pode ser chamado de idiota útil , segundo Gramsci. Decidi então mostrar o que a autora quer dizer (ou programar) com as histórias apresentadas, apesar dos floreios e dos recursos motivacionais, além de fazer alguns comentários sobre. La Loba: quebra da ordem natural, ressurreição sem intervenção divina. Começar a aceitar ideias absurdas. Em histórias onde há um "retorno à vida" provocado sem motivação divina, quem a promove é um ser maléfico, com intuito corrompido. Barba-Azul: questionar tudo que vem dos homens, a ponto de gerar a discórdia. Homens apenas podem ser aceitos se submissos à mulher. Nessa história, a mulher tenta negar a cumplicidade que possui com o marido e no final utiliza seus irmãos para sair d

Mulheres que Correm com os Lobos - 12: La Llorona

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A outra vez que eu ouvi falar da Chorona, fora o livro em análise, foi no seriado Chaves, em um episódio onde comentavam sobre assombrações. Ela é o equivalente hispânico do Velho do Saco: uma pessoa que leva embora crianças mal comportadas. No entanto, a história de La Llorona vai além de uma sequestradora, e Pinkola Estés tenta colocá-la dentro dos princípios feministas a todo custo. De acordo com a autora, La Llorona é uma moça que teria aceitado casar-se com um homem que estava perdidamente apaixonado por ela e tiveram dois filhos. Depois de um tempo, ele anuncia que precisa voltar para a Espanha e que levaria os filhos junto para terem uma vida melhor. A moça não aceita e se joga num rio com as crianças. Ao chegar ao Céu, o porteiro (acredito que seja S. Pedro) diz que ela está perdoada, mas para entrar precisaria trazer as almas dos filhos, perdidas no fundo do rio. A lição que ficaria é a de que as crianças não poderiam ficar até tarde brincando fora de casa: La Llorona poderi

Mulheres que Correm com os Lobos - 11: Sapatinhos Vermelhos

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Há algumas histórias que chamam atenção no Mulheres que Correm com os Lobos, mesmo que o objetivo seja apenas a reprogramação da mente da leitora para a causa feminista: Sapatinhos Vermelhos e La Llorona. Eu poderia comentar sobre A Donzela sem Mãos, mas em resumo é uma história na qual dá-se a entender como um ciclo de formação feminista no qual a leitora abre mão de seus valores para abraçar a causa, ou sobre Pele de Foca, em uma narrativa semelhante, só que abandonando filho e marido ao invés dos pais. Sapatinhos Vermelhos, da forma que a autora narra, é chocante. Não conheço outras versões para confrontar, além de ter conhecido essa história por este livro. O subterfúgio de "pesquisar histórias" e contar o que considera conveniente deixa claro o propósito manipulador das histórias contadas, ainda mais quando Pinkola Estés faz observações sobre valores e elementos cristãos. Esta história parece mais forçar o firewall da leitora do que trazer elementos de análise. Em re

Mulheres que Correm com os Lobos - 10: Os Lobos

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Os lobos são um dos elementos de menor importância do livro, apesar de serem parte do título deste. Tanto é que em meus rascunhos foi deixado para o final, apenas antes dos esboços sobre bibliografia e encerramento dessa série de posts. Por mais que a obra leve seu nome, o lobo no livro é muito mais um símbolo do que uma reflexão em si. Tanto é que a deusa de Pinkola Estés é a Mulher Selvagem, não a Mulher Loba - e La Loba é algo secundário, mero epíteto. A autora faz algumas analogias com os lobos ao longo da obra. Informa que conviveu com eles ao longo da vida e estudou sobre seu comportamento. Contudo, ao longo das páginas isso não se apresenta: o que Pinkola Estés fala sobre lobos, poderia ser sobre leões, tigres, até aves ou mesmo, para esculachar, baratas. A autora não cita um estudo científico sobre lobos, nem mesmo algum que tenha sido publicado por ela. A alcateia de Pinkola Estés é uma tribo utópica de seres humanos convivendo harmoniosamente em um paraíso socialista. Diz