Os Caça-Fantasmas (1984, 1989, 2021)

Pode-se estranhar por que não está referenciado o filme de 2016, e o motivo é simples: este busca anular o que ocorreu nos filmes anteriores, tentando direcionar a história para uma perspectiva revolucionária, algo que os primeiros tentaram combater. O filme de 2021, apesar da aparência de remake, já que possui a mesma história, vem complementar a trilogia, com cores pesadas e dramáticas.

Caça-Fantasmas (sem o artigo, o de 2016) falhou. A geração seguinte a dos anos 1980 falhou em lutar pela liberdade, acomodada pelo mundo confortável após tantos fantasmas aprisionados, chegando ao ponto de desacreditar na existência destes e menosprezar o trabalho d'Os Caça Fantasmas da geração anterior.

O que chama a atenção no filme mais recente não é a atualização dos efeitos especiais, mas sim o tom dramático que a história tem. Não é mais aquele filme bem humorado de cientistas excêntricos pesquisando sobre espectros, mas um filme dramático no qual a humanidade está em risco sem pessoas que possam salvá-la.

O filme em questão retrata uma família cuja mãe não sabe cuidar da casa, que se ressente do pai, o caçador Egon Spengler, mas não sabe (nem os próprios colegas sabiam) do sacrifício feito por ele para evitar que a catástrofe de 1984 se consolidasse - com direito ao trocadilho infame. Quem descobre o plano é a neta do caça-fantasmas falecido, que com o apoio do irmão e de amigos consegue dar cabo da nova tentativa de o mundo ser lançado na escuridão.

Isso só foi possível porque a antiga equipe reaparece - inclusive o espírito do falecido Spengler. É a tradição de caçar fantasmas, e de se combater o mal por trás deles, sendo transmitida para outra geração, que tem consciência da necessidade de lutar pela sua liberdade, mesmo sendo menosprezados e tachados de anticientíficos - como há 40 anos atrás.

A falta de pessoas para combater o mal deve-se à quebra da transmissão da tradição de geração em geração. Como disse antes, as gerações seguintes passaram a menosprezar o trabalho feito nos anos 1980, permitindo que os fantasmas voltassem a assombrar a sociedade. Ocorre, então, um salto: já que essa geração não soube combater fantasmas (não há nenhuma referência ao filme de 2016, como um trabalho falho), é passado o bastão para a outra geração (os netos), que conseguem fazer alguma coisa para resolver a situação.

As críticas que os filmes de 84 e 89 fizeram continuam atuais: a visão engessada de ciência, pessoas que se aliam a forças ocultas para tirar vantagem, lutar por uma causa real ao custo da própria vida - uma causa não-ideológica, mas transcendente. Spengler constrói todo um arsenal para lutar sozinho contra os fantasmas, enquanto sua filha reclama de de ter sido ignorada - percebendo no final do filme que não foi bem assim.

Comentários