Por que eu não tenho YouTube

Vira e mexe algum leitor (de longa data ou não) me pergunta por que não tenho um canal no YouTube. A facilidade que as pessoas têm para ouvir e (às vezes) ver os vídeos é proporcional à dificuldade que o dono do canal pode ter para criá-los. Não é de agora que deixei de lado essa ideia estapafúrdia, mas como esta pergunta é recorrente, melhor escrever (ou desenhar) o motivo.

Se você não tem rios de dinheiro para contratar uma produtora para gravar e editar os vídeos por você (o que de quebra joga a relevância do canal lá pra cima), você terá que gastar tempo (e dinheiro) para gravar os vídeos. O planejamento que ensinei sobre os temas abordados em um blog, assim como a plataforma em que ele será publicado, estende-se também, no caso de vídeo, da forma que ele será gravado. Dependendo do caso, você terá que gastar em uma boa câmera e em um bom microfone, com a real possibilidade de não receber um mínimo tostão.

Não existem editores de vídeo bons e gratuitos: o que existem são plataformas limitadas o suficiente para que seu trabalho torne-se igual ao de qualquer outro. E vou te dizer: não pense que conteúdo é o mais importante para o YouTube. A impressão que fica é justamente o contrário, já que tem tanta gente criando conteúdo: a plataforma pode ficar à vontade para dar destaque a quem lhe trará mais rentabilidade a curto prazo, e não àqueles que lhe poderiam trazer muito mais, só que precisariam de um empurrãozinho.

Além disso, há a censura onipresente na plataforma. Não se iluda pensando que a censura no YouTube é formal e para determinados assuntos: o silêncio percorre todos os assuntos e de forma velada. Há canais que simplesmente não crescem apenas por causa do assunto abordado - e não é por falta de interesse do público. Essa história de que o problema está no canal, na imagem de capa, no microfone ou na câmera é apenas desculpa para encobrir questões como shadow ban e afins.

Outra coisa: para um canal fazer sucesso no YouTube, é necessário levar engajamento para a plataforma, já que não é possível desenvolvê-lo internamente. Pensando em um blog no qual os leitores leem mas quase não comentam (logo o feedback é escasso para quaisquer novos projetos), não há apoio real para uma nova plataforma, apenas o comodismo de não querer ler o que é escrito aqui.

O mais importante: por mais que existam tutoriais "ensinando" a ter visibilidade no YouTube, esta ou vem de fora (a pessoa já é conhecida de outro meio) ou é adquirida por meios imorais. Basta uma rápida busca na internet para encontrar diversos sites de fazendas de cliques que, de graça ou pagando, impulsionam o canal, aumentando magicamente inscritos e visualizações, jogando no lixo o trabalho de pessoas bem intencionadas que tentam crescer de forma honesta, buscando fazer um bom trabalho.

Não se engane com canais com milhares de seguidores sem um único vídeo que mereça atenção: todas aquelas dicas de fazer miniaturas atrativas, títulos chamativos, conteúdo claro e análise de estatísticas são inúteis se conhece sites que aumentam visualizações, curtidas e inscritos de forma segura a um preço módico. E ninguém precisa saber que você fez isso, afinal há tantos "macetes" para conseguir inscritos, como, inclusive, pagar por propaganda dentro do YouTube.

YouTube é uma ilusão. A pessoa deve fazer por realmente gostar e se divertir, mesmo com os revezes que a plataforma apresenta. Acho que já comentei anteriormente sobre a saturação das redes sociais e de como desenvolver um trabalho na internet tornou-se um investimento sem retorno algum - enquanto outros apenas recebem sem contribuir com o mínimo que seja. Por outro lado, o Blogger não possui meios de engajamento (além do AdSense/AdWords), assim como não possui censura por conteúdo, com raríssimas exceções. O esforço pode ser concentrado em pesquisar e em escrever algo de qualidade.

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