A Importância do Legado

Chegou a hora de se pensar no que será deixado para as próximas gerações. As pessoas andam tão vazias que nada de profundo e elevado é eternizado. Os clássicos são cada vez mais antigos, como se nada de novo merecesse ser relembrado, ou quando se celebra a memória de algo ou alguém recente, fica a sensação de se estar em uma sociedade em decadência. Isso sem falar daqueles que buscam destruir ou esquecer o que ainda há de elevado.

Um legado nem sempre é algo grandioso (em larga escala), mas é forte e profundo o suficiente para fazer a diferença, mesmo que para uma pessoa só. O verdadeiro legado faz a vida das pessoas mudar, ganha vida própria, podendo chegar a lugares que o seu criador nunca imaginou. Aquela ideia que puxa outra ideia, e nesse encadeamento surge algo belo e profundo - mesmo tão pequeno e singelo.

Construir um legado não é um objetivo em si, mas o resultado de uma vida elevada. É olhar para trás e ver as coisas boas que fez e que permanecerão mesmo depois da partida. É ver as pessoas - ou uma só, por que não - usufruírem do que você fez de bom agradecidas. O legado pode não ser um objeto, mas é sempre palpável, como uma atitude exemplar ao longo da vida.

Finalmente fez sentido para mim o que Olavo de Carvalho quis dizer com o famoso exercício do necrológio, na primeira aula de seu curso. O necrológio é um espelho de quem a pessoa quer ser lembrada no futuro, uma reflexão sobre o legado a ser deixado para o mundo. A dificuldade não está em escrever um, mas em olhar para trás e ver o que não foi feito.

As questões profundas continuarão a atormentar as pessoas, mesmo que essas durmam com calmantes ou assistam a séries horas a fio. Infelizmente a resposta não é dada a altura pela maioria delas, mesmo que em pequena escala. O Destino não baterá à porta para cobrar as contas, mas pulará a janela no momento mais inoportuno.

Por outro lado, há também o legado a ser recebido: o que a pessoa recebeu, e de quem o entregou. Não se deve negá-lo, nem destruí-lo, por pior que este o seja: deve-se sempre buscar a transcendência do nível anterior. Uma geração tenta passar para a outra o que tem de melhor, para que a seguinte faça melhor ainda, e por aí vai. Sempre haverá revezes, decadências e falhas, o que não é desculpa para um trabalho bem feito, uma atitude correta e um sacrifício necessário.

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