Samaritano (2022)

É impossível agradar a todos, mas é relativamente fácil desagradar todo mundo: basta falar a verdade. Taí outro filme que foge do estereótipo de super-herói pomposo, se bem que nem se pode considerar este filme como de super-herói. Desagradou um lado pela crítica ao movimento revolucionário e desagradou o outro lado por não retratar a história original do personagem - o que não significa que o filme seja ruim.

Como disse antes, não é um filme de super-herói, muito menos uma história de retorno do herói desaparecido, como o trailer demonstrou. Ao longo do filme é difícil acreditar que o protagonista não é o Samaritano: o jeito pacato e a boa-vontade de fazer o certo acabam por suavizar os ataques de fúria repentinos de Nêmesis, irmão gêmeo do herói.

Nem se pode considerar Nêmesis um vilão: é uma pessoa frustrada e amargurada, que acabou por perder quem realmente era importante para ele. Não havia plano algum de destruir a cidade ou de promover o caos: era apenas uma pessoa raivosa vingando-se da morte dos pais, sendo detida pelo irmão gêmeo.

Entretanto, a história mal contada pelo jornalista famoso acabou por transformar Nêmesis como um ícone revolucionário, idolatrado por pessoas realmente más como Syrus, que buscava destruição e poder a qualquer custo, a ponto de não aceitar que Nêmesis estava vivo e, pior, que não era a maldade encarnada como Syrus realmente era.

No final das contas, as pessoas não precisam saber que Samaritano está morto, muito menos que Nêmesis está vivo, além de não ser quem pensam. As pessoas precisam de esperança: não tem como não pensar na runa Sigil (Sol) ao ver o símbolo do Samaritano. É essa esperança que faz com que as pessoas tomem atitudes cada vez melhores, evitando o colapso das próprias vidas.

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