A pós-verdade chegou

A busca pela conveniência ganhou o conveniente nome de pós-verdade: agora é necessário que alguém valide a verdade como tal, não mais a pessoa ser considerada confiável por buscar e expressar a verdade. O fato deixou de ser absoluto em si para tornar-se fruto dos interesses de seus envolvidos direta e indiretamente.

É a relativização da verdade em seu apogeu. Se antes ainda havia discussão sobre a confiabilidade de estudos fora do âmbito acadêmico, sobretudo em relação às Humanidades, agora o embate deixou de existir em nome de um "selo de autoridade" para assuntos nos quais são necessários uma mente pensante e um coração disposto - não uma estante cheia de diplomas.

O problema é que aqueles que ainda veem e perseguem a verdade nada podem fazer para reverter essa situação insana, sob o risco de serem tachados de mentirosos e sofrerem como se tivesse sido cometido um crime. Não adianta falar a verdade se não se possui a chancela de "falador de verdades" - e os "faladores de verdades" não estão nem um pouco preocupados com a realidade.

A relativização da verdade mostra-se como um grave erro e o preço começou a ser pago da forma mais dolorosa possível. Há diferença entre a busca pela verdade, com seus erros e controvérsias, e a mera afirmação de absurdos, protegidos pelo rótulo de opinião - como se a realidade fosse mera questão de conveniência.

Parece que, pra variar, quem pagará por esse erro serão aqueles que buscam a virtude. No final das contas, isso sempre aconteceu: verdades sempre ficaram ocultas aos olhos do vulgo e aqueles que ousaram expô-las sempre foram perseguidos. Olha-se o passado como se as pessoas sempre tivessem sido virtuosas, quando, na verdade, é a realidade que se impõe no final.

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